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Ex-aluno da ELCV de Santo André vence prêmio no Festival de Cinema de Gramado

Edison Vara/Agência Pressphoto/Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

O Menino Pássaro é o quarto curta-metragem de Diogo Leite


Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

28/08/2019 | 07:45


O bairro de Higienópolis, em São Paulo, é considerado privilegiado. Em 2014, um novo morador chegou ao local. Não para morar em uma das casas – geralmente de alto padrão –, mas, sim, disposto a viver em árvore em uma de suas ruas. A história chamou a atenção da mídia e do cineasta e jornalista Diogo Leite, chocado com a jornada do adolescente vindo do Rio de Janeiro. Ele foi até o local e só encontrou a cama do garoto e seus pertences, voltando para casa com ideia que, cinco anos depois, serve de base para o filme O Menino Pássaro, quarto curta-metragem do ex-aluno da Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André.

No roteiro, também assinado pelo diretor, Gabriel tenta sobreviver de maneira precária em região nobre da Capital montando residência ao lado de uma árvore. Sua jornada é observada por Clarisse, de olho no tratamento dado ao recém-chegado. “O grande lance para mim foi trabalhar o ponto de vista de um personagem branco, não focando no negro. Talvez seja a grande chave que gira ao longo do filme”, diz Leite. “O racismo, para mim, é um problema dos brancos. Depois de 30 anos vendo cinema na minha vida, só lembro de histórias ‘brancas’, com figuras negras estereotipadas. Depois de tanto tempo, me sinto no direito de trabalhar o ponto de vista da mulher branca sobre essa questão racial. Mas não vejo como resposta, uma revanche.”

A produção tem feito carreira em eventos cinematográficos desde o ano passado, a partir do Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro, onde foi premiado como melhor curta-metragem na competição nacional. “Nos festivais, percebo que o filme gera certa incredulidade no público, formado quase sempre por pessoas brancas. A maioria não se vê como racista e tem quem tome um choque. Acaba sendo algo produtivo e a recepção tem sido bacana.”

O filme chamou a atenção no Festival de Cinema de Gramado 2019, encerrado no fim de semana, quando o paulista de 37 anos venceu, com surpresa, como melhor direção entre curtas brasileiros. “Já estava orgulhoso em colocar meu filme na mostra deste ano. Estou há quase dez anos trabalhando com cinema, então acaba sendo uma espécie de reconhecimento pessoal. A ficha ainda está caindo”, afirma. “O trabalho da direção passa por criar grande harmonia no set. É a relação com a história, equipe, atores e todo o universo ao redor do filme que toma forma. Já trabalho com a mesma equipe há algum tempo e estamos afinados. Às vezes conseguimos repetir atores e vamos nos conectando cada vez mais. É preciso saber lidar com a paciência. Não é uma direção individual e há sempre uma troca coletiva de ideias e experiências.”

APRENDIZADO
A relação de Leite com o Grande ABC é forte na medida em que fez parte da Turma 6 da ELCV, entre 2012 e 2015. Ele não conseguiu entrar na seleção anterior e persistiu até ser aprovado um tempo depois. Segundo ele, a amplitude artística tratada pelo projeto andreense é e sempre foi um diferencial.

“Sempre achei interessante pela questão de ser um currículo livre, com noções de não ter métodos fechados. Toda a história da escola, de trabalhar com ideias abertas sobre o cinema, deixa a grade chamativa e positiva até hoje”, explica. Entre suas recordações, estão chegar cedo nas aulas, faltar apenas algumas vezes e consumir muito material disponibilizado pela videoteca do local, área pela qual ficou responsável por certo tempo.

Para Diaulas Ulysses, atual coordenador pedagógico da ELCV – que se lembra da inquietação mostrada por Leite em busca de informações e conhecimento cinematográfico durante o curso –, as discussões artísticas devem ser amplas. “É necessário um pensamento mais libertário e a escola tem profissionais que atuam no cinema nacional, incluindo ex-alunos que voltam a agitar o projeto. Tudo se recicla.”

A expectativa é que o caminho de O Menino Pássaro, programado para passar por eventos no México e Uruguai ainda em 2019, tenha espaço no semestre para sessão especial na agenda da ELCV e de Santo André. As conversas já estão encaminhadas para a vinda do filme e de seu criador. “A escola está com um olhar mais acentuado para os ex-alunos e o pessoal sempre parece ter um carinho especial pelo projeto. Sempre é ótimo proporcionar essa troca junto com os atuais alunos e o público em geral”, comenta Ulysses. As inscrições para interessados em participar da Turma 10 devem ocorrer na segunda metade de 2020.



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Ex-aluno da ELCV de Santo André vence prêmio no Festival de Cinema de Gramado

O Menino Pássaro é o quarto curta-metragem de Diogo Leite

Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

28/08/2019 | 07:45


O bairro de Higienópolis, em São Paulo, é considerado privilegiado. Em 2014, um novo morador chegou ao local. Não para morar em uma das casas – geralmente de alto padrão –, mas, sim, disposto a viver em árvore em uma de suas ruas. A história chamou a atenção da mídia e do cineasta e jornalista Diogo Leite, chocado com a jornada do adolescente vindo do Rio de Janeiro. Ele foi até o local e só encontrou a cama do garoto e seus pertences, voltando para casa com ideia que, cinco anos depois, serve de base para o filme O Menino Pássaro, quarto curta-metragem do ex-aluno da Escola Livre de Cinema e Vídeo de Santo André.

No roteiro, também assinado pelo diretor, Gabriel tenta sobreviver de maneira precária em região nobre da Capital montando residência ao lado de uma árvore. Sua jornada é observada por Clarisse, de olho no tratamento dado ao recém-chegado. “O grande lance para mim foi trabalhar o ponto de vista de um personagem branco, não focando no negro. Talvez seja a grande chave que gira ao longo do filme”, diz Leite. “O racismo, para mim, é um problema dos brancos. Depois de 30 anos vendo cinema na minha vida, só lembro de histórias ‘brancas’, com figuras negras estereotipadas. Depois de tanto tempo, me sinto no direito de trabalhar o ponto de vista da mulher branca sobre essa questão racial. Mas não vejo como resposta, uma revanche.”

A produção tem feito carreira em eventos cinematográficos desde o ano passado, a partir do Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro, onde foi premiado como melhor curta-metragem na competição nacional. “Nos festivais, percebo que o filme gera certa incredulidade no público, formado quase sempre por pessoas brancas. A maioria não se vê como racista e tem quem tome um choque. Acaba sendo algo produtivo e a recepção tem sido bacana.”

O filme chamou a atenção no Festival de Cinema de Gramado 2019, encerrado no fim de semana, quando o paulista de 37 anos venceu, com surpresa, como melhor direção entre curtas brasileiros. “Já estava orgulhoso em colocar meu filme na mostra deste ano. Estou há quase dez anos trabalhando com cinema, então acaba sendo uma espécie de reconhecimento pessoal. A ficha ainda está caindo”, afirma. “O trabalho da direção passa por criar grande harmonia no set. É a relação com a história, equipe, atores e todo o universo ao redor do filme que toma forma. Já trabalho com a mesma equipe há algum tempo e estamos afinados. Às vezes conseguimos repetir atores e vamos nos conectando cada vez mais. É preciso saber lidar com a paciência. Não é uma direção individual e há sempre uma troca coletiva de ideias e experiências.”

APRENDIZADO
A relação de Leite com o Grande ABC é forte na medida em que fez parte da Turma 6 da ELCV, entre 2012 e 2015. Ele não conseguiu entrar na seleção anterior e persistiu até ser aprovado um tempo depois. Segundo ele, a amplitude artística tratada pelo projeto andreense é e sempre foi um diferencial.

“Sempre achei interessante pela questão de ser um currículo livre, com noções de não ter métodos fechados. Toda a história da escola, de trabalhar com ideias abertas sobre o cinema, deixa a grade chamativa e positiva até hoje”, explica. Entre suas recordações, estão chegar cedo nas aulas, faltar apenas algumas vezes e consumir muito material disponibilizado pela videoteca do local, área pela qual ficou responsável por certo tempo.

Para Diaulas Ulysses, atual coordenador pedagógico da ELCV – que se lembra da inquietação mostrada por Leite em busca de informações e conhecimento cinematográfico durante o curso –, as discussões artísticas devem ser amplas. “É necessário um pensamento mais libertário e a escola tem profissionais que atuam no cinema nacional, incluindo ex-alunos que voltam a agitar o projeto. Tudo se recicla.”

A expectativa é que o caminho de O Menino Pássaro, programado para passar por eventos no México e Uruguai ainda em 2019, tenha espaço no semestre para sessão especial na agenda da ELCV e de Santo André. As conversas já estão encaminhadas para a vinda do filme e de seu criador. “A escola está com um olhar mais acentuado para os ex-alunos e o pessoal sempre parece ter um carinho especial pelo projeto. Sempre é ótimo proporcionar essa troca junto com os atuais alunos e o público em geral”, comenta Ulysses. As inscrições para interessados em participar da Turma 10 devem ocorrer na segunda metade de 2020.

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