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Dois mil e trinta é depois de amanhã


Rodolfo de Souza

10/10/2019 | 07:00


Seguia eu em busca de alguma inspiração que resultasse num tecido de ideias e pensamentos mais profundos sobre qualquer coisa, quando me chegou às mãos as instruções para um concurso de redação. Veio com elas, diga-se de passagem, o tema sobre o qual deveriam discorrer os alunos. Gostei. Gostei tanto que resolvi brincar com a galera, que seguia as orientações de seu professor, no caso eu. O tema em questão aguçou a mente de cada um com a indagação a respeito do que encontrar por estas bandas no ano de 2030. O que deseja encontrar em 2030 aquela gente que mal deixou os cueiros, era a pergunta, propriamente dita.

Eu, sempre propenso a rabiscar qualquer coisa, logo vi ali a oportunidade para me debruçar sobre o assunto e dividir com o leitor um papo cabeça a respeito. Por que não?

É evidente que tal questionamento só nos remete a pensamentos bons. O mesmo anseio que passa pela mente ansiosa de indivíduo qualquer, daqui ou de outras paragens, quando desafiado a pensar nisso. Entretanto, o que se espera encontrar ao chegar lá depende muito do sentimento predominante no coração de cada um que mergulhe fundo no tema. Se otimista, só prosperidade, fartura, paz e sossego. Se pessimista, aniquilação. Mundo aniquilado? Não. Povo aniquilado. Porque o planeta, que um dia foi redondo, continuará a girar e a renovar-se. Disso a ciência se dá conta. E, uma vez livre das nefastas ações humanas, talvez consiga até reflorestar a Amazônia, a Mata Atlântica e outras áreas perdidas mundo afora.

Imaginemos que sem a presença do homem, rios como o Tamanduateí, o Tietê e o Pinheiros deixarão de receber dejetos. Assim, a água limpinha das nascentes fluirá repleta de felicidade por ter conquistado novamente o direito de seguir pura por todo o seu percurso. É possível até que voltem os peixes. Quem duvida?

Pense que, com o passar dos séculos, a Terra poderá ter de volta o equilíbrio da sua temperatura média, que as grandes montanhas poderão de novo ostentar aquela vestimenta branca lá nas alturas, que o continente Antártico talvez pare de derreter... Que não haverá mais buraco na camada de ozônio... Que os bichos possam até retornar! Isso mesmo! Regozijemo-nos por saber, inclusive, que as criaturas que voltarão a habitar o mar, não mais se fartarão com o plástico espalhado pelos oceanos, e que...

Enfim, o planeta, agora plano, finalmente respirará aliviado se as piores previsões se consumarem. E então, livre do encosto humano com sua mão daninha, tudo recomeçará.

O quê? Não achou graça? Ah...! Porque a molecada que escreve agora talvez não mereça desaparecimento tão prematuro, não é? Nenhum jovem casal que espera um bebê também não haveria de compartilhar tal anseio... Justo.

Pois bem, pensemos numa situação em que líderes de nações ricas que detêm o poder sobre os mortais comuns como eu e você, se convençam repentina e milagrosamente de que o barco vai afundar carregando consigo pobres e ricos, pretos e brancos, cristãos e muçulmanos. É possível então que eles, principais poluidores deste mundo, possam até 2030, que está logo ali, se redimirem de seus pecados e parar de oferecer resistência quando o assunto diz respeito à contenção de poluentes na atmosfera.

Como? Não entendi bem. Você não acredita em milagres?! Sendo assim, amigo, não vejo outra alternativa, senão voltarmos ao início do texto.



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Dois mil e trinta é depois de amanhã

Rodolfo de Souza

10/10/2019 | 07:00


Seguia eu em busca de alguma inspiração que resultasse num tecido de ideias e pensamentos mais profundos sobre qualquer coisa, quando me chegou às mãos as instruções para um concurso de redação. Veio com elas, diga-se de passagem, o tema sobre o qual deveriam discorrer os alunos. Gostei. Gostei tanto que resolvi brincar com a galera, que seguia as orientações de seu professor, no caso eu. O tema em questão aguçou a mente de cada um com a indagação a respeito do que encontrar por estas bandas no ano de 2030. O que deseja encontrar em 2030 aquela gente que mal deixou os cueiros, era a pergunta, propriamente dita.

Eu, sempre propenso a rabiscar qualquer coisa, logo vi ali a oportunidade para me debruçar sobre o assunto e dividir com o leitor um papo cabeça a respeito. Por que não?

É evidente que tal questionamento só nos remete a pensamentos bons. O mesmo anseio que passa pela mente ansiosa de indivíduo qualquer, daqui ou de outras paragens, quando desafiado a pensar nisso. Entretanto, o que se espera encontrar ao chegar lá depende muito do sentimento predominante no coração de cada um que mergulhe fundo no tema. Se otimista, só prosperidade, fartura, paz e sossego. Se pessimista, aniquilação. Mundo aniquilado? Não. Povo aniquilado. Porque o planeta, que um dia foi redondo, continuará a girar e a renovar-se. Disso a ciência se dá conta. E, uma vez livre das nefastas ações humanas, talvez consiga até reflorestar a Amazônia, a Mata Atlântica e outras áreas perdidas mundo afora.

Imaginemos que sem a presença do homem, rios como o Tamanduateí, o Tietê e o Pinheiros deixarão de receber dejetos. Assim, a água limpinha das nascentes fluirá repleta de felicidade por ter conquistado novamente o direito de seguir pura por todo o seu percurso. É possível até que voltem os peixes. Quem duvida?

Pense que, com o passar dos séculos, a Terra poderá ter de volta o equilíbrio da sua temperatura média, que as grandes montanhas poderão de novo ostentar aquela vestimenta branca lá nas alturas, que o continente Antártico talvez pare de derreter... Que não haverá mais buraco na camada de ozônio... Que os bichos possam até retornar! Isso mesmo! Regozijemo-nos por saber, inclusive, que as criaturas que voltarão a habitar o mar, não mais se fartarão com o plástico espalhado pelos oceanos, e que...

Enfim, o planeta, agora plano, finalmente respirará aliviado se as piores previsões se consumarem. E então, livre do encosto humano com sua mão daninha, tudo recomeçará.

O quê? Não achou graça? Ah...! Porque a molecada que escreve agora talvez não mereça desaparecimento tão prematuro, não é? Nenhum jovem casal que espera um bebê também não haveria de compartilhar tal anseio... Justo.

Pois bem, pensemos numa situação em que líderes de nações ricas que detêm o poder sobre os mortais comuns como eu e você, se convençam repentina e milagrosamente de que o barco vai afundar carregando consigo pobres e ricos, pretos e brancos, cristãos e muçulmanos. É possível então que eles, principais poluidores deste mundo, possam até 2030, que está logo ali, se redimirem de seus pecados e parar de oferecer resistência quando o assunto diz respeito à contenção de poluentes na atmosfera.

Como? Não entendi bem. Você não acredita em milagres?! Sendo assim, amigo, não vejo outra alternativa, senão voltarmos ao início do texto.

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