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Esquema de corrupção atrasou o Metrô no Grande ABC, diz delator

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ex-diretor da companhia revelou ao MPF que empreiteiras e agentes públicos agiram em conluio para impedir que Linha 2-Verde chegasse em S.Caetano


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

30/08/2019 | 07:00


Ex-diretor do Metrô, Sérgio Corrêa Brasil declarou, em delação premiada firmada junto ao MPF (Ministério Público Federal), que esquema de corrupção impediu que o ramal metroviário chegasse ao Grande ABC em 2004, ano em que teve início plano de expansão da Linha 2-Verde. Até hoje a região espera conexão com o Metrô.

O ex-funcionário comentou que, à época, houve debate em levar a Linha 2-Verde à Estação São Caetano da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) a partir da Estação Tamanduateí. Entretanto, para que essa interligação fosse feita, seria necessário realizar outra licitação, uma vez que o projeto original previa levar o ramal para a Vila Prudente, na Zona Leste da Capital.

Brasil comentou que a abertura de outro processo licitatório contrariava interesse do grupo de construtoras que atuava na Linha 2-Verde. Detalhes da delação foram revelados ontem pela TV Globo.

Nos relatos ao MPF, Sérgio Brasil afirmou que havia conluio entre empreiteiras e agentes públicos, mediante pagamento de propina, financiamento de campanhas eleitorais e aprovação em pareceres do TCE (Tribunal de Contas do Estado). Em troca, as empresas faturavam contratos de obras do Metrô,

O ex-diretor citou que o esquema envolveu as linhas 2-Verde, 5-Lilás e 6-Laranja. O objetivo era atrasar o andamento das intervenções para deixá-las mais caras com aditivos contratuais. Ele declarou textualmente que Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa pagavam propina. Também disse que os arranjos foram nos governos de José Serra (2007-2010) e Geraldo Alckmin (2011-2018), ambos do PSDB.

Colaborador do Metrô por 42 anos – se demitiu em 2016 –, Sérgio Brasil comentou que parte dos recursos irregulares era repassada para a base de sustentação na Assembleia Legislativa e discorreu que os então deputados estaduais Rodrigo Garcia (DEM, hoje vice-governador) e Arnaldo Jardim (Cidadania, atualmente deputado federal) tinham “vínculo mais forte com o esquema”.

“Isso era um desejo tanto do governo quanto das empresas: não deixar esses contratos extinguirem. O mais correto seria fazer um novo processo licitatório, começar tudo de novo”, disse Sérgio Brasil, na delação, quando se referiu à Linha 2-Verde. O ramal foi inaugurado em 1990, com apenas três quilômetros de extensão e quatro estações. Ao todo foram 29 aditivos contratuais até que as obras de expansão saíssem do papel, em 2004 – ao todo, a Linha 2-Verde consumiu quase R$ 11 bilhões dos cofres públicos.

Em nota enviada ao portal UOL, o Metrô se diz “maior interessado na apuração de todos os fatos e, se comprovada qualquer irregularidade, apoia punição dos envolvidos e o ressarcimento dos eventuais prejuízos aos cofres públicos”.

O Grande ABC agora vive a expectativa de ter ligação com o Metrô pelas linhas 18-Bronze e 20-Rosa. A primeira será via BRT (ônibus de alta velocidade, na sigla em inglês) e levará justamente à Estação Tamanduateí da Linha 2-Verde. A segunda é por Metrô, saindo do Rudge Ramos com destino ao bairro da Lapa, na Zona Oeste da Capital. 



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Esquema de corrupção atrasou o Metrô no Grande ABC, diz delator

Ex-diretor da companhia revelou ao MPF que empreiteiras e agentes públicos agiram em conluio para impedir que Linha 2-Verde chegasse em S.Caetano

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

30/08/2019 | 07:00


Ex-diretor do Metrô, Sérgio Corrêa Brasil declarou, em delação premiada firmada junto ao MPF (Ministério Público Federal), que esquema de corrupção impediu que o ramal metroviário chegasse ao Grande ABC em 2004, ano em que teve início plano de expansão da Linha 2-Verde. Até hoje a região espera conexão com o Metrô.

O ex-funcionário comentou que, à época, houve debate em levar a Linha 2-Verde à Estação São Caetano da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) a partir da Estação Tamanduateí. Entretanto, para que essa interligação fosse feita, seria necessário realizar outra licitação, uma vez que o projeto original previa levar o ramal para a Vila Prudente, na Zona Leste da Capital.

Brasil comentou que a abertura de outro processo licitatório contrariava interesse do grupo de construtoras que atuava na Linha 2-Verde. Detalhes da delação foram revelados ontem pela TV Globo.

Nos relatos ao MPF, Sérgio Brasil afirmou que havia conluio entre empreiteiras e agentes públicos, mediante pagamento de propina, financiamento de campanhas eleitorais e aprovação em pareceres do TCE (Tribunal de Contas do Estado). Em troca, as empresas faturavam contratos de obras do Metrô,

O ex-diretor citou que o esquema envolveu as linhas 2-Verde, 5-Lilás e 6-Laranja. O objetivo era atrasar o andamento das intervenções para deixá-las mais caras com aditivos contratuais. Ele declarou textualmente que Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa pagavam propina. Também disse que os arranjos foram nos governos de José Serra (2007-2010) e Geraldo Alckmin (2011-2018), ambos do PSDB.

Colaborador do Metrô por 42 anos – se demitiu em 2016 –, Sérgio Brasil comentou que parte dos recursos irregulares era repassada para a base de sustentação na Assembleia Legislativa e discorreu que os então deputados estaduais Rodrigo Garcia (DEM, hoje vice-governador) e Arnaldo Jardim (Cidadania, atualmente deputado federal) tinham “vínculo mais forte com o esquema”.

“Isso era um desejo tanto do governo quanto das empresas: não deixar esses contratos extinguirem. O mais correto seria fazer um novo processo licitatório, começar tudo de novo”, disse Sérgio Brasil, na delação, quando se referiu à Linha 2-Verde. O ramal foi inaugurado em 1990, com apenas três quilômetros de extensão e quatro estações. Ao todo foram 29 aditivos contratuais até que as obras de expansão saíssem do papel, em 2004 – ao todo, a Linha 2-Verde consumiu quase R$ 11 bilhões dos cofres públicos.

Em nota enviada ao portal UOL, o Metrô se diz “maior interessado na apuração de todos os fatos e, se comprovada qualquer irregularidade, apoia punição dos envolvidos e o ressarcimento dos eventuais prejuízos aos cofres públicos”.

O Grande ABC agora vive a expectativa de ter ligação com o Metrô pelas linhas 18-Bronze e 20-Rosa. A primeira será via BRT (ônibus de alta velocidade, na sigla em inglês) e levará justamente à Estação Tamanduateí da Linha 2-Verde. A segunda é por Metrô, saindo do Rudge Ramos com destino ao bairro da Lapa, na Zona Oeste da Capital. 

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