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Ibovespa cai 2,34% com aversão ao risco por guerra comercial



23/08/2019 | 18:24


Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deflagraram uma onda de aversão ao risco nos mercados globais, da qual a bolsa brasileira não escapou. O temor de acirramento da guerra comercial entre EUA e China derrubou os mercados na Europa e nos Estados Unidos e o Índice Bovespa perdeu 2,34% e fechou aos 97.667,49 pontos, menor nível desde 17 de junho. O cenário doméstico também contribuiu para o desempenho negativo do mercado doméstico, afirmaram analistas.

Depois de uma abertura negativa, o Ibovespa preparava-se para uma recuperação após declarações bem avaliadas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Foi quando Donald Trump entrou em campo para desfazer o que Powell havia construído no ânimo do investidor. Pesou principalmente o aviso de que os Estados Unidos anunciariam hoje nova lista de medidas comerciais contra a China, que mais cedo havia acenado com a sobretaxação de US$ 75 milhões em produtos americanos.

Das 66 ações da carteira do Ibovespa, somente Smiles ON terminou o dia em alta, com +2,83%. Entre as blue chips, as quedas mais significativas ficaram com papéis ligados a commodities, em especial os da Petrobras, que recuaram mais de 3%. O setor financeiro, bloco mais líquido e importante do índice, caiu em bloco e exerceu influência significativa para a queda do índice.

"Foi uma aversão ao risco bastante forte e nem mesmo as ações que em geral são beneficiadas pela alta do dólar escaparam. A queda foi resultado da soma do cenário externo conturbado com o ambiente doméstico igualmente conturbado", disse Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

Arbetman afirma o aumento do clima de beligerância na relação comercial entre Estados Unidos e China se somou a pontos de desconforto no Brasil, como os dados fracos da economia e os sinais de obstrução à reforma da Previdência no Senado, com apresentação de destaques que indicam que a votação da matéria na Casa pode não ser tão fácil quanto se esperava.

Para Michel Viriato, coordenador do laboratório de Finanças do Insper, a queda do Ibovespa hoje não difere do desempenho de outros mercados emergentes, que também sofrem com a fuga de recursos externos em meio à instabilidade do ambiente internacional. Ele ressalta que o desempenho do Ibovespa segue muito próximo dos demais emergentes nos acumulados dos últimos meses ou anos, com pequenas vantagens ou desvantagens, conforme o período medido.

"Os principais riscos para o Brasil e outros emergentes hoje estão no mercado internacional, porque são países com grande dependência de recursos externos e de China. O investidor estrangeiro está cauteloso em investir em um país que está atrasado nas reformas e em recessão há cinco anos. Mas isso não torna o Brasil diferente dos demais emergentes", afirma ele.

Com o resultado desta sexta, o Ibovespa encerra a semana com queda acumulada de 2,14%.



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Ibovespa cai 2,34% com aversão ao risco por guerra comercial


23/08/2019 | 18:24


Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deflagraram uma onda de aversão ao risco nos mercados globais, da qual a bolsa brasileira não escapou. O temor de acirramento da guerra comercial entre EUA e China derrubou os mercados na Europa e nos Estados Unidos e o Índice Bovespa perdeu 2,34% e fechou aos 97.667,49 pontos, menor nível desde 17 de junho. O cenário doméstico também contribuiu para o desempenho negativo do mercado doméstico, afirmaram analistas.

Depois de uma abertura negativa, o Ibovespa preparava-se para uma recuperação após declarações bem avaliadas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Foi quando Donald Trump entrou em campo para desfazer o que Powell havia construído no ânimo do investidor. Pesou principalmente o aviso de que os Estados Unidos anunciariam hoje nova lista de medidas comerciais contra a China, que mais cedo havia acenado com a sobretaxação de US$ 75 milhões em produtos americanos.

Das 66 ações da carteira do Ibovespa, somente Smiles ON terminou o dia em alta, com +2,83%. Entre as blue chips, as quedas mais significativas ficaram com papéis ligados a commodities, em especial os da Petrobras, que recuaram mais de 3%. O setor financeiro, bloco mais líquido e importante do índice, caiu em bloco e exerceu influência significativa para a queda do índice.

"Foi uma aversão ao risco bastante forte e nem mesmo as ações que em geral são beneficiadas pela alta do dólar escaparam. A queda foi resultado da soma do cenário externo conturbado com o ambiente doméstico igualmente conturbado", disse Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

Arbetman afirma o aumento do clima de beligerância na relação comercial entre Estados Unidos e China se somou a pontos de desconforto no Brasil, como os dados fracos da economia e os sinais de obstrução à reforma da Previdência no Senado, com apresentação de destaques que indicam que a votação da matéria na Casa pode não ser tão fácil quanto se esperava.

Para Michel Viriato, coordenador do laboratório de Finanças do Insper, a queda do Ibovespa hoje não difere do desempenho de outros mercados emergentes, que também sofrem com a fuga de recursos externos em meio à instabilidade do ambiente internacional. Ele ressalta que o desempenho do Ibovespa segue muito próximo dos demais emergentes nos acumulados dos últimos meses ou anos, com pequenas vantagens ou desvantagens, conforme o período medido.

"Os principais riscos para o Brasil e outros emergentes hoje estão no mercado internacional, porque são países com grande dependência de recursos externos e de China. O investidor estrangeiro está cauteloso em investir em um país que está atrasado nas reformas e em recessão há cinco anos. Mas isso não torna o Brasil diferente dos demais emergentes", afirma ele.

Com o resultado desta sexta, o Ibovespa encerra a semana com queda acumulada de 2,14%.

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