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Jayme Brener lança livro hoje na Capital

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Obra narra missão de um exército improvável: matar Hitler nos Jogos Olímpicos


Evaldo Novelini
Do Diário do Grande ABC

29/08/2019 | 07:40


Um cafetão de quase dois metros de altura, sua mulher hipersensível, um operário judeu rebelde perseguido tanto por nazistas quanto por comunistas, um jovem atirador sobrevivente da antiga civilização maia e um ex-professor judeu e homossexual formam o improvável exército que planeja assassinar o ditador alemão Adolf Hitler, que à época já assustava o mundo com sua política higienista e genocida na Alemanha, durante a solenidade de abertura da Olimpíada de Berlim, em 1936. Eis o resumo possível de Os Cinco Dedos de Tikal (Editora Ex-Libris, 360 páginas, R$ 69,30), livro que o jornalista paulistano Jayme Brener, 58 anos, lança hoje, na Capital.

O enredo, como já deve ter ficado claro aos leitores mais atentos, é ficção pura, mas se assenta em sólida base de pesquisa histórica. Os personagens da prosa saída da mente de Brener interagem com personalidades, acontecimentos e lugares reais. A Tikal do título é a antiga cidade maia habitada pela elite da civilização pré-colombiana que, em seu auge, serviu de morada a 90 mil pessoas. A tradução do nome pode ser feita por ‘o lugar das vozes’ e ocupa espaço central na trama. É de lá que parte a inusitada empreitada para assassinar Hitler.

Brener trabalhou dois anos na pesquisa do livro, cuja inspiração surgiu de viagem de turismo que fez à Guatemala, em 2016. “E de uma brincadeira sobre a proximidade entre maias e judeus, que foi crescendo, revelando semelhanças e coincidências até a trama se tornar verossímil”, explica o autor, em entrevista ao Diário. O país centro-americano abrigou expressiva comunidade judaica – reprimida, diga-se, pelo presidente de turno, o general Jorge Ubico Castañeda – na época em que se passa a história.

Ex-correspondente do Jornal do Brasil na América Central, Brener conheceu de perto os efeitos das ditaduras latino-americanas – boa parte deles, como a censura à imprensa e o repúdio às organizações de classe, presente em Os Cinco Dedos de Tikal. Por isso, ironiza a recente aproximação dos eleitores, mundo afora, a políticos personalistas, como o próprio presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PSL). “O fato é que cada momento histórico gera seus candidatos a Hitler, Stalin, Cristo ou Che Guevara. Sempre tem um sujeito que parece ridículo e, em momentos de crises, encanta multidões. E sempre há os que resistirão a ele.”

LANÇAMENTO
O lançamento do livro está marcado para as 18h30 na unidade de Pinheiros da Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915). Na oportunidade, a obra será comercializada pelo preço promocional de R$ 59,90 – depois de hoje, a aquisição só poderá ser feita por meio do site da editora (www.exlibriseditora.com.br). O evento desta noite contará com debate sobre as vésperas da Segunda Guerra (1939-1945), mediado pelo professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Marcos Cesar de Freitas, reunindo o autor, o sociólogo e analista político Demétrio Magnoli, que assina o prefácio, e a professora Lilian Starobinas, da Casa do Povo.

Obra de ficção aborda eventos terríveis e personalidades reais

Os Cinco Dedos de Tikal é livro de ficção. Todavia, a ampla pesquisa que embasa a trama é recheada de curiosas informações históricas. Diferentemente do que ocorre na maioria dos romances, em que se tornam enfadonhas, as notas presentes ao fim da maioria dos capítulos ampliam a satisfação e o repertório cultural do leitor. Uma delas revela que o projeto de carro popular que desaguaria no Fusca, idealizado pelo ditador alemão Adolf Hitler (1889-1945), foi roubado de um engenheiro judeu, Josef Ganz (1898-1967).

A onipresença e a onipotência da multinacional norte-americana United Fruit, produtora de bananas e abacaxis na Guatemala, país da América Central onde se desenrolam alguns episódios do livro de Jayme Brener, ajudam na compreensão do termo República Bananeira, bastante utilizado para classificar, pejorativamente, países instáveis politicamente, na maior parte comandados por presidentes opressores e corruptos.

Há ainda informações terríveis. Como a de que, entre 1946 e 1948, pesquisadores norte-americanos infectaram 1.500 guatemaltecos – presos, doentes mentais, órfãos e militares de baixa patente – com bactéria da sífilis e vírus de outras doenças sexualmente transmissíveis para estudar os efeitos da penicilina. “O caso revelado em 2003 levou o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a pedir desculpas públicas ao governo da Guatemala e se transformou em gigantesco processo judicial”, conta Jayme Brener, cujo conhecimento histórico lhe rendeu em 1999 o Prêmio Jabuti de Melhor Livro Didático por Jornal do Século XX, da Editora Moderna.

Autor do prefácio, o geógrafo e analista político Demétrio Magnoli define à perfeição a mistura feita pelo autor entre ficção e realidade. “Os Cinco Dedos de Tikal tem a precisão factual e a atmosfera sufocante de um tempo bem definido, que é a rampa inclinada da eclosão da Segunda Guerra Mundial, mas também as liberdades proporcionadas pelo mundo alternativo da pura invenção.” E afirma que a leitura permite oscilar “entre a descoberta de eventos surpreendentes, ocultos nas dobras do passado, e as emoções despertadas pela ficção”.



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Jayme Brener lança livro hoje na Capital

Obra narra missão de um exército improvável: matar Hitler nos Jogos Olímpicos

Evaldo Novelini
Do Diário do Grande ABC

29/08/2019 | 07:40


Um cafetão de quase dois metros de altura, sua mulher hipersensível, um operário judeu rebelde perseguido tanto por nazistas quanto por comunistas, um jovem atirador sobrevivente da antiga civilização maia e um ex-professor judeu e homossexual formam o improvável exército que planeja assassinar o ditador alemão Adolf Hitler, que à época já assustava o mundo com sua política higienista e genocida na Alemanha, durante a solenidade de abertura da Olimpíada de Berlim, em 1936. Eis o resumo possível de Os Cinco Dedos de Tikal (Editora Ex-Libris, 360 páginas, R$ 69,30), livro que o jornalista paulistano Jayme Brener, 58 anos, lança hoje, na Capital.

O enredo, como já deve ter ficado claro aos leitores mais atentos, é ficção pura, mas se assenta em sólida base de pesquisa histórica. Os personagens da prosa saída da mente de Brener interagem com personalidades, acontecimentos e lugares reais. A Tikal do título é a antiga cidade maia habitada pela elite da civilização pré-colombiana que, em seu auge, serviu de morada a 90 mil pessoas. A tradução do nome pode ser feita por ‘o lugar das vozes’ e ocupa espaço central na trama. É de lá que parte a inusitada empreitada para assassinar Hitler.

Brener trabalhou dois anos na pesquisa do livro, cuja inspiração surgiu de viagem de turismo que fez à Guatemala, em 2016. “E de uma brincadeira sobre a proximidade entre maias e judeus, que foi crescendo, revelando semelhanças e coincidências até a trama se tornar verossímil”, explica o autor, em entrevista ao Diário. O país centro-americano abrigou expressiva comunidade judaica – reprimida, diga-se, pelo presidente de turno, o general Jorge Ubico Castañeda – na época em que se passa a história.

Ex-correspondente do Jornal do Brasil na América Central, Brener conheceu de perto os efeitos das ditaduras latino-americanas – boa parte deles, como a censura à imprensa e o repúdio às organizações de classe, presente em Os Cinco Dedos de Tikal. Por isso, ironiza a recente aproximação dos eleitores, mundo afora, a políticos personalistas, como o próprio presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PSL). “O fato é que cada momento histórico gera seus candidatos a Hitler, Stalin, Cristo ou Che Guevara. Sempre tem um sujeito que parece ridículo e, em momentos de crises, encanta multidões. E sempre há os que resistirão a ele.”

LANÇAMENTO
O lançamento do livro está marcado para as 18h30 na unidade de Pinheiros da Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915). Na oportunidade, a obra será comercializada pelo preço promocional de R$ 59,90 – depois de hoje, a aquisição só poderá ser feita por meio do site da editora (www.exlibriseditora.com.br). O evento desta noite contará com debate sobre as vésperas da Segunda Guerra (1939-1945), mediado pelo professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Marcos Cesar de Freitas, reunindo o autor, o sociólogo e analista político Demétrio Magnoli, que assina o prefácio, e a professora Lilian Starobinas, da Casa do Povo.

Obra de ficção aborda eventos terríveis e personalidades reais

Os Cinco Dedos de Tikal é livro de ficção. Todavia, a ampla pesquisa que embasa a trama é recheada de curiosas informações históricas. Diferentemente do que ocorre na maioria dos romances, em que se tornam enfadonhas, as notas presentes ao fim da maioria dos capítulos ampliam a satisfação e o repertório cultural do leitor. Uma delas revela que o projeto de carro popular que desaguaria no Fusca, idealizado pelo ditador alemão Adolf Hitler (1889-1945), foi roubado de um engenheiro judeu, Josef Ganz (1898-1967).

A onipresença e a onipotência da multinacional norte-americana United Fruit, produtora de bananas e abacaxis na Guatemala, país da América Central onde se desenrolam alguns episódios do livro de Jayme Brener, ajudam na compreensão do termo República Bananeira, bastante utilizado para classificar, pejorativamente, países instáveis politicamente, na maior parte comandados por presidentes opressores e corruptos.

Há ainda informações terríveis. Como a de que, entre 1946 e 1948, pesquisadores norte-americanos infectaram 1.500 guatemaltecos – presos, doentes mentais, órfãos e militares de baixa patente – com bactéria da sífilis e vírus de outras doenças sexualmente transmissíveis para estudar os efeitos da penicilina. “O caso revelado em 2003 levou o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a pedir desculpas públicas ao governo da Guatemala e se transformou em gigantesco processo judicial”, conta Jayme Brener, cujo conhecimento histórico lhe rendeu em 1999 o Prêmio Jabuti de Melhor Livro Didático por Jornal do Século XX, da Editora Moderna.

Autor do prefácio, o geógrafo e analista político Demétrio Magnoli define à perfeição a mistura feita pelo autor entre ficção e realidade. “Os Cinco Dedos de Tikal tem a precisão factual e a atmosfera sufocante de um tempo bem definido, que é a rampa inclinada da eclosão da Segunda Guerra Mundial, mas também as liberdades proporcionadas pelo mundo alternativo da pura invenção.” E afirma que a leitura permite oscilar “entre a descoberta de eventos surpreendentes, ocultos nas dobras do passado, e as emoções despertadas pela ficção”.

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