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Bom para a medicina e para o paciente


Antônio Carlos Lopes

26/08/2019 | 07:00


 Vira e mexe alguém com ideias mirabolantes acha que descobriu a pólvora no campo da medicina. Assim, surgem propostas das mais estapafúrdias, que só trazem prejuízos à própria prática da medicina e à assistência aos pacientes.

A gente vê de tudo neste mundo. Por exemplo, gente que defende telemedicina sem médicos nas duas pontas. Não, claro que não é viável.

A saúde da população deve ser acompanhada por um médico de qualidade, inclusive para trabalhar a prevenção e evitar doenças. Ou o agravamento delas, quando já instaladas.

Recentemente, houve quem defendesse a redução do preço do cigarro. Os argumentos eram matreiramente disfarçados de louváveis. Entretanto, não levavam em conta os males que o tabaco causa ao indivíduo, a dor de familiares de quem contrai um câncer, por exemplo, ou o aumento de gastos do sistema de saúde, além da consequente escassez de verbas para o combate a outras enfermidades.

Surge agora mais uma proposta totalmente descabida. Um grupo de iluminados quer aumentar o tempo da residência em clínica médica para três anos, algo absolutamente injustificável e sem qualquer base sólida, do ponto de vista das evidências.

Para fazer jus ao título de médico clínico são necessários dois anos de residência após a graduação. É o tempo ideal à boa formação. Está demonstrado na prática e em pesquisas que, ao concluir o R2, o profissional tem plena condição de oferecer a melhor assistência aos cidadãos. As instituições não teriam nem o que oferecer de currículo em um ano a mais.

Lamentavelmente, o lobby já citado quer, de qualquer forma e de cima para baixo, aumentar o tempo de residência. A única explicação é que o fazem só para explorar o médico jovem como mão de obra barata.

Como presidente da SBCM (Sociedade Brasileira de Clínica Médica), registro publicamente que jamais nos curvaremos a interesses de uns poucos em detrimento da coletividade.

Combateremos no campo das ideias e das evidências esse grupo sem consistência, que desrespeita os direitos democráticos dos médicos clínicos e vira as costas para a necessidade premente de assistência de qualidade aos brasileiros.

Aliás, a SBCM esclarece que um biênio de estudos, além de perfeito do ponto de vista da capacitação, também possibilita que um médico almeje se especializar em outra área ainda jovem.

Tenham certeza de que estamos vigilantes em defesa do médico e dos pacientes. Enfrentaremos com firmeza quaisquer que sejam os poderosos que desejam manter o residente eternamente como mão de obra barata, quase em regime de servidão, e não leva em consideração, em momento algum, o que é melhor para a medicina e para a população.



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Bom para a medicina e para o paciente

Antônio Carlos Lopes

26/08/2019 | 07:00


 Vira e mexe alguém com ideias mirabolantes acha que descobriu a pólvora no campo da medicina. Assim, surgem propostas das mais estapafúrdias, que só trazem prejuízos à própria prática da medicina e à assistência aos pacientes.

A gente vê de tudo neste mundo. Por exemplo, gente que defende telemedicina sem médicos nas duas pontas. Não, claro que não é viável.

A saúde da população deve ser acompanhada por um médico de qualidade, inclusive para trabalhar a prevenção e evitar doenças. Ou o agravamento delas, quando já instaladas.

Recentemente, houve quem defendesse a redução do preço do cigarro. Os argumentos eram matreiramente disfarçados de louváveis. Entretanto, não levavam em conta os males que o tabaco causa ao indivíduo, a dor de familiares de quem contrai um câncer, por exemplo, ou o aumento de gastos do sistema de saúde, além da consequente escassez de verbas para o combate a outras enfermidades.

Surge agora mais uma proposta totalmente descabida. Um grupo de iluminados quer aumentar o tempo da residência em clínica médica para três anos, algo absolutamente injustificável e sem qualquer base sólida, do ponto de vista das evidências.

Para fazer jus ao título de médico clínico são necessários dois anos de residência após a graduação. É o tempo ideal à boa formação. Está demonstrado na prática e em pesquisas que, ao concluir o R2, o profissional tem plena condição de oferecer a melhor assistência aos cidadãos. As instituições não teriam nem o que oferecer de currículo em um ano a mais.

Lamentavelmente, o lobby já citado quer, de qualquer forma e de cima para baixo, aumentar o tempo de residência. A única explicação é que o fazem só para explorar o médico jovem como mão de obra barata.

Como presidente da SBCM (Sociedade Brasileira de Clínica Médica), registro publicamente que jamais nos curvaremos a interesses de uns poucos em detrimento da coletividade.

Combateremos no campo das ideias e das evidências esse grupo sem consistência, que desrespeita os direitos democráticos dos médicos clínicos e vira as costas para a necessidade premente de assistência de qualidade aos brasileiros.

Aliás, a SBCM esclarece que um biênio de estudos, além de perfeito do ponto de vista da capacitação, também possibilita que um médico almeje se especializar em outra área ainda jovem.

Tenham certeza de que estamos vigilantes em defesa do médico e dos pacientes. Enfrentaremos com firmeza quaisquer que sejam os poderosos que desejam manter o residente eternamente como mão de obra barata, quase em regime de servidão, e não leva em consideração, em momento algum, o que é melhor para a medicina e para a população.

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