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São Bernardo tem o nono caso de feminicídio na região em 2019

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Preso pela polícia, marido confessou e disse ter estrangulado a mulher depois de briga na madrugada


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

17/09/2019 | 07:00


 Rosana Silvestre, 38 anos, morreu estrangulada no início da tarde de domingo no bairro Batistini, em São Bernardo, naquele que é o nono caso de feminicídio registrado no Grande ABC neste ano – em 2018, foram ao menos 32 vítimas. O crime foi cometido pelo marido, Fabio Alves Rodrigues, 30. Detido pela polícia, o agressor confessou e foi preso em flagrante.

Rosana foi encontrada morta pelo sogro – padastro do assassino –, Pedro Henrique Chagas, 72, por volta das 13h. Segundo o familiar, ele foi até a casa de Rodrigues convidar a nora para o café da tarde. Ao chegar na residência, após tocar várias vezes a campainha, resolveu entrar e a encontrou na cama, já sem vida.

Segundo depoimento de Chagas, a vítima apresentava diversos sinais de violência pelo corpo e sangramentos no nariz e boca. O marido não estava e, segundo ele, o enteado teria dito que sairia cedo de casa e não tinha hora para voltar. Chagas contou aos policiais que o casal brigava constantemente.

Após diligências nas proximidades da casa, a polícia encontrou Rodrigues caminhando em rua próxima à de sua casa. Questionado, o agressor confessou o crime, informou que o casal tinha brigado durante a madrugada e, por esse motivo, ele a estrangulou. 

O agressor foi encaminhado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Dermarchi, passou por avaliação e foi liberado. O caso foi registrado no 3º DP (Assunção).

RECORRENTE

Há dez dias, a equipe do 24º BPM (Batalhão da Polícia Militar) de Diadema prendeu Deivid Paulino Silva Faria, 34 anos, por tentativa de feminicídio contra sua mulher, Joice Rocha Martins, 26. O agressor disse à polícia que premeditou crime e fuga. A vítima foi esfaqueada – foram 15 golpes –, socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e levada ao Hospital Estadual Serraria, onde passou por cirurgia.

Com o crime de domingo, o Grande ABC registrou nove casos de feminicídio neste ano. De acordo com levantamento feito pelo Diário junto ao TJ (Tribunal de Justiça), em dois anos o aumento nos crimes desse tipo foi de 33%. Em 2016, a região somou 24 inquéritos, passando para 32 em 2018. Dos casos de 2019, três foram em Santo André, três em São Bernardo, dois em Mauá e um em São Caetano.

Segundo o Atlas da Violência 2019, publicado em junho, houve crescimento nos homicídios femininos no Brasil em 2017, com cerca de 13 assassinatos por dia. Ao todo, 4.936 mulheres foram mortas, sendo o maior número desde 2007.

Delegada titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Diadema, Renata Cruppi explica que “o aumento nos casos de feminicídio se dão devido à releitura de perspectiva no momento da classificação”. “Antes, grande parte das ocorrências envolvendo morte violenta de mulher era considerada homicídio qualificado por motivo torpe, fútil, dificuldade de defesa da vítima. Com a qualificadora do feminicídio e fazendo releitura dos casos foi percebida a necessidade de classificar como feminicidio, permitindo identificar as questões de morte violenta de mulher pelo simples fato de ser mulher.”

Foram registrados 8 crimes do tipo entre janeiro e junho

Na madrugada do dia 2 de fevereiro, a médica veterinária Paula Patrícia de Melo anos, 38, foi morta a facadas pelo namorado, Givanilson Valdemir dos Santos, 26, em São Caetano. Um dia depois, a médica cubana Laidys Sosa Ulloa Gonçalves, 37, foi assassinada com golpes de chave de fenda pelo marido brasileiro, o vigilante Dailton Gonçalves Ferreira, 45, em Mauá.

Em março foram três casos: na madrugada de sábado (9) para domingo (10), o corpo de Nayara Justino Lima, 26, natural de Uiraúna-PA, foi encontrado em sua casa, no bairro Ferrazópolis, em São Bernardo, com ferimentos a facadas. Nayara estava perto da cama, caída sobre um berço. O autor do crime seria seu companheiro.

No dia 18, a diarista Eleide Rodrigues de Oliveira, 38, foi atropelada e, posteriormente, executada com pelo menos seis tiros pelo marido, no Jardim Rina, em Santo André. Quatro horas antes, desta vez no bairro Cidade São Jorge, Engel Sofia Pironato, 21, foi morta pelo companheiro Lucas Alves da Silva Santos, 24, em casa, com golpe mata-leão (estrangulamento). O corpo foi encontradò apenas à noite, dentro da geladeira.

Em abril, Elisângela Silva, 33, foi encontrada morta, no dia 18, no bairro Alves Dias, em São Bernardo. O responsável foi o companheiro. Já no dia 24, Viviane Miranda Maurício, 26, foi assassinada em apartamento no Parque São Vicente, em Mauá. O corpo foi escondido dentro de mala, no interior de um armário. O homem que a matou seria o seu amante.

Em 17 de junho, Marcela dos Santos Melo, 31, foi morta a tiros pelo marido, o policial militar Thiago Rodrigo de Souza, 36, que se matou em seguida. O crime foi no Condomínio Maracanã, em Santo André.

(Colaborou Vanessa Soares)

Embora não contabilizado como feminicídio, no dia 17 de maio, a pastora Ieda Alvin Lino, 42, foi morta com golpes de faca no bairro Casa Grande, em Diadema. O suspeito do crime é seu marido, mas o caso foi registrado no 3º DP (Taboão) do município como homicídio simples.



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São Bernardo tem o nono caso de feminicídio na região em 2019

Preso pela polícia, marido confessou e disse ter estrangulado a mulher depois de briga na madrugada

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

17/09/2019 | 07:00


 Rosana Silvestre, 38 anos, morreu estrangulada no início da tarde de domingo no bairro Batistini, em São Bernardo, naquele que é o nono caso de feminicídio registrado no Grande ABC neste ano – em 2018, foram ao menos 32 vítimas. O crime foi cometido pelo marido, Fabio Alves Rodrigues, 30. Detido pela polícia, o agressor confessou e foi preso em flagrante.

Rosana foi encontrada morta pelo sogro – padastro do assassino –, Pedro Henrique Chagas, 72, por volta das 13h. Segundo o familiar, ele foi até a casa de Rodrigues convidar a nora para o café da tarde. Ao chegar na residência, após tocar várias vezes a campainha, resolveu entrar e a encontrou na cama, já sem vida.

Segundo depoimento de Chagas, a vítima apresentava diversos sinais de violência pelo corpo e sangramentos no nariz e boca. O marido não estava e, segundo ele, o enteado teria dito que sairia cedo de casa e não tinha hora para voltar. Chagas contou aos policiais que o casal brigava constantemente.

Após diligências nas proximidades da casa, a polícia encontrou Rodrigues caminhando em rua próxima à de sua casa. Questionado, o agressor confessou o crime, informou que o casal tinha brigado durante a madrugada e, por esse motivo, ele a estrangulou. 

O agressor foi encaminhado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Dermarchi, passou por avaliação e foi liberado. O caso foi registrado no 3º DP (Assunção).

RECORRENTE

Há dez dias, a equipe do 24º BPM (Batalhão da Polícia Militar) de Diadema prendeu Deivid Paulino Silva Faria, 34 anos, por tentativa de feminicídio contra sua mulher, Joice Rocha Martins, 26. O agressor disse à polícia que premeditou crime e fuga. A vítima foi esfaqueada – foram 15 golpes –, socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e levada ao Hospital Estadual Serraria, onde passou por cirurgia.

Com o crime de domingo, o Grande ABC registrou nove casos de feminicídio neste ano. De acordo com levantamento feito pelo Diário junto ao TJ (Tribunal de Justiça), em dois anos o aumento nos crimes desse tipo foi de 33%. Em 2016, a região somou 24 inquéritos, passando para 32 em 2018. Dos casos de 2019, três foram em Santo André, três em São Bernardo, dois em Mauá e um em São Caetano.

Segundo o Atlas da Violência 2019, publicado em junho, houve crescimento nos homicídios femininos no Brasil em 2017, com cerca de 13 assassinatos por dia. Ao todo, 4.936 mulheres foram mortas, sendo o maior número desde 2007.

Delegada titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Diadema, Renata Cruppi explica que “o aumento nos casos de feminicídio se dão devido à releitura de perspectiva no momento da classificação”. “Antes, grande parte das ocorrências envolvendo morte violenta de mulher era considerada homicídio qualificado por motivo torpe, fútil, dificuldade de defesa da vítima. Com a qualificadora do feminicídio e fazendo releitura dos casos foi percebida a necessidade de classificar como feminicidio, permitindo identificar as questões de morte violenta de mulher pelo simples fato de ser mulher.”

Foram registrados 8 crimes do tipo entre janeiro e junho

Na madrugada do dia 2 de fevereiro, a médica veterinária Paula Patrícia de Melo anos, 38, foi morta a facadas pelo namorado, Givanilson Valdemir dos Santos, 26, em São Caetano. Um dia depois, a médica cubana Laidys Sosa Ulloa Gonçalves, 37, foi assassinada com golpes de chave de fenda pelo marido brasileiro, o vigilante Dailton Gonçalves Ferreira, 45, em Mauá.

Em março foram três casos: na madrugada de sábado (9) para domingo (10), o corpo de Nayara Justino Lima, 26, natural de Uiraúna-PA, foi encontrado em sua casa, no bairro Ferrazópolis, em São Bernardo, com ferimentos a facadas. Nayara estava perto da cama, caída sobre um berço. O autor do crime seria seu companheiro.

No dia 18, a diarista Eleide Rodrigues de Oliveira, 38, foi atropelada e, posteriormente, executada com pelo menos seis tiros pelo marido, no Jardim Rina, em Santo André. Quatro horas antes, desta vez no bairro Cidade São Jorge, Engel Sofia Pironato, 21, foi morta pelo companheiro Lucas Alves da Silva Santos, 24, em casa, com golpe mata-leão (estrangulamento). O corpo foi encontradò apenas à noite, dentro da geladeira.

Em abril, Elisângela Silva, 33, foi encontrada morta, no dia 18, no bairro Alves Dias, em São Bernardo. O responsável foi o companheiro. Já no dia 24, Viviane Miranda Maurício, 26, foi assassinada em apartamento no Parque São Vicente, em Mauá. O corpo foi escondido dentro de mala, no interior de um armário. O homem que a matou seria o seu amante.

Em 17 de junho, Marcela dos Santos Melo, 31, foi morta a tiros pelo marido, o policial militar Thiago Rodrigo de Souza, 36, que se matou em seguida. O crime foi no Condomínio Maracanã, em Santo André.

(Colaborou Vanessa Soares)

Embora não contabilizado como feminicídio, no dia 17 de maio, a pastora Ieda Alvin Lino, 42, foi morta com golpes de faca no bairro Casa Grande, em Diadema. O suspeito do crime é seu marido, mas o caso foi registrado no 3º DP (Taboão) do município como homicídio simples.

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