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Negro é a raiz da liberdade

Lenise Pinheiro/Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Musical reconta a história de empoderamento de Dona Ivone Lara, na Capital


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

01/09/2019 | 07:07


Sua voz e presença tomavam conta do palco. Uma das pioneiras no samba, tanto que ganhou o cargo de ‘rainha’, Dona Ivone Lara (1922-2018) mostrou a que veio. Em nome dessa rica história, acaba de estrear em São Paulo, no Teatro Sérgio Cardoso, o musical Dona Ivone Lara – Um Sorriso Negro, idealizado e produzido por Jô Santana. A direção e dramaturgia são de Elísio Lopes e a direção musical é de Rildo Hora.

Filha de uma cantora de rancho e de um violonista, Dona Ivone lutou muito para se dedicar à música. Com um tio aprendeu a tocar cavaquinho, passou a conviver com a música e chegou a ser elogiada pelo maestro Heitor Villa-Lobos. Casou-se com Oscar Costa, filho de Alfredo Costa, presidente da escola de samba Prazer da Serrinha, e passou a conviver com compositores. Quebrou, portanto, o machismo existente nestes ambientes e começou a escrever sambas-enredos, mas quem assinava era o primo.

Entrou para ala das baianas e dos compositores da Império Serrano, sua escola de coração, onde compôs a bela letra de Os Cinco Bailes do Rio de Janeiro. Outros clássicos que fez foram Sonho Meu, Acreditar, Sorriso Negro, Enredo do Meu Samba, entre outros. Não à toa, em 2015, entrou para a lista das dez grandes mulheres que marcaram a história do Rio de Janeiro. “Ela foi a primeira mulher a assinar samba, uma coisa impensável naquela época. Ela foi com o pé na porta e disse: ‘Meu lugar é onde eu quiser’. Veio no miudinho, no sapatinho e conseguiu o que queria. Era à frente de seu tempo”, diz Jô Santana.

Em paralelo, ela também trabalhou como enfermeira e como assistente social especializada em terapia ocupacional, e ajudava a cuidar de doentes em clínicas psiquiátricas. Aposentou-se aos 77 anos, e a partir daí passou a se dedicar integralmente à música. “Ela teve um papel muito importante na área da saúde, trabalhou com dona Nize da Silveira, foi muito importante para este setor também”, completa o produtor.

A montagem, que estreou ano passado no Rio de Janeiro, cinco meses após a morte de Dona Ivone, conta toda essa história de Dona Ivone Lara sem dois atos que misturam três tempos diferentes, sem ordem cronológica, surgindo em cena com três idades, aos 12 anos, aos 26 e aos 80, épocas que marcaram sua vida, e explicam quem ela foi verdadeiramente.

O espetáculo conta com 23 atores representando a dança afro, o sincretismo brasileiro e muito samba, do partido alto a sambas-enredos retratando não apenas a vida e obra de Dona Ivone Lara, assim como também o empoderamento de mulheres que ao longo do tempo se fizeram presentes, como Zaira de Oliveira, Clementina de Jesus, Elizeth Cardoso, Maria Bethânia e Gal Costa.

No palco, a atriz Heloísa Jorge (atualmente atuando na novela A Dona do Pedaço, da Globo) interpreta a fase adulta de Dona Ivone. Já Fernanda Jacob, a madura, e Di Ribeiro assume o papel dela, na infância.

Este é o segundo musical da trilogia produzida por Santana. O primeiro foi sobre Cartola, sucesso de público e o último, que deve estrear no ano que vem, contará a vida de Alcione, será Marrom Musical, e terá direção de Miguel Falabella.

Dona Ivone Lara – Um Sorriso Negro – Musical. No Teatro Sérgio Cardoso – Rua Rui Barbosa, 153. Até dia 20 de outubro, de quinta a sábado, às 20h e, aos domingos, às 17h. De R$ 20 a R$ 75, à venda em www.ingressorapido.com.br. 



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Negro é a raiz da liberdade

Musical reconta a história de empoderamento de Dona Ivone Lara, na Capital

Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

01/09/2019 | 07:07


Sua voz e presença tomavam conta do palco. Uma das pioneiras no samba, tanto que ganhou o cargo de ‘rainha’, Dona Ivone Lara (1922-2018) mostrou a que veio. Em nome dessa rica história, acaba de estrear em São Paulo, no Teatro Sérgio Cardoso, o musical Dona Ivone Lara – Um Sorriso Negro, idealizado e produzido por Jô Santana. A direção e dramaturgia são de Elísio Lopes e a direção musical é de Rildo Hora.

Filha de uma cantora de rancho e de um violonista, Dona Ivone lutou muito para se dedicar à música. Com um tio aprendeu a tocar cavaquinho, passou a conviver com a música e chegou a ser elogiada pelo maestro Heitor Villa-Lobos. Casou-se com Oscar Costa, filho de Alfredo Costa, presidente da escola de samba Prazer da Serrinha, e passou a conviver com compositores. Quebrou, portanto, o machismo existente nestes ambientes e começou a escrever sambas-enredos, mas quem assinava era o primo.

Entrou para ala das baianas e dos compositores da Império Serrano, sua escola de coração, onde compôs a bela letra de Os Cinco Bailes do Rio de Janeiro. Outros clássicos que fez foram Sonho Meu, Acreditar, Sorriso Negro, Enredo do Meu Samba, entre outros. Não à toa, em 2015, entrou para a lista das dez grandes mulheres que marcaram a história do Rio de Janeiro. “Ela foi a primeira mulher a assinar samba, uma coisa impensável naquela época. Ela foi com o pé na porta e disse: ‘Meu lugar é onde eu quiser’. Veio no miudinho, no sapatinho e conseguiu o que queria. Era à frente de seu tempo”, diz Jô Santana.

Em paralelo, ela também trabalhou como enfermeira e como assistente social especializada em terapia ocupacional, e ajudava a cuidar de doentes em clínicas psiquiátricas. Aposentou-se aos 77 anos, e a partir daí passou a se dedicar integralmente à música. “Ela teve um papel muito importante na área da saúde, trabalhou com dona Nize da Silveira, foi muito importante para este setor também”, completa o produtor.

A montagem, que estreou ano passado no Rio de Janeiro, cinco meses após a morte de Dona Ivone, conta toda essa história de Dona Ivone Lara sem dois atos que misturam três tempos diferentes, sem ordem cronológica, surgindo em cena com três idades, aos 12 anos, aos 26 e aos 80, épocas que marcaram sua vida, e explicam quem ela foi verdadeiramente.

O espetáculo conta com 23 atores representando a dança afro, o sincretismo brasileiro e muito samba, do partido alto a sambas-enredos retratando não apenas a vida e obra de Dona Ivone Lara, assim como também o empoderamento de mulheres que ao longo do tempo se fizeram presentes, como Zaira de Oliveira, Clementina de Jesus, Elizeth Cardoso, Maria Bethânia e Gal Costa.

No palco, a atriz Heloísa Jorge (atualmente atuando na novela A Dona do Pedaço, da Globo) interpreta a fase adulta de Dona Ivone. Já Fernanda Jacob, a madura, e Di Ribeiro assume o papel dela, na infância.

Este é o segundo musical da trilogia produzida por Santana. O primeiro foi sobre Cartola, sucesso de público e o último, que deve estrear no ano que vem, contará a vida de Alcione, será Marrom Musical, e terá direção de Miguel Falabella.

Dona Ivone Lara – Um Sorriso Negro – Musical. No Teatro Sérgio Cardoso – Rua Rui Barbosa, 153. Até dia 20 de outubro, de quinta a sábado, às 20h e, aos domingos, às 17h. De R$ 20 a R$ 75, à venda em www.ingressorapido.com.br. 

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