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Agitada vida de governante


Rodolfo de Souza

05/09/2019 | 07:00


O chefe de Estado, por absoluta falta de argumento, achou de bom tom chamar de feia e velha a mulher do outro chefe de Estado. O sujeito, que carrega a tiracolo mulher mais jovem, decidiu, assim, usar deste expediente para se colocar acima do adversário, que teve a ousadia de criticá-lo por questões ambientais. Sem palavras para justificar as atitudes que o condenavam e também por se sentir inferior ao outro no tocante ao cargo, fez uso da única arma de que dispunha para agredir o oponente. Como se passasse pela sua cabeça que um comentário assim grosseiro pudesse torná-lo melhor, mais competente e astuto do que o adversário.

Não houve, pois, quem dissesse a ele, quando se fez chefe de Estado, que não é atribuição de presidente entrar no campo pessoal para retaliar algum desafeto. Talvez por considerarem de domínio seu tal informação, é que se omitiram os bajuladores de carteirinha. Ou talvez porque o cérebro miúdo não lhes permitisse elaborar raciocínio tão complexo, é que acabaram por aplaudir o comentário desastroso do chefe.

E o estadista agredido, como era de se esperar, ficou indignado, sem mesmo saber como agir diante do ataque desferido diretamente à sua pessoa pelo pensamento vil, que mais tarde teria usado outros adjetivos na vã tentativa de denegrir ainda mais a imagem do inimigo. E este, possivelmente preparado para enfrentar ameaças de guerra e até de terrorismo, se viu, repentinamente, numa saia justa para lá de inusitada, que lhe imputou inferioridade, dada a aparência de sua mulher. Não podia sequer convocar seu Estado maior, por se estender para o lado pessoal a questão. 

O chefe de Estado que esbanja valentia por ter mulher mais jovem, e que avalia a competência de outro chefe de Estado pela idade da sua, não levou em consideração, contudo, que o desenvolvimento minguado da Nação que preside não lhe permite vociferar aos quatro cantos do mundo, como é característica sua. A situação sugere a ele que tenha um bocadinho mais de humildade. Isso sim. Sobretudo, porque estava correto o chefe de governo que se colocou contra as suas medidas, que visam tão somente capinar a grande floresta e entregar o terreno limpo a outrem. Nem desconfia, inclusive, o desbravador, que sem preservação da natureza a vaca vai para o brejo. E ninguém há de passar incólume.

Com relação à ofensa, objeto deste breve comentário, houve quem dissesse, inconformado, que a agressão ao estrangeiro só poderia ter partido de uma mente sórdida. Falou-se até que não tem nível indivíduo que profere comentário tão baixo. Deve ser mesmo por causa da educação, ou pela falta dela, que o tal recorreu à baixaria para defender o indefensável.

A educação, aliás, caso de polícia neste imenso território, certamente seria a saída para se evitar vexame de tal monta. Entretanto, muito se tem feito, nestes dias de escuridão, para que ela se evapore de vez, conferindo a toda essa brava gente o direito ao analfabetismo funcional e obediência cega ao mais forte, ao senhor de seu destino e de sua vida.

Rodolfo de Souza, nasceu e mora em Santo André. 

É professor e autor do blog cafeecronicas.com



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Agitada vida de governante

Rodolfo de Souza

05/09/2019 | 07:00


O chefe de Estado, por absoluta falta de argumento, achou de bom tom chamar de feia e velha a mulher do outro chefe de Estado. O sujeito, que carrega a tiracolo mulher mais jovem, decidiu, assim, usar deste expediente para se colocar acima do adversário, que teve a ousadia de criticá-lo por questões ambientais. Sem palavras para justificar as atitudes que o condenavam e também por se sentir inferior ao outro no tocante ao cargo, fez uso da única arma de que dispunha para agredir o oponente. Como se passasse pela sua cabeça que um comentário assim grosseiro pudesse torná-lo melhor, mais competente e astuto do que o adversário.

Não houve, pois, quem dissesse a ele, quando se fez chefe de Estado, que não é atribuição de presidente entrar no campo pessoal para retaliar algum desafeto. Talvez por considerarem de domínio seu tal informação, é que se omitiram os bajuladores de carteirinha. Ou talvez porque o cérebro miúdo não lhes permitisse elaborar raciocínio tão complexo, é que acabaram por aplaudir o comentário desastroso do chefe.

E o estadista agredido, como era de se esperar, ficou indignado, sem mesmo saber como agir diante do ataque desferido diretamente à sua pessoa pelo pensamento vil, que mais tarde teria usado outros adjetivos na vã tentativa de denegrir ainda mais a imagem do inimigo. E este, possivelmente preparado para enfrentar ameaças de guerra e até de terrorismo, se viu, repentinamente, numa saia justa para lá de inusitada, que lhe imputou inferioridade, dada a aparência de sua mulher. Não podia sequer convocar seu Estado maior, por se estender para o lado pessoal a questão. 

O chefe de Estado que esbanja valentia por ter mulher mais jovem, e que avalia a competência de outro chefe de Estado pela idade da sua, não levou em consideração, contudo, que o desenvolvimento minguado da Nação que preside não lhe permite vociferar aos quatro cantos do mundo, como é característica sua. A situação sugere a ele que tenha um bocadinho mais de humildade. Isso sim. Sobretudo, porque estava correto o chefe de governo que se colocou contra as suas medidas, que visam tão somente capinar a grande floresta e entregar o terreno limpo a outrem. Nem desconfia, inclusive, o desbravador, que sem preservação da natureza a vaca vai para o brejo. E ninguém há de passar incólume.

Com relação à ofensa, objeto deste breve comentário, houve quem dissesse, inconformado, que a agressão ao estrangeiro só poderia ter partido de uma mente sórdida. Falou-se até que não tem nível indivíduo que profere comentário tão baixo. Deve ser mesmo por causa da educação, ou pela falta dela, que o tal recorreu à baixaria para defender o indefensável.

A educação, aliás, caso de polícia neste imenso território, certamente seria a saída para se evitar vexame de tal monta. Entretanto, muito se tem feito, nestes dias de escuridão, para que ela se evapore de vez, conferindo a toda essa brava gente o direito ao analfabetismo funcional e obediência cega ao mais forte, ao senhor de seu destino e de sua vida.

Rodolfo de Souza, nasceu e mora em Santo André. 

É professor e autor do blog cafeecronicas.com

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