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Gilberto Gil é destaque da 2ª noite do Heineken Concerts


Do Diário do Grande ABC

07/04/1999 | 15:08


Em sua segunda noite, quinta-feira, o Heineken Concerts'99 realiza shows em duas casas. No Teatro Alfa Real apresentam-se, na primeira parte do programa, Antônio Pinto e Jaques Morelenbaum, acompanhados de orquestra de cordas, para mostrar - pela primeira vez ao vivo - a trilha sonora do filme Central do Brasil; na segunda parte, o contrabaixista Zeca Assumpçao, à frente de quinteto jazzístico, recebe como convidado o guitarrista norte-americano John Scofield. Na Tom Brasil, Gilberto Gil, Egberto Gismonti e Jane Duboc apresentam espetáculo inédito.

Ineditismo é uma característica que o festival preserva. Os espetáculos que apresentam nao sao daqueles que estao em excursao internacional e vêem até aqui cumprindo agenda. Sao especialmente programados - uma das poucas exceçoes é o do Buena Vista Social Club, da velha guarda de compositores, cantores e instrumentistas cubanos. Eles estao excursionando pelo mundo e tocam sexta-feira, na Tom Brasil, como já se apresentaram terça-feira no Rio de Janeiro. Mas o Buena Vista nunca tinha vindo antes ao Brasil.

Trilha ao vivo - A música do premiado Central do Brasil, de Walter Salles Jr., foi composta por Antônio Pinto e Jaques Morelenbaum, que nao programavam apresentá-la ao vivo. Vai ser tocada em forma de suíte - obedecendo à ordem em que surge no filme, com ênfase nas cordas, no início, e o surgimento do sotaque nordestino, gradativamente, acompanhando o deslocamento dos personagens. A suíte tem temas do violonista Antônio Pinto, do violoncelista e arranjador Jaques Morelenbaum e temas legitimamente nordestinos, como a Toada e Desafio, do mestre Capiba.

É música descritiva, climática, densa, que será melhor apreciada por quem tenha assistido ao filme; mas sobrevive a ele com imensa riqueza de melodias (às vezes eventualmente sentimentais; mas é música de cena, afinal) e grande beleza de arranjos.

O quinteto comandado por Zeca Assumpçao é formado por Jaques Morelenbaum - sempre ele -, ao violoncelo, Nando Carneiro, ao violao, Lelo Nazário, aos teclados, e Caíto Marcondes, na percussao. Zeca vem da escola de Hermeto Paschoal, cujo grupo integrou durante quatro anos, e de Egberto Gismonti, com quem gravou em oito discos.

Gravou também com Chico Buarque, Elis Regina, Caetano Veloso, Wagner Tiso - é um dos grandes do instrumento. Sua atividade de compositor, no entanto, é pouco conhecida. E é a que vai ser apresentada no Heineken. Zeca é autor de trilhas sonoras premiadas para cinema - como a do filme Barrela, de Marco Antônio Cury -, para televisao, desenhos animados e dança.

John Scofield, a quem a revista especializada Down Beat elegeu "rei da guitarra jazzística", em 1994, estudou em Berklee com Zeca Assumpçao.

Tocaram juntos, informalmente - quinta-feira vai ser o primeiro show, de verdade, deles dois.

Na Tom Brasil, Egberto Gismonti vai abrir a noite tocando com seus filhos, Alexandre (violao) e Bianca (teclados).

Este é um dos raríssimos casos em que nao entra em conta o orgulho paterno. Os dois jovens filhos do compositor e músico de todos os instrumentos sao herdeiros do talento paterno. Sao rigorosamente prodigiosos - e nem o perfeccionista Egberto permitiria que estivessem em cena, caso contrário.

Egberto e Gilberto Gil estiveram no mesmo palco em Salvador, no mês passado, durante o festival Panorama Percussivo Mundial - Percpan. Mas nao tocaram juntos. Vao fazê-lo agora, contando com a colaboraçao de Jane Duboc, uma das vozes mais afinadas de toda a MPB. Ela vai cantar músicas de um e de outro - aliás, começou com Egberto Gismonti, e já esteve no mesmo disco em que Gil - na trilha do balé O Grande Circo Místico, de Chico Buarque e Edu Lobo. Cada um deles interpretava uma obra-prima do balé. Vai ser um encontro inédito, mas também um reencontro.



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Gilberto Gil é destaque da 2ª noite do Heineken Concerts

Do Diário do Grande ABC

07/04/1999 | 15:08


Em sua segunda noite, quinta-feira, o Heineken Concerts'99 realiza shows em duas casas. No Teatro Alfa Real apresentam-se, na primeira parte do programa, Antônio Pinto e Jaques Morelenbaum, acompanhados de orquestra de cordas, para mostrar - pela primeira vez ao vivo - a trilha sonora do filme Central do Brasil; na segunda parte, o contrabaixista Zeca Assumpçao, à frente de quinteto jazzístico, recebe como convidado o guitarrista norte-americano John Scofield. Na Tom Brasil, Gilberto Gil, Egberto Gismonti e Jane Duboc apresentam espetáculo inédito.

Ineditismo é uma característica que o festival preserva. Os espetáculos que apresentam nao sao daqueles que estao em excursao internacional e vêem até aqui cumprindo agenda. Sao especialmente programados - uma das poucas exceçoes é o do Buena Vista Social Club, da velha guarda de compositores, cantores e instrumentistas cubanos. Eles estao excursionando pelo mundo e tocam sexta-feira, na Tom Brasil, como já se apresentaram terça-feira no Rio de Janeiro. Mas o Buena Vista nunca tinha vindo antes ao Brasil.

Trilha ao vivo - A música do premiado Central do Brasil, de Walter Salles Jr., foi composta por Antônio Pinto e Jaques Morelenbaum, que nao programavam apresentá-la ao vivo. Vai ser tocada em forma de suíte - obedecendo à ordem em que surge no filme, com ênfase nas cordas, no início, e o surgimento do sotaque nordestino, gradativamente, acompanhando o deslocamento dos personagens. A suíte tem temas do violonista Antônio Pinto, do violoncelista e arranjador Jaques Morelenbaum e temas legitimamente nordestinos, como a Toada e Desafio, do mestre Capiba.

É música descritiva, climática, densa, que será melhor apreciada por quem tenha assistido ao filme; mas sobrevive a ele com imensa riqueza de melodias (às vezes eventualmente sentimentais; mas é música de cena, afinal) e grande beleza de arranjos.

O quinteto comandado por Zeca Assumpçao é formado por Jaques Morelenbaum - sempre ele -, ao violoncelo, Nando Carneiro, ao violao, Lelo Nazário, aos teclados, e Caíto Marcondes, na percussao. Zeca vem da escola de Hermeto Paschoal, cujo grupo integrou durante quatro anos, e de Egberto Gismonti, com quem gravou em oito discos.

Gravou também com Chico Buarque, Elis Regina, Caetano Veloso, Wagner Tiso - é um dos grandes do instrumento. Sua atividade de compositor, no entanto, é pouco conhecida. E é a que vai ser apresentada no Heineken. Zeca é autor de trilhas sonoras premiadas para cinema - como a do filme Barrela, de Marco Antônio Cury -, para televisao, desenhos animados e dança.

John Scofield, a quem a revista especializada Down Beat elegeu "rei da guitarra jazzística", em 1994, estudou em Berklee com Zeca Assumpçao.

Tocaram juntos, informalmente - quinta-feira vai ser o primeiro show, de verdade, deles dois.

Na Tom Brasil, Egberto Gismonti vai abrir a noite tocando com seus filhos, Alexandre (violao) e Bianca (teclados).

Este é um dos raríssimos casos em que nao entra em conta o orgulho paterno. Os dois jovens filhos do compositor e músico de todos os instrumentos sao herdeiros do talento paterno. Sao rigorosamente prodigiosos - e nem o perfeccionista Egberto permitiria que estivessem em cena, caso contrário.

Egberto e Gilberto Gil estiveram no mesmo palco em Salvador, no mês passado, durante o festival Panorama Percussivo Mundial - Percpan. Mas nao tocaram juntos. Vao fazê-lo agora, contando com a colaboraçao de Jane Duboc, uma das vozes mais afinadas de toda a MPB. Ela vai cantar músicas de um e de outro - aliás, começou com Egberto Gismonti, e já esteve no mesmo disco em que Gil - na trilha do balé O Grande Circo Místico, de Chico Buarque e Edu Lobo. Cada um deles interpretava uma obra-prima do balé. Vai ser um encontro inédito, mas também um reencontro.

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