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Lobato em foco

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Livro traz o olhar de especialistas sobre as obras do autor voltadas para crianças


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

03/09/2019 | 07:48


O legado deixado por Monteiro Lobato (1882-1948) para a literatura infantil é inquestionável. Não à toa, depois de tanto tempo nas prateleiras das livrarias, suas obras – que este ano entraram em domínio público, já que se passaram 70 anos de sua morte – continuam sendo usadas nas escolas, estudadas, comentadas e repercutidas. Tanto que o vencedor do prêmio Jabuti em 2009 Monteiro Lobato, Livro a Livro (Imprensa Oficial/Editora Unesp, 512 páginas, R$ 74), organizado por Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini, acaba de ganhar reedição.

A publicação traz o olhar de especialistas de diferentes instituições brasileiras sobre cada livro voltado para crianças do criador do Sítio do Picapau Amarelo. Acompanhando a cronologia de lançamento de suas primeiras edições, cada capítulo é precedido pelo valor histórico das capas originais do título que será analisado, bem como são realizadas discussões breves sobre linguagem, imagens, ilustrações e práticas editoriais do escritor.

O diferencial do livro, segundo Marisa, é a discussão de cada obra. “Que é, exatamente o que fazem os pesquisadores que se debruçaram sobre a obra infantil de Lobato. Penso que cada capítulo do livro discute – propondo questões aos leitores – temas, assuntos, contextos das histórias infantis do Sítio”, explica.

Resultado de um projeto temático da Fapesp, desenvolvido na Unicamp, a publicação recebeu considerável acervo de documentos lobatianos. “Isso (pesquisa) trouxe para o livro informações inéditas, particularmente sobre o processo de escrita de Lobato.” E acrescenta. “Penso que nem sempre a literatura precisa tratar do que os leitores já conhecem. Talvez o ‘desconhecido’ seja muito atraente. O Sítio de Lobato não é um sítio para finais de semana. Talvez ele (o livro) renove os olhos de olhar a natureza de quem só conhece Sítio com TV e internet.”

Ainda nas primeiras páginas, Loide Nascimento de Souza, professora da rede pública estadual do Paraná, fala sobre a primeira obra infantil do autor, publicada em 1921, o livro Fábulas de Narizinho. Segundo ela, até a sétima edição, as fábulas de Lobato não apresentavam um de seus traços mais característicos: o comentário das personagens do Sítio do Picapau Amarelo. A edição que traz, pela primeira vez, esses comentários é a oitava, de 1943, com desenhos de K. Wiese. “Foram necessários, portanto, mais de 20 anos para que Lobato imprimisse às suas fábulas a singularidade formal que as integra ao universo do Sítio. Essa singularidade parece ter agradado os pequenos leitores”, diz Loide em trecho de sua análise, que tem junto cartas de crianças elogiando a iniciativa do escritor.

A difusão de sua obra, seja por este livro ou outras publicações que sejam feitas com seu nome, até por ter entrado em domínio público, para Marisa, é essencial para perpetuar esse legado. “Monteiro Lobato é um dos poucos nomes de escritores brasileiros que uma grande maioria de brasileiros conhece. Não que tenham lido a obra dele, mas sabem que foi escritor. Uma maior acessibilidade de sua obra – proporcionada pela concorrência entre várias editoras – vai favorecer o contato de um público maior com os livros dele. Crianças e adultos terão chance de aprender e se divertir, familiarizando-se com o que permanece e o que mudou no Brasil em 70 anos”, finaliza.



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Lobato em foco

Livro traz o olhar de especialistas sobre as obras do autor voltadas para crianças

Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

03/09/2019 | 07:48


O legado deixado por Monteiro Lobato (1882-1948) para a literatura infantil é inquestionável. Não à toa, depois de tanto tempo nas prateleiras das livrarias, suas obras – que este ano entraram em domínio público, já que se passaram 70 anos de sua morte – continuam sendo usadas nas escolas, estudadas, comentadas e repercutidas. Tanto que o vencedor do prêmio Jabuti em 2009 Monteiro Lobato, Livro a Livro (Imprensa Oficial/Editora Unesp, 512 páginas, R$ 74), organizado por Marisa Lajolo e João Luís Ceccantini, acaba de ganhar reedição.

A publicação traz o olhar de especialistas de diferentes instituições brasileiras sobre cada livro voltado para crianças do criador do Sítio do Picapau Amarelo. Acompanhando a cronologia de lançamento de suas primeiras edições, cada capítulo é precedido pelo valor histórico das capas originais do título que será analisado, bem como são realizadas discussões breves sobre linguagem, imagens, ilustrações e práticas editoriais do escritor.

O diferencial do livro, segundo Marisa, é a discussão de cada obra. “Que é, exatamente o que fazem os pesquisadores que se debruçaram sobre a obra infantil de Lobato. Penso que cada capítulo do livro discute – propondo questões aos leitores – temas, assuntos, contextos das histórias infantis do Sítio”, explica.

Resultado de um projeto temático da Fapesp, desenvolvido na Unicamp, a publicação recebeu considerável acervo de documentos lobatianos. “Isso (pesquisa) trouxe para o livro informações inéditas, particularmente sobre o processo de escrita de Lobato.” E acrescenta. “Penso que nem sempre a literatura precisa tratar do que os leitores já conhecem. Talvez o ‘desconhecido’ seja muito atraente. O Sítio de Lobato não é um sítio para finais de semana. Talvez ele (o livro) renove os olhos de olhar a natureza de quem só conhece Sítio com TV e internet.”

Ainda nas primeiras páginas, Loide Nascimento de Souza, professora da rede pública estadual do Paraná, fala sobre a primeira obra infantil do autor, publicada em 1921, o livro Fábulas de Narizinho. Segundo ela, até a sétima edição, as fábulas de Lobato não apresentavam um de seus traços mais característicos: o comentário das personagens do Sítio do Picapau Amarelo. A edição que traz, pela primeira vez, esses comentários é a oitava, de 1943, com desenhos de K. Wiese. “Foram necessários, portanto, mais de 20 anos para que Lobato imprimisse às suas fábulas a singularidade formal que as integra ao universo do Sítio. Essa singularidade parece ter agradado os pequenos leitores”, diz Loide em trecho de sua análise, que tem junto cartas de crianças elogiando a iniciativa do escritor.

A difusão de sua obra, seja por este livro ou outras publicações que sejam feitas com seu nome, até por ter entrado em domínio público, para Marisa, é essencial para perpetuar esse legado. “Monteiro Lobato é um dos poucos nomes de escritores brasileiros que uma grande maioria de brasileiros conhece. Não que tenham lido a obra dele, mas sabem que foi escritor. Uma maior acessibilidade de sua obra – proporcionada pela concorrência entre várias editoras – vai favorecer o contato de um público maior com os livros dele. Crianças e adultos terão chance de aprender e se divertir, familiarizando-se com o que permanece e o que mudou no Brasil em 70 anos”, finaliza.

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