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#FinTwit cresce e atrai interesse de pessoas físicas para mercado de ações



05/09/2019 | 17:42


Há um ano um perfil fake do investidor multibilionário e presidente da Berkshire Hathaway Warren Buffett no Twitter movimentou o mundo do "Fintwit", que nada mais é que uma comunidade do mercado financeiro presente na rede social. Com um "t" a menos no nome do megainvestidor, a conta rapidamente alcançou milhares de seguidores, que prontamente começaram a replicar suas mensagens. O Buffett real, que possui sua conta no Twitter verificada, possui 1,6 milhão de seguidores, e fez, até hoje, apenas nove publicações, sendo a última há mais de três anos. A conta falsa, que foi muito mais ativa do que a real, contudo, foi suspensa por contrariar as regras da rede social.

A história ilustra o tamanho e potencial desse grupo. O FinTwit, ou melhor #FinTwit, oriundo das iniciais de "Financial Twitter", é um movimento já bastante grande, especialmente nos Estados Unidos, mas que vem ganhando corpo e crescendo rapidamente no Brasil.

Globalmente, esse movimento passou a ser mais evidente quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou a usar ativamente o Twitter, fazendo anúncios - ou ameaças - por meio da rede social, os quais começaram a ter impacto no mercado acionário. Como resultado, gestores de fundos e outros profissionais em todo o mundo que ainda não acessavam o Twitter, abriram uma conta. Trump possui atualmente mais de 64 milhões de seguidores.

A força e relevância das redes sociais foi comprovada recentemente com a decisão, deste ano, do Tribunal Federal de Recursos, com sede em Nova York, que proibiu Trump de bloquear seus críticos no Twitter. O tribunal entendeu que um funcionário público que utiliza contas de redes sociais para todo tipo de propósitos oficiais não pode excluir pessoas do diálogo online por expressarem opiniões com as quais o funcionário não está de acordo. Trazendo essa discussão para o mercado brasileiro, o presidente Jair Bolsonaro, a exemplo dos Estados Unidos, também utiliza a rede social para fazer comunicação de assuntos relevantes do seu governo.

No Brasil, a atividade do Fintwit ganhou mais musculatura exatamente durante a campanha eleitoral, quando usuários da rede voltaram a ativar suas contas. O movimento fincou raiz com Bolsonaro seguindo os passos do presidente norte-americano e fazendo importantes anúncios por meio do Twitter. Da equipe próxima de Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, é um dos poucos que ainda não aderiram à rede social. Na sua ausência, perfis fakes em tom de sátira ocupam esse espaço.

Ainda por aqui, o movimento na rede social também tem crescido em ritmo acelerado diante do cenário de baixas taxas de juros no Brasil, com investidores com maior propensão à tomada de risco, como forma de manter rentabilidade da carteira. O "boom" desse grupo é reflexo também do número de pessoas físicas investindo em bolsa, com o número de CPFs ativos superando a marca de um 1,3 milhão neste ano e crescendo mensalmente. O grupo do Fintwit brasileiro tem atraído cada vez mais adeptos, entre gestores, economistas e milhares de pessoas físicas.

Pelo Twitter, investidores trocam informações, ideias de investimento e, até mesmo, sugestões mais enfáticas sobre ações "quentes", ou seja, aquelas em que a aposta é de valorização. Outras vezes, as discussões são mais "filosóficas", como o entendimento sobre uma oferta subsequente (follow on) em que o controlador se desfaz de ações. O grande ativismo na rede social acaba gerando outros efeitos colaterais, como brigas e discussões dignas de novela mexicana, provocando até mesmo suspensão - mesmo que temporária - de algumas contas.

Muitas empresas, ao perceberem a fonte de informação do Twitter, já contrataram consultorias, capazes até de subtrair informações dos "likes" dados na rede. Uma explicação para o Twitter virar centro de discussões de temas específicos foi dada pela própria diretora-geral da rede social no Brasil, Fiamma Zarife, em evento em São Paulo, nesta semana. Ela disse que ao contrário de outras redes, que o foco é no "look at me" (olhe para mim, em português), a dinâmica no Twitter é de "look at this" (olhe para isso). "Essa acaba sendo uma importante diferença entre as plataformas", afirma.

De olho

Se de um lado o Fintwit é fonte de uma vasta gama de informação, de outro algumas publicações, de determinados perfis, podem induzir o investidor a tomadas de decisões que podem lhe causar prejuízo. O Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, apurou que o xerife do mercado de capitais, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), tem aumentado a fiscalização das redes sociais. Uma das práticas ilícitas é o chamado "pump and dump". É assim que são conhecidos os casos em que são disseminadas notícias falsas por algum agente com o objetivo de inflar o preço de uma ação. Depois de observar essa oscilação positiva, o autor do boato vende suas ações, capturando o lucro com o esquema. No geral, para esse tipo de prática são escolhidas ações de baixa liquidez na bolsa, característica que abre espaço para manipulação de preço no mercado.

Outro tipo de prática que também tem sido comum nas redes sociais vem de pessoas que utilizam as redes para dar recomendações de compra de ativos. Em muitos desses casos, contudo, esses agentes não operam na bolsa - ao menos não em seus nomes - e o maior objetivo é levar seus seguidores para outras plataformas, onde são cobradas taxas ou mensalidades.



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#FinTwit cresce e atrai interesse de pessoas físicas para mercado de ações


05/09/2019 | 17:42


Há um ano um perfil fake do investidor multibilionário e presidente da Berkshire Hathaway Warren Buffett no Twitter movimentou o mundo do "Fintwit", que nada mais é que uma comunidade do mercado financeiro presente na rede social. Com um "t" a menos no nome do megainvestidor, a conta rapidamente alcançou milhares de seguidores, que prontamente começaram a replicar suas mensagens. O Buffett real, que possui sua conta no Twitter verificada, possui 1,6 milhão de seguidores, e fez, até hoje, apenas nove publicações, sendo a última há mais de três anos. A conta falsa, que foi muito mais ativa do que a real, contudo, foi suspensa por contrariar as regras da rede social.

A história ilustra o tamanho e potencial desse grupo. O FinTwit, ou melhor #FinTwit, oriundo das iniciais de "Financial Twitter", é um movimento já bastante grande, especialmente nos Estados Unidos, mas que vem ganhando corpo e crescendo rapidamente no Brasil.

Globalmente, esse movimento passou a ser mais evidente quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou a usar ativamente o Twitter, fazendo anúncios - ou ameaças - por meio da rede social, os quais começaram a ter impacto no mercado acionário. Como resultado, gestores de fundos e outros profissionais em todo o mundo que ainda não acessavam o Twitter, abriram uma conta. Trump possui atualmente mais de 64 milhões de seguidores.

A força e relevância das redes sociais foi comprovada recentemente com a decisão, deste ano, do Tribunal Federal de Recursos, com sede em Nova York, que proibiu Trump de bloquear seus críticos no Twitter. O tribunal entendeu que um funcionário público que utiliza contas de redes sociais para todo tipo de propósitos oficiais não pode excluir pessoas do diálogo online por expressarem opiniões com as quais o funcionário não está de acordo. Trazendo essa discussão para o mercado brasileiro, o presidente Jair Bolsonaro, a exemplo dos Estados Unidos, também utiliza a rede social para fazer comunicação de assuntos relevantes do seu governo.

No Brasil, a atividade do Fintwit ganhou mais musculatura exatamente durante a campanha eleitoral, quando usuários da rede voltaram a ativar suas contas. O movimento fincou raiz com Bolsonaro seguindo os passos do presidente norte-americano e fazendo importantes anúncios por meio do Twitter. Da equipe próxima de Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, é um dos poucos que ainda não aderiram à rede social. Na sua ausência, perfis fakes em tom de sátira ocupam esse espaço.

Ainda por aqui, o movimento na rede social também tem crescido em ritmo acelerado diante do cenário de baixas taxas de juros no Brasil, com investidores com maior propensão à tomada de risco, como forma de manter rentabilidade da carteira. O "boom" desse grupo é reflexo também do número de pessoas físicas investindo em bolsa, com o número de CPFs ativos superando a marca de um 1,3 milhão neste ano e crescendo mensalmente. O grupo do Fintwit brasileiro tem atraído cada vez mais adeptos, entre gestores, economistas e milhares de pessoas físicas.

Pelo Twitter, investidores trocam informações, ideias de investimento e, até mesmo, sugestões mais enfáticas sobre ações "quentes", ou seja, aquelas em que a aposta é de valorização. Outras vezes, as discussões são mais "filosóficas", como o entendimento sobre uma oferta subsequente (follow on) em que o controlador se desfaz de ações. O grande ativismo na rede social acaba gerando outros efeitos colaterais, como brigas e discussões dignas de novela mexicana, provocando até mesmo suspensão - mesmo que temporária - de algumas contas.

Muitas empresas, ao perceberem a fonte de informação do Twitter, já contrataram consultorias, capazes até de subtrair informações dos "likes" dados na rede. Uma explicação para o Twitter virar centro de discussões de temas específicos foi dada pela própria diretora-geral da rede social no Brasil, Fiamma Zarife, em evento em São Paulo, nesta semana. Ela disse que ao contrário de outras redes, que o foco é no "look at me" (olhe para mim, em português), a dinâmica no Twitter é de "look at this" (olhe para isso). "Essa acaba sendo uma importante diferença entre as plataformas", afirma.

De olho

Se de um lado o Fintwit é fonte de uma vasta gama de informação, de outro algumas publicações, de determinados perfis, podem induzir o investidor a tomadas de decisões que podem lhe causar prejuízo. O Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, apurou que o xerife do mercado de capitais, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), tem aumentado a fiscalização das redes sociais. Uma das práticas ilícitas é o chamado "pump and dump". É assim que são conhecidos os casos em que são disseminadas notícias falsas por algum agente com o objetivo de inflar o preço de uma ação. Depois de observar essa oscilação positiva, o autor do boato vende suas ações, capturando o lucro com o esquema. No geral, para esse tipo de prática são escolhidas ações de baixa liquidez na bolsa, característica que abre espaço para manipulação de preço no mercado.

Outro tipo de prática que também tem sido comum nas redes sociais vem de pessoas que utilizam as redes para dar recomendações de compra de ativos. Em muitos desses casos, contudo, esses agentes não operam na bolsa - ao menos não em seus nomes - e o maior objetivo é levar seus seguidores para outras plataformas, onde são cobradas taxas ou mensalidades.

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