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Crise na Argentina freia produção de veículos

Marcelo Camargo/Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Anfavea revisou projeção de 9% para 2,1% neste ano; 85% da redução se deve ao país vizinho


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

08/10/2019 | 07:28


A crise na Argentina, principal parceiro comercial brasileiro, fez com que as montadoras revisassem o volume de produção de veículos neste ano. Conforme a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou ontem, a previsão de crescimento para 2019, que era de 9%, totalizando 3,14 milhões de unidades, recuou para 2,1%, aos 2,94 milhões.

A retração na expectativa foi motivada pela acentuada queda nas exportações, que de janeiro a setembro acumula -35,6%, com 337,5 mil exemplares. A Anfavea, inclusive, revisou a perspectiva de queda de vendas ao Exterior, que era de -6,2%, com 590 mil, para -33,2%, aos 420 mil. No comércio doméstico, a projeção passou de 11,45% para 9,1%, para 2,8 milhões de veículos.

“As estimativas feitas no início do ano levavam em conta um crescimento maior do PIB (Produto Interno Bruto), câmbio mais estável e maior agilidade na aprovação das reformas da Previdência e tributária. Além disso, o cenário na Argentina ficou pior do que o imaginado. Na revisão feita agora, 85% da redução da expectativa de produção se deveu à queda de embarques aos nossos vizinhos argentinos”, afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes. Segundo ele, deixaram de ser vendidas 170 mil unidades que as montadoras esperavam enviar ao país vizinho.

O consultor da ADK Automotive, Paulo Roberto Garbossa, lembrou que os veículos produzidos para os hermanos não se encaixam no mercado brasileiro, uma vez que lá eles são movidos a gasolina e, aqui, predominam os flexfuel (bicombustíveis). E citou que o cenário não deverá mudar antes da eleição presidencial, aguardada para o fim do mês. “A Argentina está em compasso de espera. Até lá, eles não estão comprando quase nada nosso”, assinalou. Ele apontou que, com o avanço da crise, o mercado argentino, que era de 800 mil a 1 milhão de veículos, tem previsão de 400 mil para este ano, ou seja, menos da metade (redução de até 60%).

Desde janeiro, 53% dos automóveis e comerciais leves exportados foram para a Argentina – há um ano, esse percentual era de 75%.

“Neste ano, está tudo muito nebuloso. Dependendo do resultado da eleição argentina, as montadoras terão de rever suas estratégias. Já temos acordo bilateral com o México e as vendas estão crescendo para o país. Mas será preciso ampliar as relações com Colômbia, Peru, Chile e, inclusive, com a União Europeia”, avaliou Garbossa.

Outro impacto dessa brusca queda nas vendas aos hermanos é o crescimento dos estoques, hoje em 45 dias – em agosto, eram 44 dias –, o que significa 348,6 mil veículos prontos. Como resultado, montadoras do Grande ABC estão adotando mecanismos para deixar trabalhadores em casa enquanto a demanda não voltar a crescer. Na Volkswagen, em São Bernardo, partir do dia 2 de dezembro, cerca de 2.500 profissionais do segundo e terceiro turnos terão férias coletivas de um mês, retornando ao trabalho em 4 de janeiro. Na volta, até 1.400 profissionais podem entrar em lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho), sendo os mesmos do terceiro turno e aqueles que tiverem doenças profissionais. Na GM, em São Caetano, hoje serão apresentadas aos operários opções para reduzir a ociosidade, de 350 a 400 profissionais, o que pode incluir férias coletivas e lay-off.

Segundo os dados da Anfavea, em setembro foram produzidas 247,3 mil unidades, alta de 10,9% ante o mesmo mês em 2018, e, no acumulado do ano, somam-se 2,258 milhões de exemplares, aumento de 2,9%. Mesmo assim, o volume de trabalhadores nas montadoras, de 127,9 mil, é 3,4% menor do que há um ano, quando 132,4 mil atuavam nas fabricantes.
 



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Crise na Argentina freia produção de veículos

Anfavea revisou projeção de 9% para 2,1% neste ano; 85% da redução se deve ao país vizinho

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

08/10/2019 | 07:28


A crise na Argentina, principal parceiro comercial brasileiro, fez com que as montadoras revisassem o volume de produção de veículos neste ano. Conforme a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou ontem, a previsão de crescimento para 2019, que era de 9%, totalizando 3,14 milhões de unidades, recuou para 2,1%, aos 2,94 milhões.

A retração na expectativa foi motivada pela acentuada queda nas exportações, que de janeiro a setembro acumula -35,6%, com 337,5 mil exemplares. A Anfavea, inclusive, revisou a perspectiva de queda de vendas ao Exterior, que era de -6,2%, com 590 mil, para -33,2%, aos 420 mil. No comércio doméstico, a projeção passou de 11,45% para 9,1%, para 2,8 milhões de veículos.

“As estimativas feitas no início do ano levavam em conta um crescimento maior do PIB (Produto Interno Bruto), câmbio mais estável e maior agilidade na aprovação das reformas da Previdência e tributária. Além disso, o cenário na Argentina ficou pior do que o imaginado. Na revisão feita agora, 85% da redução da expectativa de produção se deveu à queda de embarques aos nossos vizinhos argentinos”, afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes. Segundo ele, deixaram de ser vendidas 170 mil unidades que as montadoras esperavam enviar ao país vizinho.

O consultor da ADK Automotive, Paulo Roberto Garbossa, lembrou que os veículos produzidos para os hermanos não se encaixam no mercado brasileiro, uma vez que lá eles são movidos a gasolina e, aqui, predominam os flexfuel (bicombustíveis). E citou que o cenário não deverá mudar antes da eleição presidencial, aguardada para o fim do mês. “A Argentina está em compasso de espera. Até lá, eles não estão comprando quase nada nosso”, assinalou. Ele apontou que, com o avanço da crise, o mercado argentino, que era de 800 mil a 1 milhão de veículos, tem previsão de 400 mil para este ano, ou seja, menos da metade (redução de até 60%).

Desde janeiro, 53% dos automóveis e comerciais leves exportados foram para a Argentina – há um ano, esse percentual era de 75%.

“Neste ano, está tudo muito nebuloso. Dependendo do resultado da eleição argentina, as montadoras terão de rever suas estratégias. Já temos acordo bilateral com o México e as vendas estão crescendo para o país. Mas será preciso ampliar as relações com Colômbia, Peru, Chile e, inclusive, com a União Europeia”, avaliou Garbossa.

Outro impacto dessa brusca queda nas vendas aos hermanos é o crescimento dos estoques, hoje em 45 dias – em agosto, eram 44 dias –, o que significa 348,6 mil veículos prontos. Como resultado, montadoras do Grande ABC estão adotando mecanismos para deixar trabalhadores em casa enquanto a demanda não voltar a crescer. Na Volkswagen, em São Bernardo, partir do dia 2 de dezembro, cerca de 2.500 profissionais do segundo e terceiro turnos terão férias coletivas de um mês, retornando ao trabalho em 4 de janeiro. Na volta, até 1.400 profissionais podem entrar em lay-off (suspensão temporária do contrato de trabalho), sendo os mesmos do terceiro turno e aqueles que tiverem doenças profissionais. Na GM, em São Caetano, hoje serão apresentadas aos operários opções para reduzir a ociosidade, de 350 a 400 profissionais, o que pode incluir férias coletivas e lay-off.

Segundo os dados da Anfavea, em setembro foram produzidas 247,3 mil unidades, alta de 10,9% ante o mesmo mês em 2018, e, no acumulado do ano, somam-se 2,258 milhões de exemplares, aumento de 2,9%. Mesmo assim, o volume de trabalhadores nas montadoras, de 127,9 mil, é 3,4% menor do que há um ano, quando 132,4 mil atuavam nas fabricantes.
 

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