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Terceiro turno da GM fica para 2020

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Montadora cogita lay-off para 350 funcionários; produção de novo modelo também pode atrasar


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

09/10/2019 | 07:29


Após a expectativa de retomada do terceiro turno neste ano, a planta da GM (General Motors) de São Caetano começa a sentir os efeitos da crise argentina, o que vai postergar o início das contratações para 2020 e pode adiar também o início da produção de novo modelo, previsto para dezembro. Conforme assembleia realizada ontem na porta da fábrica, o sindicato dos metalúrgicos da cidade revelou que a montadora sinalizou a possibilidade de colocar de 300 a 350 funcionários do chão de fábrica – quase 12% dos 3.000 da produção –, que estariam excedentes, em lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) por até quatro meses.

O presidente do sindicato, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, afirmou que ainda negocia com a empresa alternativas para driblar a queda na fabricação, que era de 54 veículos por hora e, no último mês, caiu para 42, ou seja, redução de 22,2%. Do volume total de unidades exportadas, cerca de 40% são enviadas à Argentina.

“A proposta inicial (da empresa) seria a antecipação das férias coletivas de dezembro (previstas para o dia 13), e uma das outras alternativas seria um lay-off no período de três a quatro meses. Levamos isso a conhecimento da assembleia e o sindicato descarta, neste primeiro momento, o lay-off”, assinalou.

Apesar de a possibilidade de adoção do mecanismo estar contemplada no acordo coletivo de 2017, ele disse acreditar que o lay-off pode ser evitado. “Por conta de algumas brechas, achamos que ele poderá ser impedido, em virtude de a empresa querer colocar determinado setor em lay-off que não seja exatamente o que tem excedente, e ele contempla a cadeia produtiva. Então, podem ser penalizadas pessoas que não têm nada a ver com a questão em si.”

Em março deste ano, após ameaçar sair do País, a GM anunciou investimento de R$ 10 bilhões nas fábricas de São Caetano e São José dos Campos, no Interior. O montante será aplicado entre 2020 e 2024. Somado à perspectiva da fabricação de novo modelo na unidade – um SUV, de acordo com fontes do mercado – a direção da montadora levantou a possibilidade de retomar o terceiro turno no segundo semestre. “Já estava cogitado, mas tenho certeza que no próximo ano se concretizará”, avaliou Cidão.

Quanto ao início da produção do novo modelo, esperada para dezembro, o sindicalista disse não saber, diante do novo cenário, quando irá acontecer. No entanto, uma vez que o terceiro turno viria também para reforçar a produção do SUV, há chances de que, assim como as contratações, ele fique para 2020.

Outra questão que deve ser alvo de negociação entre trabalhadores e empresa é a PLR (Participação de Lucros e Resultados), que estava ligada à produtividade. A perspectiva era a de que os trabalhadores conseguissem fabricar 130 mil unidades neste ano, no entanto, Cidão afirmou ser difícil atingir a meta. “Dificilmente vamos receber algo a mais do que já recebemos na primeira parcela (R$ 7.439). Fomos pegos de calças curtas com essa queda significativa da produção para a exportação. Por isso, vamos rediscutir essas metas”, assegurou Cidão.

Questionada pelo Diário, a GM afirmou que não ia se pronunciar sobre o assunto.

ARGENTINA

A severa crise argentina tem jogado ‘um balde de água fria’ em toda a indústria automotiva. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) revisou a previsão de crescimento para a produção do setor em 2019 de 9% para 2,1%. Na região, a Volkswagen já anunciou férias coletivas em dezembro e lay-off em janeiro por causa do problema.

Os hermanos sofrem com a desvalorização da moeda local e o governo tentou respiro junto a negociações com o FMI (Fundo Monetário Internacional). O nível de pobreza no país chegou a 35,4% no primeiro semestre deste ano, o maior desde o colapso da economia em 2001. São cerca de 10 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.

Além disso, a Argentina terá eleição presidencial no dia 27 deste mês, e o cenário indica vitória do peronista Alberto Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner. O atual presidente Maurício Macri enfrenta críticas e queda na popularidade principalmente por conta da política econômica.

O setor automotivo tem no resultado da eleição esperança de mudança do cenário e a retomada das compras de veículos brasileiros. 



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Terceiro turno da GM fica para 2020

Montadora cogita lay-off para 350 funcionários; produção de novo modelo também pode atrasar

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

09/10/2019 | 07:29


Após a expectativa de retomada do terceiro turno neste ano, a planta da GM (General Motors) de São Caetano começa a sentir os efeitos da crise argentina, o que vai postergar o início das contratações para 2020 e pode adiar também o início da produção de novo modelo, previsto para dezembro. Conforme assembleia realizada ontem na porta da fábrica, o sindicato dos metalúrgicos da cidade revelou que a montadora sinalizou a possibilidade de colocar de 300 a 350 funcionários do chão de fábrica – quase 12% dos 3.000 da produção –, que estariam excedentes, em lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho) por até quatro meses.

O presidente do sindicato, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, afirmou que ainda negocia com a empresa alternativas para driblar a queda na fabricação, que era de 54 veículos por hora e, no último mês, caiu para 42, ou seja, redução de 22,2%. Do volume total de unidades exportadas, cerca de 40% são enviadas à Argentina.

“A proposta inicial (da empresa) seria a antecipação das férias coletivas de dezembro (previstas para o dia 13), e uma das outras alternativas seria um lay-off no período de três a quatro meses. Levamos isso a conhecimento da assembleia e o sindicato descarta, neste primeiro momento, o lay-off”, assinalou.

Apesar de a possibilidade de adoção do mecanismo estar contemplada no acordo coletivo de 2017, ele disse acreditar que o lay-off pode ser evitado. “Por conta de algumas brechas, achamos que ele poderá ser impedido, em virtude de a empresa querer colocar determinado setor em lay-off que não seja exatamente o que tem excedente, e ele contempla a cadeia produtiva. Então, podem ser penalizadas pessoas que não têm nada a ver com a questão em si.”

Em março deste ano, após ameaçar sair do País, a GM anunciou investimento de R$ 10 bilhões nas fábricas de São Caetano e São José dos Campos, no Interior. O montante será aplicado entre 2020 e 2024. Somado à perspectiva da fabricação de novo modelo na unidade – um SUV, de acordo com fontes do mercado – a direção da montadora levantou a possibilidade de retomar o terceiro turno no segundo semestre. “Já estava cogitado, mas tenho certeza que no próximo ano se concretizará”, avaliou Cidão.

Quanto ao início da produção do novo modelo, esperada para dezembro, o sindicalista disse não saber, diante do novo cenário, quando irá acontecer. No entanto, uma vez que o terceiro turno viria também para reforçar a produção do SUV, há chances de que, assim como as contratações, ele fique para 2020.

Outra questão que deve ser alvo de negociação entre trabalhadores e empresa é a PLR (Participação de Lucros e Resultados), que estava ligada à produtividade. A perspectiva era a de que os trabalhadores conseguissem fabricar 130 mil unidades neste ano, no entanto, Cidão afirmou ser difícil atingir a meta. “Dificilmente vamos receber algo a mais do que já recebemos na primeira parcela (R$ 7.439). Fomos pegos de calças curtas com essa queda significativa da produção para a exportação. Por isso, vamos rediscutir essas metas”, assegurou Cidão.

Questionada pelo Diário, a GM afirmou que não ia se pronunciar sobre o assunto.

ARGENTINA

A severa crise argentina tem jogado ‘um balde de água fria’ em toda a indústria automotiva. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) revisou a previsão de crescimento para a produção do setor em 2019 de 9% para 2,1%. Na região, a Volkswagen já anunciou férias coletivas em dezembro e lay-off em janeiro por causa do problema.

Os hermanos sofrem com a desvalorização da moeda local e o governo tentou respiro junto a negociações com o FMI (Fundo Monetário Internacional). O nível de pobreza no país chegou a 35,4% no primeiro semestre deste ano, o maior desde o colapso da economia em 2001. São cerca de 10 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.

Além disso, a Argentina terá eleição presidencial no dia 27 deste mês, e o cenário indica vitória do peronista Alberto Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner. O atual presidente Maurício Macri enfrenta críticas e queda na popularidade principalmente por conta da política econômica.

O setor automotivo tem no resultado da eleição esperança de mudança do cenário e a retomada das compras de veículos brasileiros. 

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