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Professor Joaquim Celso Freire: ‘A região que seremos em 2030 é nossa responsabilidade'

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Nilton Valentim
Do Diário do Grande ABC

09/09/2019 | 07:00


Com atuação fundamental na organização do Desafio de Redação há 13 anos, o professor Joaquim Celso Freire destaca a importância do concurso literário, que começa hoje, para a discussão de questões voltadas à comunidade. “Isso contribui para uma maior compreensão do tema e os problemas a ele relacionados”, afirma. Nesta edição, estudantes das sete cidades vão escrever sobre A Região Que Eu Quero Em 2030. Os textos vão se transformar em documento, a ser apresentado ao Consórcio Intermunicipal, como uma amostragem do que a juventude anseia para o Grande ABC no futuro. Confira a entrevista com o educador.

Qual a opinião do senhor a respeito do Desafio de Redação, que neste ano será realizado pela 13ª vez consecutiva?
Para nós, na USCS (Universidade Municipal de São Caetano), o Desafio de Redação está inserido em um Programa de Extensão Universitária, o Proeduc, que visa estabelecer uma relação de interação com a educação básica. Entendemos que é papel da universidade cooperar com todos os níveis da educação e também aprender com eles. Veja a dimensão desse projeto: um tema de interesse da comunidade, que afeta o cotidiano de todos nós, é colocado em pauta para discussão na escola, na família, na rua, na comunidade... O jornal traz à tona discussões acadêmicas, políticas, econômicas sobre o tema, ao mesmo tempo em que descasca a realidade local sobre o assunto. O conhecimento gravita nesse ambiente e acaba, cada vez mais, incorporado por cada um e pelo conjunto de atores sociais e, certamente, traz inspirações diversas sobre o tema: desde escrever uma redação a propor uma política pública. Ao final, o estudante vai descrever, em uma redação, o seu entendimento sobre a questão e propor ações de transformação. E, aí, outra contribuição: a prática na escrita da Língua Portuguesa, por vezes maltratada. Escrever requer conhecimento e inspiração: esse projeto atende a esses dois pré-requisitos.

A respeito do tema deste ano, a Região Que Eu Quero em 2030, o senhor poderia explicar qual é a proposta e o motivo da escolha?
Essa proposta está conectada com os objetivos globais para o desenvolvimento sustentável, que são 17 metas globais estabelecidas pela ONU (Organização das Nações Unidas), focados em discussões e ações para transformar o nosso mundo em melhores condições de vida para tudo e todos. As ações concretas para transformar o mundo acontecem nos gabinetes de governos, nas grandes organizações transnacionais, mas, também, e de maneira mais visível, na nossa casa, na nossa escola, na nossa rua, no nosso bairro, na nossa cidade, na nossa região... E assim por diante. O Diário e a USCS decidiram por esse tema como forma de contribuir com a discussão, sensibilização e socialização desse tema. Afinal, a região que seremos em 2030 será responsabilidade de todos nós.

Nos 12 primeiros anos, foi produzido 1,3 milhão de textos. É uma marca significativa. Isso mostra que quando provocados os jovens se propõem a escrever?
Acho que foi Francis Bacon quem disse que ‘a leitura faz o homem completo, a conversação o torna ágil e o escrever o leva a ser preciso”. É verdade, quando chamados escrevem. Tenha certeza que esses textos trarão algumas luzes!

Nesta edição, a equipe da USCS vai tabular as respostas e formular um documento a ser apresentado ao Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, mostrando os anseios dos estudantes da região para a próxima década. Qual a importância disso?
Sim, neste ano, sob a coordenação da professora Maria do Carmo Romero, esse trabalho será realizado. A ideia é fazer uma análise de conteúdo, a partir de alguns cortes que ainda estamos avaliando e que poderão nos levar a identificar valores e expectativas dessa juventude estudantil alinhados à agenda 2030 da ONU.

Em anos anteriores, o Desafio de Redação propôs vários temas ligados a ecologia, saúde e combate às drogas, entre outros. Na sua opinião, o concurso faz com que esses assuntos saiam da sala de aula e cheguem à casa dos estudantes?
Sim, acho que chegam em casa, são discutidos e isso contribui para uma maior compreensão do tema e os problemas a ele relacionados.

O prêmio à melhor redação é uma bolsa de estudos integral na USCS. Pode ser em qualquer curso?
O prêmio para a melhor redação, do segundo grau, é uma bolsa de estudos da USCS, no curso escolhido. Exceto medicina, cuja bolsa é parcial.

A universidade monitora os ganhadores de outros anos? Quais as áreas mais escolhidas?
Fruto desse projeto é que já formamos uma enfermeira, duas administradoras, um publicitário, uma farmacêutica. Atualmente há na universidade estudantes nos cursos de publicidade, psicologia, direito, jornalismo e gestão de TI (Tecnologia da Informação). O que tenho a destacar é a supremacia das mulheres. Nesse grupo apenas dois estudantes são do sexo masculino.

Em todos estes anos de Desafio de Redação, alguma história lhe marcou?
O que mais me chama atenção é que a maioria dos vencedores teria dificuldades econômico-financeiras para continuar os estudos. De modo geral dizem isso.

Os professores são fatores importantes em todo o projeto. O que o senhor diria para aqueles que vão orientar os alunos na hora de produzir os textos?
A participação e o envolvimento do professor sempre fazem muita diferença. Por isso é importante, esclarecer sobre os objetivos globais para o desenvolvimento sustentável 2030 e o quanto a movimentação de cada um de nós pode modificar o destino do nosso lugar e também da humanidade.

Se pudesse falar diretamente para os alunos que irão participar do Desafio de Redação, o que diria a eles?
Olha, vocês também são responsáveis.

Fale um pouco da sua experiência como educador?
Comecei na sala de aula ainda muito jovem, com 17 anos, no Interior de Minas Gerais, sem nenhuma formação e experiência. Eram outros tempos. Hoje, tenho bons amigos desses primeiros ‘alunos’. Depois fiz carreira na gestão de indústria (RH) e desde de 1985 me dedico à atividade acadêmica. A sala de aula é um lugar estimulante: o contado com os jovens, com o conhecimento, tecnologias... Tudo isso é também, para o professor, muito aprendizado. Às vezes, há estresse, claro, mas onde não há?

O senhor é um educador com longa trajetória, como vê a profissão nos dias atuais?
Ai meu Deus. Ainda muito pouco reconhecida, na verdade... Quando não, desmerecida. Principalmente nos níveis institucionais de governo. Não só o professor, a educação, base do que há e do que está por vir. Por isso agitar 2030 é muito relevante.

Numa analogia ao tema do Desafio de Redação, como pensa que estará a Educação em 2030?
Certamente com a velocidade de evolução das tecnologias, em 2030 as relações de aprendizagem serão bem diferentes. Comunicação móvel, mídia digital, várias possibilidades de redes interativas, locais e internacionais. Acesso rápido e facilidade às informações. Acho que temos como grande desafio conviver nesses novos ambientes sem deixar escapar de nós a humanidade. O futuro é sempre um jogo e para influenciar no resultado do jogo é preciso estar nele de alguma forma. Aqui na USCS, por exemplo, estamos de olho nesse futuro.

RAIO X
Nome: Joaquim Celso Freire
Estado civil: Casado
Idade: 67 anos
Local de nascimento: Coronel Murta, Minas Gerais
Formação: Administração, mestre em planejamento e organização (PUC) e desenvolvimento regional (USCS)
Profissão: Professor
Hobby: Escrever (prosa e verso)
Local predileto: Casa
Livros que recomenda: Modernidade Liquida (Zygmunt Bauman) e Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa)
Onde trabalha: USCS (Universidade Municipal de São Caetano)
Viagem preferida: Novas descobertas e aos rios e montanhas de Minas



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Professor Joaquim Celso Freire: ‘A região que seremos em 2030 é nossa responsabilidade'

Nilton Valentim
Do Diário do Grande ABC

09/09/2019 | 07:00


Com atuação fundamental na organização do Desafio de Redação há 13 anos, o professor Joaquim Celso Freire destaca a importância do concurso literário, que começa hoje, para a discussão de questões voltadas à comunidade. “Isso contribui para uma maior compreensão do tema e os problemas a ele relacionados”, afirma. Nesta edição, estudantes das sete cidades vão escrever sobre A Região Que Eu Quero Em 2030. Os textos vão se transformar em documento, a ser apresentado ao Consórcio Intermunicipal, como uma amostragem do que a juventude anseia para o Grande ABC no futuro. Confira a entrevista com o educador.

Qual a opinião do senhor a respeito do Desafio de Redação, que neste ano será realizado pela 13ª vez consecutiva?
Para nós, na USCS (Universidade Municipal de São Caetano), o Desafio de Redação está inserido em um Programa de Extensão Universitária, o Proeduc, que visa estabelecer uma relação de interação com a educação básica. Entendemos que é papel da universidade cooperar com todos os níveis da educação e também aprender com eles. Veja a dimensão desse projeto: um tema de interesse da comunidade, que afeta o cotidiano de todos nós, é colocado em pauta para discussão na escola, na família, na rua, na comunidade... O jornal traz à tona discussões acadêmicas, políticas, econômicas sobre o tema, ao mesmo tempo em que descasca a realidade local sobre o assunto. O conhecimento gravita nesse ambiente e acaba, cada vez mais, incorporado por cada um e pelo conjunto de atores sociais e, certamente, traz inspirações diversas sobre o tema: desde escrever uma redação a propor uma política pública. Ao final, o estudante vai descrever, em uma redação, o seu entendimento sobre a questão e propor ações de transformação. E, aí, outra contribuição: a prática na escrita da Língua Portuguesa, por vezes maltratada. Escrever requer conhecimento e inspiração: esse projeto atende a esses dois pré-requisitos.

A respeito do tema deste ano, a Região Que Eu Quero em 2030, o senhor poderia explicar qual é a proposta e o motivo da escolha?
Essa proposta está conectada com os objetivos globais para o desenvolvimento sustentável, que são 17 metas globais estabelecidas pela ONU (Organização das Nações Unidas), focados em discussões e ações para transformar o nosso mundo em melhores condições de vida para tudo e todos. As ações concretas para transformar o mundo acontecem nos gabinetes de governos, nas grandes organizações transnacionais, mas, também, e de maneira mais visível, na nossa casa, na nossa escola, na nossa rua, no nosso bairro, na nossa cidade, na nossa região... E assim por diante. O Diário e a USCS decidiram por esse tema como forma de contribuir com a discussão, sensibilização e socialização desse tema. Afinal, a região que seremos em 2030 será responsabilidade de todos nós.

Nos 12 primeiros anos, foi produzido 1,3 milhão de textos. É uma marca significativa. Isso mostra que quando provocados os jovens se propõem a escrever?
Acho que foi Francis Bacon quem disse que ‘a leitura faz o homem completo, a conversação o torna ágil e o escrever o leva a ser preciso”. É verdade, quando chamados escrevem. Tenha certeza que esses textos trarão algumas luzes!

Nesta edição, a equipe da USCS vai tabular as respostas e formular um documento a ser apresentado ao Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, mostrando os anseios dos estudantes da região para a próxima década. Qual a importância disso?
Sim, neste ano, sob a coordenação da professora Maria do Carmo Romero, esse trabalho será realizado. A ideia é fazer uma análise de conteúdo, a partir de alguns cortes que ainda estamos avaliando e que poderão nos levar a identificar valores e expectativas dessa juventude estudantil alinhados à agenda 2030 da ONU.

Em anos anteriores, o Desafio de Redação propôs vários temas ligados a ecologia, saúde e combate às drogas, entre outros. Na sua opinião, o concurso faz com que esses assuntos saiam da sala de aula e cheguem à casa dos estudantes?
Sim, acho que chegam em casa, são discutidos e isso contribui para uma maior compreensão do tema e os problemas a ele relacionados.

O prêmio à melhor redação é uma bolsa de estudos integral na USCS. Pode ser em qualquer curso?
O prêmio para a melhor redação, do segundo grau, é uma bolsa de estudos da USCS, no curso escolhido. Exceto medicina, cuja bolsa é parcial.

A universidade monitora os ganhadores de outros anos? Quais as áreas mais escolhidas?
Fruto desse projeto é que já formamos uma enfermeira, duas administradoras, um publicitário, uma farmacêutica. Atualmente há na universidade estudantes nos cursos de publicidade, psicologia, direito, jornalismo e gestão de TI (Tecnologia da Informação). O que tenho a destacar é a supremacia das mulheres. Nesse grupo apenas dois estudantes são do sexo masculino.

Em todos estes anos de Desafio de Redação, alguma história lhe marcou?
O que mais me chama atenção é que a maioria dos vencedores teria dificuldades econômico-financeiras para continuar os estudos. De modo geral dizem isso.

Os professores são fatores importantes em todo o projeto. O que o senhor diria para aqueles que vão orientar os alunos na hora de produzir os textos?
A participação e o envolvimento do professor sempre fazem muita diferença. Por isso é importante, esclarecer sobre os objetivos globais para o desenvolvimento sustentável 2030 e o quanto a movimentação de cada um de nós pode modificar o destino do nosso lugar e também da humanidade.

Se pudesse falar diretamente para os alunos que irão participar do Desafio de Redação, o que diria a eles?
Olha, vocês também são responsáveis.

Fale um pouco da sua experiência como educador?
Comecei na sala de aula ainda muito jovem, com 17 anos, no Interior de Minas Gerais, sem nenhuma formação e experiência. Eram outros tempos. Hoje, tenho bons amigos desses primeiros ‘alunos’. Depois fiz carreira na gestão de indústria (RH) e desde de 1985 me dedico à atividade acadêmica. A sala de aula é um lugar estimulante: o contado com os jovens, com o conhecimento, tecnologias... Tudo isso é também, para o professor, muito aprendizado. Às vezes, há estresse, claro, mas onde não há?

O senhor é um educador com longa trajetória, como vê a profissão nos dias atuais?
Ai meu Deus. Ainda muito pouco reconhecida, na verdade... Quando não, desmerecida. Principalmente nos níveis institucionais de governo. Não só o professor, a educação, base do que há e do que está por vir. Por isso agitar 2030 é muito relevante.

Numa analogia ao tema do Desafio de Redação, como pensa que estará a Educação em 2030?
Certamente com a velocidade de evolução das tecnologias, em 2030 as relações de aprendizagem serão bem diferentes. Comunicação móvel, mídia digital, várias possibilidades de redes interativas, locais e internacionais. Acesso rápido e facilidade às informações. Acho que temos como grande desafio conviver nesses novos ambientes sem deixar escapar de nós a humanidade. O futuro é sempre um jogo e para influenciar no resultado do jogo é preciso estar nele de alguma forma. Aqui na USCS, por exemplo, estamos de olho nesse futuro.

RAIO X
Nome: Joaquim Celso Freire
Estado civil: Casado
Idade: 67 anos
Local de nascimento: Coronel Murta, Minas Gerais
Formação: Administração, mestre em planejamento e organização (PUC) e desenvolvimento regional (USCS)
Profissão: Professor
Hobby: Escrever (prosa e verso)
Local predileto: Casa
Livros que recomenda: Modernidade Liquida (Zygmunt Bauman) e Grande Sertão: Veredas (Guimarães Rosa)
Onde trabalha: USCS (Universidade Municipal de São Caetano)
Viagem preferida: Novas descobertas e aos rios e montanhas de Minas

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