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Real tem pior desempenho mundial pelo segundo dia seguido e dólar vai a R$ 4,16



15/10/2019 | 18:08


O real teve novo dia de piora forte ante o dólar nesta terça-feira e foi, novamente, a moeda com a maior queda no mercado internacional, considerando uma cesta de 34 divisas, emergentes e fortes. A valorização da divisa dos Estados Unidos ante emergentes, a perspectiva de mais quedas de juros no Brasil e questões políticas em Brasília foram apontados pelos especialistas como os fatores primordiais para o dólar mais caro no Brasil. Há dois meses que a moeda americana fecha acima de R$ 4,00. Hoje, no mercado à vista, a divisa terminou o dia com valorização de 0,87%, a R$ 4,1641, a maior cotação desde o dia 24 de setembro.

O dólar operou em alta o dia todo, com operadores relatando fluxo de saída. A moeda americana destoou pelo segundo dia de outros ativos domésticos. O Ibovespa subiu e o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil foi negociado em queda, a 129 pontos nesta tarde, ante 133 do fechamento de segunda, de acordo com cotações da IHS Markit.

Para o gestor da Paineiras Investimentos, David Vaisberg Cohen, o real não vem acompanhando a melhora em outros ativos por dois fatores: o dólar tem se valorizado no exterior e pela mudança estrutural nos juros no Brasil, que estão em mínimas históricas e podem cair ainda mais. Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch feita com investidores mostra que 37% deles já veem a Selic em 4,5% ou abaixo no final de 2019.

Com os juros baixos, além de o Brasil ficar menos atrativo para estrangeiros, Cohen ressalta que empresas trocaram emissões externas por captações domésticas, o que reduziu a entrada de dólares no país, e aumentou a procura de investidores por operações de hedge no País, por conta dos custos mais baixos. Há ainda um outro desdobramento, que é o investidor brasileiro comprando mais dólares para fazer investimentos lá fora, em busca de retornos mais altos. "O dólar está mais caro no Brasil, mas por um bom motivo, que é o juro baixo", ressalta ele.

A pesquisa do Bank of America mostra que aumentou de 22% no levantamento feito em setembro para 40% neste mês os investidores que acreditam no dólar acima de R$ 4,00 no final de dezembro. Ao mesmo tempo, não há profissionais prevendo a moeda americana acima de R$ 4,20 em dezembro nem abaixo de R$ 3,60. Outros 50% projetam a moeda entre R$ 3,81 e R$ 4 em dezembro. Desde 16 de agosto que a moeda americana não fecha abaixo de R$ 4,00.

Mais cedo, não repercutiu bem no mercado de câmbio o episódio envolvendo o presidente do PSL, deputado federal Luciano Bivar (PE), que foi alvo hoje de operação da Polícia Federal. O temor é que isso atrapalhe a votação da reforma da Previdência em segundo turno no Senado. A executiva nacional do PSL diz que excessos contra o partido serão apurados. Os agentes ainda aguardavam no final da tarde a votação pelos senadores da partilha dos recursos da cessão onerosa no plenário.



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Real tem pior desempenho mundial pelo segundo dia seguido e dólar vai a R$ 4,16


15/10/2019 | 18:08


O real teve novo dia de piora forte ante o dólar nesta terça-feira e foi, novamente, a moeda com a maior queda no mercado internacional, considerando uma cesta de 34 divisas, emergentes e fortes. A valorização da divisa dos Estados Unidos ante emergentes, a perspectiva de mais quedas de juros no Brasil e questões políticas em Brasília foram apontados pelos especialistas como os fatores primordiais para o dólar mais caro no Brasil. Há dois meses que a moeda americana fecha acima de R$ 4,00. Hoje, no mercado à vista, a divisa terminou o dia com valorização de 0,87%, a R$ 4,1641, a maior cotação desde o dia 24 de setembro.

O dólar operou em alta o dia todo, com operadores relatando fluxo de saída. A moeda americana destoou pelo segundo dia de outros ativos domésticos. O Ibovespa subiu e o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil foi negociado em queda, a 129 pontos nesta tarde, ante 133 do fechamento de segunda, de acordo com cotações da IHS Markit.

Para o gestor da Paineiras Investimentos, David Vaisberg Cohen, o real não vem acompanhando a melhora em outros ativos por dois fatores: o dólar tem se valorizado no exterior e pela mudança estrutural nos juros no Brasil, que estão em mínimas históricas e podem cair ainda mais. Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch feita com investidores mostra que 37% deles já veem a Selic em 4,5% ou abaixo no final de 2019.

Com os juros baixos, além de o Brasil ficar menos atrativo para estrangeiros, Cohen ressalta que empresas trocaram emissões externas por captações domésticas, o que reduziu a entrada de dólares no país, e aumentou a procura de investidores por operações de hedge no País, por conta dos custos mais baixos. Há ainda um outro desdobramento, que é o investidor brasileiro comprando mais dólares para fazer investimentos lá fora, em busca de retornos mais altos. "O dólar está mais caro no Brasil, mas por um bom motivo, que é o juro baixo", ressalta ele.

A pesquisa do Bank of America mostra que aumentou de 22% no levantamento feito em setembro para 40% neste mês os investidores que acreditam no dólar acima de R$ 4,00 no final de dezembro. Ao mesmo tempo, não há profissionais prevendo a moeda americana acima de R$ 4,20 em dezembro nem abaixo de R$ 3,60. Outros 50% projetam a moeda entre R$ 3,81 e R$ 4 em dezembro. Desde 16 de agosto que a moeda americana não fecha abaixo de R$ 4,00.

Mais cedo, não repercutiu bem no mercado de câmbio o episódio envolvendo o presidente do PSL, deputado federal Luciano Bivar (PE), que foi alvo hoje de operação da Polícia Federal. O temor é que isso atrapalhe a votação da reforma da Previdência em segundo turno no Senado. A executiva nacional do PSL diz que excessos contra o partido serão apurados. Os agentes ainda aguardavam no final da tarde a votação pelos senadores da partilha dos recursos da cessão onerosa no plenário.

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