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Jazz ganha fim de semana na cidade



31/08/2019 | 07:00


Neste sábado, 31, e domingo, dia 1º, o jazz será reverenciado em dois eventos grandes na cidade.

O Bourbon Street Fest vai ser realizado neste fim de semana em São Paulo, assim como o Mastercard Jazz, que terá oito apresentações gratuitas e ao ar livre, no Auditório Ibirapuera, no palco voltado para o parque. Uma chance para se descobrir a diversidade de estilos que marca o gênero hoje.

"O fato de o festival se realizar em um palco ao ar livre nos levou a priorizar um elenco com uma pegada mais forte e menos intimista. São trabalhos vigorosos, que trarão grandes surpresas ao público", comenta Zé Nogueira, que divide a curadoria com Zuza Homem de Mello e Pedrinho Albuquerque. A direção artística é de Monique Gardenberg. Assim, entre as atrações, destacam-se a americana Lakecia Benjamin, a inglesa Laura Jurd, a banda paulistana Bixiga 70.

A convite do jornal O Estado de S. Paulo, o jovem compositor, arranjador e guitarrista Lourenço Rebetez, apontado como uma das recentes grandes revelações da música instrumental no Brasil, entrevistou o multi-instrumentista e rapper americano Terrace Martin. Na sequência, os principais trechos da conversa, realizada por e-mail.

Falando como alguém que, como você, alterna entre um trabalho solo e colaborações, sempre acho um desafio manter-me "em forma" como instrumentista naqueles momentos em que estamos imersos em trabalhos que não envolvem tocar tanto, como produzindo discos ou escrevendo. Como você equilibra essas duas áreas de atividade - o tocar e o pensar sobre música?

Eu sinto que essa é a eterna busca, a eterna jornada que as pessoas que produzem discos, e tocam, e amam tocar, e amam produzir sempre vão ter. Para mim, é muito difícil equilibrar as funções de tocar e produzir, mas só tenho de lembrar que ambas formam quem eu sou, então continuo insistindo.

Há alguma rotina, método ou qualquer tipo de ritual/processo que você use para produzir, ou para acessar a zona criativa?

Meu único ritual é ser apenas um receptor aberto para qualquer coisa que o dia tenha a me trazer, ao que a vida me trouxer naquele dia. Acredito que se eu continuar sendo um receptor, sempre terei razões para criar porque sempre serei lembrado de como a Terra se comporta ao meu redor

Vi uma entrevista com Kendrick Lamar onde ele credita você por aproximá-lo do jazz e fazê-lo perceber como suas escolhas de sonoridades, batidas e acordes foram naturalmente influenciados pelo jazz. E até mesmo como sua cadência, seu timing, seu rap em geral, é semelhante a como um músico de jazz pensaria. Segundo ele, isso foi apenas alguns meses antes da criação de To Pimp A Butterfly. Tendo o insight de destacar algo que já pertencia a ele e que acabou sendo tão decisivo para a sonoridade deste álbum que, para mim e para tantos outros, é simplesmente uma obra prima? eu suponho que essa seja a melhor contribuição que um produtor pode dar a um álbum. Ao mesmo tempo, houve alguma hesitação no processo?

Foi na velocidade máxima, era a gente olhando no retrovisor e enxergando adiante, e fazendo o que queríamos fazer. Nosso trabalho era nos conectar com pessoas que queriam se conectar, e foi o que fizemos.

Acha que sua formação em jazz desempenha um papel ao colaborar com artistas de hip-hop ou r&b? Quer dizer, se é verdade que há uma certa atitude em relação à improvisação, ao trabalho coletivo que é comum aos músicos de jazz, você acredita que isso contribui também na produção de outros estilos?

Acredito que tudo inspira e influencia tudo. Não posso dar esse crédito só ao jazz. Preciso incluir a música gospel, o hip-hop e cada um dos outros gêneros que levam o crédito de música negra. Ser negro e fazer parte da irmandade são coisas que andam lado a lado, quero dizer, é isso o que fazemos. Amar e aceitar todos os caminhos da vida é também o que fazemos, como pessoas e como cultura, e com a cultura hip-hop. Eu nunca olhei para uma coisa como sendo algo isolado, ou como sendo algo para impulsionar outra coisa. Eu sempre olhei para tudo como uma coisa única.

Gosta de produzir discos?

Meu trabalho como produtor é apenas ajudar aquele artista a ser o melhor que ele pode ser. Então, em se tratando de qualquer estilo musical, minha contribuição será como produtor. Isso é o que eu sinto que todo grande produtor faz, quero dizer, pelo menos todos os que me inspiram e os que eu admiro: Gamble e Huff, Quincy Jones, Dr. Dre, Teddy Riley.

Acho que todo músico sério do mundo compartilha um desafio comum, que é conciliar nosso trabalho e nossas relações pessoais, especialmente a família.

Acho que todo trabalhador que ama sua família se sacrifica e passa por isso. Não acho que você tenha que ser um músico de jazz ou um músico ou um artista ou artista de alto nível ou qualquer coisa dessa natureza para passar por esse problema em particular. Será um dos desafios com os quais morreremos. Mas você sabe, família é amor e amor é família e todos nós continuamos nos esforçando para achar a melhor maneira de saber como fazer.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Jazz ganha fim de semana na cidade


31/08/2019 | 07:00


Neste sábado, 31, e domingo, dia 1º, o jazz será reverenciado em dois eventos grandes na cidade.

O Bourbon Street Fest vai ser realizado neste fim de semana em São Paulo, assim como o Mastercard Jazz, que terá oito apresentações gratuitas e ao ar livre, no Auditório Ibirapuera, no palco voltado para o parque. Uma chance para se descobrir a diversidade de estilos que marca o gênero hoje.

"O fato de o festival se realizar em um palco ao ar livre nos levou a priorizar um elenco com uma pegada mais forte e menos intimista. São trabalhos vigorosos, que trarão grandes surpresas ao público", comenta Zé Nogueira, que divide a curadoria com Zuza Homem de Mello e Pedrinho Albuquerque. A direção artística é de Monique Gardenberg. Assim, entre as atrações, destacam-se a americana Lakecia Benjamin, a inglesa Laura Jurd, a banda paulistana Bixiga 70.

A convite do jornal O Estado de S. Paulo, o jovem compositor, arranjador e guitarrista Lourenço Rebetez, apontado como uma das recentes grandes revelações da música instrumental no Brasil, entrevistou o multi-instrumentista e rapper americano Terrace Martin. Na sequência, os principais trechos da conversa, realizada por e-mail.

Falando como alguém que, como você, alterna entre um trabalho solo e colaborações, sempre acho um desafio manter-me "em forma" como instrumentista naqueles momentos em que estamos imersos em trabalhos que não envolvem tocar tanto, como produzindo discos ou escrevendo. Como você equilibra essas duas áreas de atividade - o tocar e o pensar sobre música?

Eu sinto que essa é a eterna busca, a eterna jornada que as pessoas que produzem discos, e tocam, e amam tocar, e amam produzir sempre vão ter. Para mim, é muito difícil equilibrar as funções de tocar e produzir, mas só tenho de lembrar que ambas formam quem eu sou, então continuo insistindo.

Há alguma rotina, método ou qualquer tipo de ritual/processo que você use para produzir, ou para acessar a zona criativa?

Meu único ritual é ser apenas um receptor aberto para qualquer coisa que o dia tenha a me trazer, ao que a vida me trouxer naquele dia. Acredito que se eu continuar sendo um receptor, sempre terei razões para criar porque sempre serei lembrado de como a Terra se comporta ao meu redor

Vi uma entrevista com Kendrick Lamar onde ele credita você por aproximá-lo do jazz e fazê-lo perceber como suas escolhas de sonoridades, batidas e acordes foram naturalmente influenciados pelo jazz. E até mesmo como sua cadência, seu timing, seu rap em geral, é semelhante a como um músico de jazz pensaria. Segundo ele, isso foi apenas alguns meses antes da criação de To Pimp A Butterfly. Tendo o insight de destacar algo que já pertencia a ele e que acabou sendo tão decisivo para a sonoridade deste álbum que, para mim e para tantos outros, é simplesmente uma obra prima? eu suponho que essa seja a melhor contribuição que um produtor pode dar a um álbum. Ao mesmo tempo, houve alguma hesitação no processo?

Foi na velocidade máxima, era a gente olhando no retrovisor e enxergando adiante, e fazendo o que queríamos fazer. Nosso trabalho era nos conectar com pessoas que queriam se conectar, e foi o que fizemos.

Acha que sua formação em jazz desempenha um papel ao colaborar com artistas de hip-hop ou r&b? Quer dizer, se é verdade que há uma certa atitude em relação à improvisação, ao trabalho coletivo que é comum aos músicos de jazz, você acredita que isso contribui também na produção de outros estilos?

Acredito que tudo inspira e influencia tudo. Não posso dar esse crédito só ao jazz. Preciso incluir a música gospel, o hip-hop e cada um dos outros gêneros que levam o crédito de música negra. Ser negro e fazer parte da irmandade são coisas que andam lado a lado, quero dizer, é isso o que fazemos. Amar e aceitar todos os caminhos da vida é também o que fazemos, como pessoas e como cultura, e com a cultura hip-hop. Eu nunca olhei para uma coisa como sendo algo isolado, ou como sendo algo para impulsionar outra coisa. Eu sempre olhei para tudo como uma coisa única.

Gosta de produzir discos?

Meu trabalho como produtor é apenas ajudar aquele artista a ser o melhor que ele pode ser. Então, em se tratando de qualquer estilo musical, minha contribuição será como produtor. Isso é o que eu sinto que todo grande produtor faz, quero dizer, pelo menos todos os que me inspiram e os que eu admiro: Gamble e Huff, Quincy Jones, Dr. Dre, Teddy Riley.

Acho que todo músico sério do mundo compartilha um desafio comum, que é conciliar nosso trabalho e nossas relações pessoais, especialmente a família.

Acho que todo trabalhador que ama sua família se sacrifica e passa por isso. Não acho que você tenha que ser um músico de jazz ou um músico ou um artista ou artista de alto nível ou qualquer coisa dessa natureza para passar por esse problema em particular. Será um dos desafios com os quais morreremos. Mas você sabe, família é amor e amor é família e todos nós continuamos nos esforçando para achar a melhor maneira de saber como fazer.

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