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Empresário procurado por assassinar morador de rua em Sto. André é preso na Argentina

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Marcelo Pereira Aguiar estava foragido desde maio; criminoso deve ser extraditado ao Brasil


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

27/09/2019 | 12:29


(atualizada às 17h17)

A polícia Argentina prendeu ontem o empresário Marcelo Pereira Aguiar, 36 anos, responsável pela morte do morador de rua Sebastião Lopes dos Santos, 40, em 11 de maio, na Vila Assunção, em Santo André. O suspeito – que estava foragido desde maio – foi encontrado na cidade de Paso de los Libres, na fronteira com o Brasil.

O Diário apurou que Aguiar deve ser extraditado. A tramitação, entretanto, fica à cargo da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) com a PF (Polícia Federal). O prazo ainda não foi divulgado.

Na época, o empresário teve a prisão temporária decretada pela Polícia Civil, cerca de dez dias depois de ser reconhecido como o autor dos disparos. A equipe de investigação chegou a identidade de Aguiar por meio de câmeras de segurança que filmaram o momento exato do crime. Como não foi encontrado, o criminoso ficou registrado como procurado da Justiça, o que fez com que fosse reconhecido no País vizinho.

Na época, a polícia conseguiu mandato para buscas na residência do empresário, também na Vila Assunção, onde foram apreendidas duas armas de fogo, sendo uma espingarda calibre 12 e uma carabina .16, imitação de uma modelo AR-15, além de munição. A arma do crime não foi localizada. Conforme a polícia, embora o empresário seja colecionador de armas, não possui autorização para andar armado.

O empresário, porém, já tinha sido detido em março, em São Bernardo, por falsidade ideológica e porte ilegal de arma. Na ocasião, ele se apresentou como policial em um bar portando uma pistola 380.

Aguiar é dono de uma pizzaria próximo ao local do assassinato e tem outras duas empresas em seu nome, uma em São Bernardo e outra em Santa Catarina, ambas de assessoria em software. Segundo testemunhas ouvidas pela polícia, o motivo do desentendimento entre o empresário e o morador de rua se deu porque Aguiar não gostava da presença de Santos perto de seu restaurante, e se sentia incomodado do homem pedir dinheiro aos seus clientes.

O CRIME
Na noite do dia 11 de maio, Sebastião Lopes dos Santos foi morto a tiros na Rua Visconde de Mauá, altura do 554, na Vila Assunção, em Santo André. O morador de rua foi atingido no abdômen e braço direito.

Na época, em depoimento à polícia, testemunhas afirmaram que Santos caminhava pela rua quando um homem desceu de um carro Mercedes-Benz, prata, e foi na direção da vítima disparando seis tiros. Os vizinhos disseram ainda que Santos tentou correr, mas caiu poucos metros depois. Os relatos foram confirmados posteriormente por câmeras de segurança das casas.

Os vizinhos afirmam ainda que Santos era alcoólico e, ocasionalmente, dormia em casa vazia na mesma rua, próximo ao local do crime, além de que costumava pedir cobertores e alimentos em casas da redondeza.

O caso foi registrado no 1º DP (Centro) de Santo André, mas a investigação ficou a cargo da delegacia de Homicídios.

Família não foi avisada sobre captura do criminoso

A família do morador de rua Sebastião Lopes dos Santos, 40 anos, assassinado a tiros no dia 11 de maio, não foi avisada que o responsável pelos disparos foi preso na Argentina. O Diário procurou sua companheira, Dalva de Araújo Costa, 53, e o enteado, José Maiki de Araújo Costa, 26, que se disseram “surpresos” com a informação.

“Queremos que a Justiça seja feita. O coração pelo menos vai ficar mais sossegado sabendo que o cara que matou meu padastro vai pagar pelo que fez”, afirmou o enteado.

Já sua companheira relatou diversos problemas de saúde que apareceram após a morte de Santos, o que ela atrela a não superação da perda. “Sinto muita falta dele. Espero que esse homem que o matou pague pelo que fez e a memória do Sebastião ficará guardada em paz”, afirmou Dalva.

O Diário não conseguiu contato com advogado criminalista responsável pelo caso, Ademar Gomes.


Outros três casos com morte foram registrados na cidade

No dia 4 de abril deste ano, policiais civis do 2º DP (Parque das Nações) de Santo André prenderam o morador de rua José Severino Vieira, 59 anos, responsável por matar um colega na noite anterior, também em situação de rua, conhecido como Diego. Em depoimento à polícia, o acusado assumiu ter cometido o crime após uma discussão. Ele usou um porrete com pregos para atingir a vítima, que dormia em área do Tersa (Terminal rodoviário de Santo André), no bairro Jardim, e depois ateou fogo.

Em janeiro do ano passado, dois mendigos tiveram os corpos queimados após disputa por espaço para dormir na cidade. Três dias depois, Adaildo de Jesus, 43, morreu no Hospital Geral de São Mateus, na Zona Leste da Capital. A mulher de dele, Ducineia da Costa, 47, também foi queimada e permaneceu internada por mais de um mês, até se recuperar. Eles foram alvo do colega de rua Damião Batista de Oliveira, 48, que, após discussão, se dirigiu a um posto de combustível e comprou álcool e isqueiro. Ao retornar ao local, ateou fogo no casal, que estava dormindo e não teve tempo de se defender. O caso ocorreu na Avenida Dom Pedro I, em local próximo ao Terminal da Vila Luzita.

Já em agosto de 2017, Fabio Netto das Neves, 48, e o inglês Michael Steer Renshaw, 50, foram assassinados pelo colega de rua Manoel Almeida da Silva, 46, no bairro Casa Branca, com golpes de barra de ferro. O autor do crime foi preso três dias depois após confessar que reagiu contra a dupla por “vingança”.

PELO FRIO
No dia 4 de agosto deste ano o agente de segurança Mario Cezar de Campos, 66 anos, natural de São Caetano, foi encontrado sem vida na Rua Carijós, em Santo André, por volta das 15h. Segundo os responsáveis pelo atendimento à ocorrência, o homem, que era morador de rua, sofreu infarto por conta das baixas temperaturas. O boletim foi registrado no 6º DP (Vila Mazzei) como morte suspeita.
 



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Empresário procurado por assassinar morador de rua em Sto. André é preso na Argentina

Marcelo Pereira Aguiar estava foragido desde maio; criminoso deve ser extraditado ao Brasil

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

27/09/2019 | 12:29


(atualizada às 17h17)

A polícia Argentina prendeu ontem o empresário Marcelo Pereira Aguiar, 36 anos, responsável pela morte do morador de rua Sebastião Lopes dos Santos, 40, em 11 de maio, na Vila Assunção, em Santo André. O suspeito – que estava foragido desde maio – foi encontrado na cidade de Paso de los Libres, na fronteira com o Brasil.

O Diário apurou que Aguiar deve ser extraditado. A tramitação, entretanto, fica à cargo da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) com a PF (Polícia Federal). O prazo ainda não foi divulgado.

Na época, o empresário teve a prisão temporária decretada pela Polícia Civil, cerca de dez dias depois de ser reconhecido como o autor dos disparos. A equipe de investigação chegou a identidade de Aguiar por meio de câmeras de segurança que filmaram o momento exato do crime. Como não foi encontrado, o criminoso ficou registrado como procurado da Justiça, o que fez com que fosse reconhecido no País vizinho.

Na época, a polícia conseguiu mandato para buscas na residência do empresário, também na Vila Assunção, onde foram apreendidas duas armas de fogo, sendo uma espingarda calibre 12 e uma carabina .16, imitação de uma modelo AR-15, além de munição. A arma do crime não foi localizada. Conforme a polícia, embora o empresário seja colecionador de armas, não possui autorização para andar armado.

O empresário, porém, já tinha sido detido em março, em São Bernardo, por falsidade ideológica e porte ilegal de arma. Na ocasião, ele se apresentou como policial em um bar portando uma pistola 380.

Aguiar é dono de uma pizzaria próximo ao local do assassinato e tem outras duas empresas em seu nome, uma em São Bernardo e outra em Santa Catarina, ambas de assessoria em software. Segundo testemunhas ouvidas pela polícia, o motivo do desentendimento entre o empresário e o morador de rua se deu porque Aguiar não gostava da presença de Santos perto de seu restaurante, e se sentia incomodado do homem pedir dinheiro aos seus clientes.

O CRIME
Na noite do dia 11 de maio, Sebastião Lopes dos Santos foi morto a tiros na Rua Visconde de Mauá, altura do 554, na Vila Assunção, em Santo André. O morador de rua foi atingido no abdômen e braço direito.

Na época, em depoimento à polícia, testemunhas afirmaram que Santos caminhava pela rua quando um homem desceu de um carro Mercedes-Benz, prata, e foi na direção da vítima disparando seis tiros. Os vizinhos disseram ainda que Santos tentou correr, mas caiu poucos metros depois. Os relatos foram confirmados posteriormente por câmeras de segurança das casas.

Os vizinhos afirmam ainda que Santos era alcoólico e, ocasionalmente, dormia em casa vazia na mesma rua, próximo ao local do crime, além de que costumava pedir cobertores e alimentos em casas da redondeza.

O caso foi registrado no 1º DP (Centro) de Santo André, mas a investigação ficou a cargo da delegacia de Homicídios.

Família não foi avisada sobre captura do criminoso

A família do morador de rua Sebastião Lopes dos Santos, 40 anos, assassinado a tiros no dia 11 de maio, não foi avisada que o responsável pelos disparos foi preso na Argentina. O Diário procurou sua companheira, Dalva de Araújo Costa, 53, e o enteado, José Maiki de Araújo Costa, 26, que se disseram “surpresos” com a informação.

“Queremos que a Justiça seja feita. O coração pelo menos vai ficar mais sossegado sabendo que o cara que matou meu padastro vai pagar pelo que fez”, afirmou o enteado.

Já sua companheira relatou diversos problemas de saúde que apareceram após a morte de Santos, o que ela atrela a não superação da perda. “Sinto muita falta dele. Espero que esse homem que o matou pague pelo que fez e a memória do Sebastião ficará guardada em paz”, afirmou Dalva.

O Diário não conseguiu contato com advogado criminalista responsável pelo caso, Ademar Gomes.


Outros três casos com morte foram registrados na cidade

No dia 4 de abril deste ano, policiais civis do 2º DP (Parque das Nações) de Santo André prenderam o morador de rua José Severino Vieira, 59 anos, responsável por matar um colega na noite anterior, também em situação de rua, conhecido como Diego. Em depoimento à polícia, o acusado assumiu ter cometido o crime após uma discussão. Ele usou um porrete com pregos para atingir a vítima, que dormia em área do Tersa (Terminal rodoviário de Santo André), no bairro Jardim, e depois ateou fogo.

Em janeiro do ano passado, dois mendigos tiveram os corpos queimados após disputa por espaço para dormir na cidade. Três dias depois, Adaildo de Jesus, 43, morreu no Hospital Geral de São Mateus, na Zona Leste da Capital. A mulher de dele, Ducineia da Costa, 47, também foi queimada e permaneceu internada por mais de um mês, até se recuperar. Eles foram alvo do colega de rua Damião Batista de Oliveira, 48, que, após discussão, se dirigiu a um posto de combustível e comprou álcool e isqueiro. Ao retornar ao local, ateou fogo no casal, que estava dormindo e não teve tempo de se defender. O caso ocorreu na Avenida Dom Pedro I, em local próximo ao Terminal da Vila Luzita.

Já em agosto de 2017, Fabio Netto das Neves, 48, e o inglês Michael Steer Renshaw, 50, foram assassinados pelo colega de rua Manoel Almeida da Silva, 46, no bairro Casa Branca, com golpes de barra de ferro. O autor do crime foi preso três dias depois após confessar que reagiu contra a dupla por “vingança”.

PELO FRIO
No dia 4 de agosto deste ano o agente de segurança Mario Cezar de Campos, 66 anos, natural de São Caetano, foi encontrado sem vida na Rua Carijós, em Santo André, por volta das 15h. Segundo os responsáveis pelo atendimento à ocorrência, o homem, que era morador de rua, sofreu infarto por conta das baixas temperaturas. O boletim foi registrado no 6º DP (Vila Mazzei) como morte suspeita.
 

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