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Voluntários retiram grandes resíduos, mas poluição persistirá por anos

Gilberto Crispim Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Especialistas afirmam que o óleo pode desencadear doenças respiratórias e da pele



22/10/2019 | 07:32


Enquanto as manchas de óleo avançam pelas praias do Nordeste, grupos de voluntários se organizam para ajudar na remoção do poluente, que fica impregnado na areia e nos corais. Nos mutirões, os grupos conseguem recolher grandes porções do material, mas têm dificuldades para retirar fragmentos menores, que podem ficar vários anos depositados no ecossistema marinho.

Para a bióloga Yana Lopes, foi "uma das experiências mais tristes da vida" ir até a Praia de Muro Alto, em Ipojuca, um dos cartões-postais do Estado, para ajudar na força-tarefa. "Havia diversos fragmentos de óleo na praia e na areia. Nos corais, não dava para tirar porque estava impregnado", conta. No Estado, o poluente também chegou nesta segunda-feira, 21 ao Cabo de Santo Agostinho, na Grande Recife, e em outros destinos turísticos bastante procurados, como Carneiros.

Os grupos de voluntários trabalham em turnos, geralmente com início pela manhã. A maior parte sai do Recife até o litoral sul pernambucano. A comunicação é feita, principalmente, pela internet, em grupos de mensagens instantâneas.

"Durante a experiência, você sente dois sentimentos opostos. Fica triste por ver aquilo acontecendo com as praias que frequenta. Mas também é bom ver que as pessoas estão se engajando por um bem comum, que é limpar e tentar deixar o mínimo de estrago possível", diz o estudante Yan Lopes, outro voluntário.

Muitas vezes, no entanto, eles se sentem frustrados pela dificuldade de fazer a limpeza.

"Não se consegue tirar os micropedaços, apesar de a gente tentar de todas as maneiras. Parece que quanto mais a gente cava a terra, mais aparecem micropedaços, sem falar que a maré sempre está trazendo óleo", resume a bióloga.

Riscos

Os grupos têm recebido orientação da organização Xô Plástico de se protegem totalmente com luvas e botas e evitar ao máximo entrar em contato com o óleo. Além da Xô Plástico, organizações como PE Lixo, Recife sem Lixo e Salve Maracaípe recrutam voluntários. A recomendação dos órgãos públicos é para voluntários utilizarem luva e bota de borracha, além de máscara e calça comprida, para evitar contato direto com as manchas.

Apesar disso, muitos trabalham sem a segurança necessária. "Estão distribuindo equipamento de proteção com luvas e máscaras, mas ainda é insuficiente. Tem gente que não está com equipamento e se melou toda de óleo", conta a estudante de Educação Física Louise Foster, que faz limpeza voluntária na Praia de Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho, nesta segunda.

O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti, afirma que o tamanho do desastre dificulta a distribuição de kits de proteção a todos. "Ontem à noite (no domingo), a gente conseguiu material de doação de empresas e a Defesa Civil fez distribuição." Com a expectativa de que o óleo chegue aos cartões-postais do Recife esta semana, a prefeitura afirma, em nota, que mobilizou 200 profissionais de limpeza para ação preventiva nas praias.

Segundo Zenis Novais, do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA), "há pessoas mais sensíveis e (o óleo cru) pode provocar um pouco de irritação". Esse produto, diz ela, pode ter componentes que agridem a pele da pessoa. Ainda que não seja recomendado contato com a substância, a professora indica "passar acetona" para tirar o poluente da pele.



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Voluntários retiram grandes resíduos, mas poluição persistirá por anos

Especialistas afirmam que o óleo pode desencadear doenças respiratórias e da pele


22/10/2019 | 07:32


Enquanto as manchas de óleo avançam pelas praias do Nordeste, grupos de voluntários se organizam para ajudar na remoção do poluente, que fica impregnado na areia e nos corais. Nos mutirões, os grupos conseguem recolher grandes porções do material, mas têm dificuldades para retirar fragmentos menores, que podem ficar vários anos depositados no ecossistema marinho.

Para a bióloga Yana Lopes, foi "uma das experiências mais tristes da vida" ir até a Praia de Muro Alto, em Ipojuca, um dos cartões-postais do Estado, para ajudar na força-tarefa. "Havia diversos fragmentos de óleo na praia e na areia. Nos corais, não dava para tirar porque estava impregnado", conta. No Estado, o poluente também chegou nesta segunda-feira, 21 ao Cabo de Santo Agostinho, na Grande Recife, e em outros destinos turísticos bastante procurados, como Carneiros.

Os grupos de voluntários trabalham em turnos, geralmente com início pela manhã. A maior parte sai do Recife até o litoral sul pernambucano. A comunicação é feita, principalmente, pela internet, em grupos de mensagens instantâneas.

"Durante a experiência, você sente dois sentimentos opostos. Fica triste por ver aquilo acontecendo com as praias que frequenta. Mas também é bom ver que as pessoas estão se engajando por um bem comum, que é limpar e tentar deixar o mínimo de estrago possível", diz o estudante Yan Lopes, outro voluntário.

Muitas vezes, no entanto, eles se sentem frustrados pela dificuldade de fazer a limpeza.

"Não se consegue tirar os micropedaços, apesar de a gente tentar de todas as maneiras. Parece que quanto mais a gente cava a terra, mais aparecem micropedaços, sem falar que a maré sempre está trazendo óleo", resume a bióloga.

Riscos

Os grupos têm recebido orientação da organização Xô Plástico de se protegem totalmente com luvas e botas e evitar ao máximo entrar em contato com o óleo. Além da Xô Plástico, organizações como PE Lixo, Recife sem Lixo e Salve Maracaípe recrutam voluntários. A recomendação dos órgãos públicos é para voluntários utilizarem luva e bota de borracha, além de máscara e calça comprida, para evitar contato direto com as manchas.

Apesar disso, muitos trabalham sem a segurança necessária. "Estão distribuindo equipamento de proteção com luvas e máscaras, mas ainda é insuficiente. Tem gente que não está com equipamento e se melou toda de óleo", conta a estudante de Educação Física Louise Foster, que faz limpeza voluntária na Praia de Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho, nesta segunda.

O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti, afirma que o tamanho do desastre dificulta a distribuição de kits de proteção a todos. "Ontem à noite (no domingo), a gente conseguiu material de doação de empresas e a Defesa Civil fez distribuição." Com a expectativa de que o óleo chegue aos cartões-postais do Recife esta semana, a prefeitura afirma, em nota, que mobilizou 200 profissionais de limpeza para ação preventiva nas praias.

Segundo Zenis Novais, do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA), "há pessoas mais sensíveis e (o óleo cru) pode provocar um pouco de irritação". Esse produto, diz ela, pode ter componentes que agridem a pele da pessoa. Ainda que não seja recomendado contato com a substância, a professora indica "passar acetona" para tirar o poluente da pele.

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