Fechar
Publicidade

Domingo, 15 de Setembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Cultura & Lazer

cultura@dgabc.com.br | 4435-8364

Ruth Rocha lança antologia de sua obra

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Comemorando 50 anos como autora diz que carreira "é quase um milagre"


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

23/08/2019 | 07:04


Peço licença para tecer um relato pessoal. Toda sexta-feira meu filho, que tem 6 anos e está no 1º ano do Ensino Fundamental, escolhe um livro na biblioteca de sua escola para lermos juntos em casa. Os títulos mudam, é claro, mas a autora eleita é sempre a mesma: Ruth Rocha. Falamos do micro para expor o macro. Há 50 anos, a autora, que se apaixonou pela leitura ainda pequena, por influência de seu avô, encanta crianças do País todo. “É quase um milagre (completar cinco décadas de carreira) porque eu comecei a escrever tinha 38, tarde, digamos. É uma coisa muito importante e muito emocionante. Fico satisfeita de ter feito uma obra tão grande”, analisa a autora. E, de modo a comemorar toda essa história, acaba de ser lançada a Antologia Ruth Rocha (Editora Salamandra, 216 páginas, R$ 56, em média).

Com a seleção e organização de Marisa Lajolo e Lenice Bueno, o livro contém diversas histórias já conhecidas da autora, entre elas Marcelo, Marmelo, Martelo; O Reizinho Mandão; As Coisas que a Gente Fala e Romeu e Julieta. “Este livro reúne algumas das histórias de Ruth Rocha. Ele pretende ser um portal para você entrar no mundo da obra desta grande escritora, que nasceu e vive em São Paulo, mas é conhecida no mundo inteiro pela tradução de seus livros para muitas outras línguas”, ressalta Marisa Lajolo no prefácio do volume. E completa: “A identificação de Ruth com o seu público é muito grande. Tão grande que, em 1988, a Organização das Nações Unidas confiou a ela a versão infantil da Declaração Universal dos Direitos Humanos (iguais e livres) e, em 1990, uma proposta de um livro sobre ecologia para crianças, publicada com o belo título de Azul é Lindo: Planeta Terra, Nossa Casa.”

Ruth foi orientadora educacional e editora, começou a escrever artigos sobre educação para a revista Cláudia, em 1967. Em 1969, passou a escrever histórias infantis para a revista Recreio. Em 1976, teve seu primeiro livro editado. De lá para cá publicou mais de 100 deles no Brasil e 20 no Exterior, em 19 diferentes idiomas, e já vendeu milhões de títulos, que renderam centenas de prêmios nacionais e internacionais.

“Criança é a melhor coisa do mundo. Sempre que posso converso com elas, é sempre uma troca muito boa. Por isso, trabalhei e continuo trabalhando para elas”, justifica Ruth, que prepara também um Almanaque Da Turma do Marcelo, a ser lançado no fim do ano e está em negociação para virar uma série televisiva.

Para ela, ter esses projetos, estar com a família e ter saúde são essenciais para se sentir plena, aos 88 anos. E qual é seu sonho hoje, Ruth? “É viver em paz. Só não estou mais feliz porque estou vendo o Brasil nesta situação.” O que acha que deveria ser feito para que essa realidade mudasse? “Acho que não posso dizer porque vou presa (risos). Quando escrevi O Reizinho Mandão, uma criança me perguntou: ‘Esse é o presidente da República?’ Eu disse: ‘Pode ser’... Ele perguntou: ‘Você não tem medo da polícia?’. Respondi: ‘Eu tenho medo da polícia (risos)’. Foi escrito em 1976, era bem no tempo da ditadura, mas serve perfeitamente para hoje”, finaliza. O livro fala sobre a morte de um rei sábio e justo, o que leva ao trono seu filho mimado e mandão. Além de criar leis absurdas, seu autoritarismo faz o povo literalmente perder a voz. 



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Ruth Rocha lança antologia de sua obra

Comemorando 50 anos como autora diz que carreira "é quase um milagre"

Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

23/08/2019 | 07:04


Peço licença para tecer um relato pessoal. Toda sexta-feira meu filho, que tem 6 anos e está no 1º ano do Ensino Fundamental, escolhe um livro na biblioteca de sua escola para lermos juntos em casa. Os títulos mudam, é claro, mas a autora eleita é sempre a mesma: Ruth Rocha. Falamos do micro para expor o macro. Há 50 anos, a autora, que se apaixonou pela leitura ainda pequena, por influência de seu avô, encanta crianças do País todo. “É quase um milagre (completar cinco décadas de carreira) porque eu comecei a escrever tinha 38, tarde, digamos. É uma coisa muito importante e muito emocionante. Fico satisfeita de ter feito uma obra tão grande”, analisa a autora. E, de modo a comemorar toda essa história, acaba de ser lançada a Antologia Ruth Rocha (Editora Salamandra, 216 páginas, R$ 56, em média).

Com a seleção e organização de Marisa Lajolo e Lenice Bueno, o livro contém diversas histórias já conhecidas da autora, entre elas Marcelo, Marmelo, Martelo; O Reizinho Mandão; As Coisas que a Gente Fala e Romeu e Julieta. “Este livro reúne algumas das histórias de Ruth Rocha. Ele pretende ser um portal para você entrar no mundo da obra desta grande escritora, que nasceu e vive em São Paulo, mas é conhecida no mundo inteiro pela tradução de seus livros para muitas outras línguas”, ressalta Marisa Lajolo no prefácio do volume. E completa: “A identificação de Ruth com o seu público é muito grande. Tão grande que, em 1988, a Organização das Nações Unidas confiou a ela a versão infantil da Declaração Universal dos Direitos Humanos (iguais e livres) e, em 1990, uma proposta de um livro sobre ecologia para crianças, publicada com o belo título de Azul é Lindo: Planeta Terra, Nossa Casa.”

Ruth foi orientadora educacional e editora, começou a escrever artigos sobre educação para a revista Cláudia, em 1967. Em 1969, passou a escrever histórias infantis para a revista Recreio. Em 1976, teve seu primeiro livro editado. De lá para cá publicou mais de 100 deles no Brasil e 20 no Exterior, em 19 diferentes idiomas, e já vendeu milhões de títulos, que renderam centenas de prêmios nacionais e internacionais.

“Criança é a melhor coisa do mundo. Sempre que posso converso com elas, é sempre uma troca muito boa. Por isso, trabalhei e continuo trabalhando para elas”, justifica Ruth, que prepara também um Almanaque Da Turma do Marcelo, a ser lançado no fim do ano e está em negociação para virar uma série televisiva.

Para ela, ter esses projetos, estar com a família e ter saúde são essenciais para se sentir plena, aos 88 anos. E qual é seu sonho hoje, Ruth? “É viver em paz. Só não estou mais feliz porque estou vendo o Brasil nesta situação.” O que acha que deveria ser feito para que essa realidade mudasse? “Acho que não posso dizer porque vou presa (risos). Quando escrevi O Reizinho Mandão, uma criança me perguntou: ‘Esse é o presidente da República?’ Eu disse: ‘Pode ser’... Ele perguntou: ‘Você não tem medo da polícia?’. Respondi: ‘Eu tenho medo da polícia (risos)’. Foi escrito em 1976, era bem no tempo da ditadura, mas serve perfeitamente para hoje”, finaliza. O livro fala sobre a morte de um rei sábio e justo, o que leva ao trono seu filho mimado e mandão. Além de criar leis absurdas, seu autoritarismo faz o povo literalmente perder a voz. 

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;