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Crise na Argentina derruba exportações

Marcelo Camargo/Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Venda de automóveis e caminhões registra queda nos oito meses, mas cenário nacional segura mercado


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

06/09/2019 | 07:00


O volume de exportações de veículos caiu na comparação de janeiro e agosto deste ano com o mesmo período do ano passado, resultado impulsionado pela crise na Argentina, principal destinatária dos produtos fabricados no Brasil. O mercado interno, porém, sustentou altas na produção e emplacamento nos segmentos de leves e pesados.

Segundo dados divulgados ontem pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), as exportações de automóveis registraram retração de 37,9% no período (300,9 mil neste ano contra 484,8 mil em 2018). A de caminhões, recuo de 52,6% (8.900 em 2019 ante 18,7 mil do ano passado).

Por outro lado, no mesmo período as montadoras contabilizaram acréscimo de 2% no volume de produção de automóveis (2,01 milhões em 2019 contra 1,97 milhão no ano passado) e 13,1% de caminhões (77 mil neste ano ante 68,1 mil em 2018). No número de licenciamento, a alta foi de 9,9% e 41,4%, respectivamente.

Coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição lembrou que, além da crise na Argentina, há o acirramento das relações entre Estados Unidos e China, o que contribui para os dados negativos nas exportações.

“A crise argentina joga um grande peso na explicação, mas não é o único fator. A retração da economia internacional e a polêmica política externa brasileira também contribuíram com certeza. Outro fator menos citado é que o acirramento dos conflitos impacta negativamente a cadeia de valor global automotiva. As empresas têm hoje mais dificuldades de organizarem seus fluxos de suprimentos em um mundo em crise. Isso traz impactos negativos especialmente para países em desenvolvimento que não possuem empresas multinacionais próprias, como é o caso do Brasil”, analisou o especialista.

Presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes mostrou otimismo com possibilidade de hoje ser anunciado novo acordo automotivo entre Brasil e Argentina, com liberação de comércio de veículos para os próximos dez anos. A parceria vigente – que expira em junho de 2020 – prevê que a cada US$ 1 que os brasileiros importam da Argentina, podem exportar US$ 1,5 ao vizinho. Atualmente, a Argentina responde por 70% das vendas de automóveis fabricados no Brasil que vão para outras nações.

“O objetivo é que se chegue ao livre-comércio”, destacou Moraes, que estima que todos os trâmites sejam concluídos antes da eleição presidencial argentina, em outubro – há possibilidade real de o atual presidente, Mauricio Macri, ser derrotado pela oposição. “O governo que entrar vai olhar para o Brasil como um parceiro.”

Para Jefferson, porém, somente acordos bilaterais com a Argentina são insuficientes para o estabelecimento de política sólida de exportações. Ele acredita que o tensionamento provocado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) com líderes mundiais cria barreiras comerciais desnecessárias.

“O grau de controle de um país em relação às suas exportações é limitado, especialmente no curto prazo. Dificilmente ações nacionais conseguem reverter o cenário de crise internacional. Mas, no caso brasileiro, já ajudaria bastante se o País, ao contrário do que faz hoje, buscasse minimizar os conflitos e valorizar o diálogo e a diplomacia. O Brasil sempre foi muito respeitado no campo da relações internacionais, por sua postura independente, de equidistância, e de busca da harmonização das relações com diversos países. Estamos perdendo o legado construído ao longo de décadas nesta área.” 



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Crise na Argentina derruba exportações

Venda de automóveis e caminhões registra queda nos oito meses, mas cenário nacional segura mercado

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

06/09/2019 | 07:00


O volume de exportações de veículos caiu na comparação de janeiro e agosto deste ano com o mesmo período do ano passado, resultado impulsionado pela crise na Argentina, principal destinatária dos produtos fabricados no Brasil. O mercado interno, porém, sustentou altas na produção e emplacamento nos segmentos de leves e pesados.

Segundo dados divulgados ontem pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), as exportações de automóveis registraram retração de 37,9% no período (300,9 mil neste ano contra 484,8 mil em 2018). A de caminhões, recuo de 52,6% (8.900 em 2019 ante 18,7 mil do ano passado).

Por outro lado, no mesmo período as montadoras contabilizaram acréscimo de 2% no volume de produção de automóveis (2,01 milhões em 2019 contra 1,97 milhão no ano passado) e 13,1% de caminhões (77 mil neste ano ante 68,1 mil em 2018). No número de licenciamento, a alta foi de 9,9% e 41,4%, respectivamente.

Coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição lembrou que, além da crise na Argentina, há o acirramento das relações entre Estados Unidos e China, o que contribui para os dados negativos nas exportações.

“A crise argentina joga um grande peso na explicação, mas não é o único fator. A retração da economia internacional e a polêmica política externa brasileira também contribuíram com certeza. Outro fator menos citado é que o acirramento dos conflitos impacta negativamente a cadeia de valor global automotiva. As empresas têm hoje mais dificuldades de organizarem seus fluxos de suprimentos em um mundo em crise. Isso traz impactos negativos especialmente para países em desenvolvimento que não possuem empresas multinacionais próprias, como é o caso do Brasil”, analisou o especialista.

Presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes mostrou otimismo com possibilidade de hoje ser anunciado novo acordo automotivo entre Brasil e Argentina, com liberação de comércio de veículos para os próximos dez anos. A parceria vigente – que expira em junho de 2020 – prevê que a cada US$ 1 que os brasileiros importam da Argentina, podem exportar US$ 1,5 ao vizinho. Atualmente, a Argentina responde por 70% das vendas de automóveis fabricados no Brasil que vão para outras nações.

“O objetivo é que se chegue ao livre-comércio”, destacou Moraes, que estima que todos os trâmites sejam concluídos antes da eleição presidencial argentina, em outubro – há possibilidade real de o atual presidente, Mauricio Macri, ser derrotado pela oposição. “O governo que entrar vai olhar para o Brasil como um parceiro.”

Para Jefferson, porém, somente acordos bilaterais com a Argentina são insuficientes para o estabelecimento de política sólida de exportações. Ele acredita que o tensionamento provocado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) com líderes mundiais cria barreiras comerciais desnecessárias.

“O grau de controle de um país em relação às suas exportações é limitado, especialmente no curto prazo. Dificilmente ações nacionais conseguem reverter o cenário de crise internacional. Mas, no caso brasileiro, já ajudaria bastante se o País, ao contrário do que faz hoje, buscasse minimizar os conflitos e valorizar o diálogo e a diplomacia. O Brasil sempre foi muito respeitado no campo da relações internacionais, por sua postura independente, de equidistância, e de busca da harmonização das relações com diversos países. Estamos perdendo o legado construído ao longo de décadas nesta área.” 

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