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Ouvidor da Polícia de SP fala sobre enfrentamento ao racismo em palestra

Divulgação/Consórcio ABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Benedito Mariano palestrou sobre discriminação racial e papel da Segurança Pública


Do Dgabc.com.br

19/09/2019 | 15:01


O Consórcio Intermunicipal Grande ABC recebeu nesta quinta-feira (19) uma palestra do ouvidor da Polícia de São Paulo, Benedito Mariano, sobre discriminação racial e papel da Segurança Pública. A apresentação integrou a formação regional para servidores públicos sobre atendimento à população negra e enfrentamento ao racismo, promovida desde agosto pela entidade regional.

Mestre em Ciências Sociais e graduado em Sociologia, Mariano contextualizou como o racismo está enraizado na sociedade e influencia a violência policial. “A expressão ‘marginal’ tem origem na tardia abolição da escravidão no Brasil, quando pessoas de outros países começaram trabalhar nas funções exercidas pelos escravos e os negros ficaram sem empregos e a margem da sociedade”, explicou.

Para o ouvidor, uma maneira de descontruir o estereótipo racista das polícias é a abordagem do assunto na formação policial e por lideranças da sociedade civil, para que essa união ajude na quebra de preconceitos históricos de ambos os lados.

“A urgência da questão se mostra nos números. Em 2017, 940 pessoas foram mortas pela polícia no Estado de São Paulo e, comprovando o racismo, 65% negras. Deste total, posso afirmar que 99% são pobres. O perfil da vítima de violência policial é jovem, pobre e negro”, afirmou Mariano.

Apesar da violência cometida pelos policiais, o ouvidor também destacou as dificuldades enfrentadas por profissionais que atuam na polícia. Como exemplo, citou que os números de suicídios entre policiais militares estão próximos das mortes em trabalho, enquanto na Polícia Civil os registros de suicidas superam os óbitos em serviço. Os principais fatores que influenciam essa estatística, segundo ele, são baixos salários, longas escalas de trabalho e pouca preparação para lidar com as problemáticas da profissão.

O ouvidor destacou também a influência do Consórcio ABC como paradigma para outras regiões do estado e do país na realização de políticas públicas conjuntas. Primeiro coordenador do GT Segurança Pública da entidade regional, entre 2011 e 2015, Mariano participou diretamente da estruturação do Centro Regional de Formação em Segurança Urbana (CRFSU), que é mantido pela entidade que reúne as prefeituras do Grande ABC e faz treinamento das Guardas Civis Municipais (GCMs) da região.

“Tudo que se cria em termos de consórcios no país tem como referência o Consórcio ABC, que é um marco importante da gestão pública no país. Ele consegue reunir prefeitos de sete cidades, independentemente da posição ideológica ou partidária, para conversar, estabelecer diretrizes e pensar a região”, afirmou.

Em relação ao CRFSU, Mariano destacou que a unidade é pioneira do gênero em caráter regional no país para integrar as ações das GCMs, buscando proporcionar uma formação de caráter integral e humanizado. “Quando criamos o Centro de Formação, estruturamos uma grade curricular nova que teve a questão da discriminação racial como um dos temas fundamentais”, explicou.

A formação regional para servidores públicos sobre atendimento à população negra e enfrentamento ao racismo é organizada pelo Grupo de Trabalho (GT) Igualdade Racial do Consórcio ABC e conta com 12 palestras, uma por semana, sempre às quintas-feiras, até 24 de outubro. 



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Ouvidor da Polícia de SP fala sobre enfrentamento ao racismo em palestra

Benedito Mariano palestrou sobre discriminação racial e papel da Segurança Pública

Do Dgabc.com.br

19/09/2019 | 15:01


O Consórcio Intermunicipal Grande ABC recebeu nesta quinta-feira (19) uma palestra do ouvidor da Polícia de São Paulo, Benedito Mariano, sobre discriminação racial e papel da Segurança Pública. A apresentação integrou a formação regional para servidores públicos sobre atendimento à população negra e enfrentamento ao racismo, promovida desde agosto pela entidade regional.

Mestre em Ciências Sociais e graduado em Sociologia, Mariano contextualizou como o racismo está enraizado na sociedade e influencia a violência policial. “A expressão ‘marginal’ tem origem na tardia abolição da escravidão no Brasil, quando pessoas de outros países começaram trabalhar nas funções exercidas pelos escravos e os negros ficaram sem empregos e a margem da sociedade”, explicou.

Para o ouvidor, uma maneira de descontruir o estereótipo racista das polícias é a abordagem do assunto na formação policial e por lideranças da sociedade civil, para que essa união ajude na quebra de preconceitos históricos de ambos os lados.

“A urgência da questão se mostra nos números. Em 2017, 940 pessoas foram mortas pela polícia no Estado de São Paulo e, comprovando o racismo, 65% negras. Deste total, posso afirmar que 99% são pobres. O perfil da vítima de violência policial é jovem, pobre e negro”, afirmou Mariano.

Apesar da violência cometida pelos policiais, o ouvidor também destacou as dificuldades enfrentadas por profissionais que atuam na polícia. Como exemplo, citou que os números de suicídios entre policiais militares estão próximos das mortes em trabalho, enquanto na Polícia Civil os registros de suicidas superam os óbitos em serviço. Os principais fatores que influenciam essa estatística, segundo ele, são baixos salários, longas escalas de trabalho e pouca preparação para lidar com as problemáticas da profissão.

O ouvidor destacou também a influência do Consórcio ABC como paradigma para outras regiões do estado e do país na realização de políticas públicas conjuntas. Primeiro coordenador do GT Segurança Pública da entidade regional, entre 2011 e 2015, Mariano participou diretamente da estruturação do Centro Regional de Formação em Segurança Urbana (CRFSU), que é mantido pela entidade que reúne as prefeituras do Grande ABC e faz treinamento das Guardas Civis Municipais (GCMs) da região.

“Tudo que se cria em termos de consórcios no país tem como referência o Consórcio ABC, que é um marco importante da gestão pública no país. Ele consegue reunir prefeitos de sete cidades, independentemente da posição ideológica ou partidária, para conversar, estabelecer diretrizes e pensar a região”, afirmou.

Em relação ao CRFSU, Mariano destacou que a unidade é pioneira do gênero em caráter regional no país para integrar as ações das GCMs, buscando proporcionar uma formação de caráter integral e humanizado. “Quando criamos o Centro de Formação, estruturamos uma grade curricular nova que teve a questão da discriminação racial como um dos temas fundamentais”, explicou.

A formação regional para servidores públicos sobre atendimento à população negra e enfrentamento ao racismo é organizada pelo Grupo de Trabalho (GT) Igualdade Racial do Consórcio ABC e conta com 12 palestras, uma por semana, sempre às quintas-feiras, até 24 de outubro. 

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