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Desemprego na Grande SP chega a 14,1%

Marina Brandão/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Dados da Pnad, do IBGE, indicam queda no índice no 2º trimestre, mas taxa é maior que a do País, do Estado e da Capital; especialista mostra pessimismo


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

16/08/2019 | 07:00


A taxa de desemprego na Região Metropolitana recuou no segundo trimestre de 2019, chegando ao melhor patamar em três anos (quarto trimestre de 2016). Entretanto, os índices de desocupação da Grande São Paulo divulgados ontem na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), são maiores do que os do País, do Estado e da Capital.

Entre abril e junho, o índice de desocupação da Região Metropolitana, onde está incluso o Grande ABC, foi de 14,1%, 0,7 ponto percentual menor do que o registrado no primeiro trimestre do ano. Nos últimos três meses de 2016, esse dado foi de 13,5%, o melhor desempenho em três anos. O volume de desempregados na Capital foi de 13,5%, do Estado foi de 12,8% e do País, 12%.

Para Volney Gouveia, professor da Escola de Negócios da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e titular do grupo de pesquisa do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS), os dados não podem ser encarados como melhora da economia. Na avaliação do especialista, a redução da população economicamente ativa por parte do Ministério da Economia causa falsa impressão de incremento proporcional da geração de emprego. Ele também pontuou que a precarização dos postos de trabalho impede um impulso consolidado da economia.

“Desafio maior é retomar o crescimento. Enquanto nós estivermos em situação de recessão técnica, na casa em que falta pão todo mundo briga e ninguém tem razão. Ficamos contemporizando os números. Vamos buscar nas entrelinhas qualquer recuperação, a gente tende a comemorar. Mas não é bem assim”, comentou Gouveia. “Há três indicadores estruturais da economia: os índices de confiança do empresário e do consumidor, além da taxa de investimento de formação bruta em capital. Esses olham para horizonte de médio e longo prazos. Só que todos esses indicadores estão ruins.”

Enquanto a taxa de desemprego desacelerou na Região Metropolitana, caiu o rendimento médio do trabalhador empregado na Grande São Paulo pelo terceiro trimestre consecutivo. Entre outubro e dezembro, o salário médio era de R$ 3.460. Esse número teve queda no primeiro trimestre, para R$ 3.456, e, agora está em R$ 3.440.

Para Gouveia, esse indicativo da Pnad reforça que está em curso o processo de ‘uberização’, no qual trabalhadores recorrem a atividades informais, como motoristas de aplicativo. Segundo o especialista, esse movimento pouco contribui para estruturação consolidada da economia brasileira.

“Não existem condições efetivas de falar em rota de recuperação. Há necessidade de se fazer ajuste em legislação trabalhista, mas não é a grande causadora (da crise). Maior problema é falta de políticas econômicas do governo de forma mais efetiva, atacar a agenda desafiadora de geração de emprego. A atual agenda deve produzir resultados somente em longo prazo, algo em torno de dois a três anos. Não há movimento mais direto de política para produzir emprego.” 

Mais de 3 mi procuram vaga há pelo menos 2 anos

Contingente de 3,35 milhões de desempregados no País procura trabalho há pelo menos dois anos. Isso equivale a 26,2% (ou cerca de uma em cada quatro) de pessoas no total de desocupados no Brasil. Os números, do segundo trimestre deste ano, são recorde desde o início da série histórica da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), em 2012. Segundo os dados, no segundo trimestre de 2018, o contingente de desempregados procurando trabalho há no mínimo dois anos tinha menos 196 mil pessoas, ou seja, era de 3,15 milhões. No segundo trimestre de 2015, esse número era de 1,43 milhão de pessoas, menos da metade do segundo trimestre deste ano.

“A proporção de pessoas à procura de trabalho em períodos mais curtos está diminuindo, mas tem crescido nos mais longos. Parte delas pode ter conseguido emprego, mas outra aumentou seu tempo de procura para os dois anos”, avalia a analista da PNAD Contínua Adriana Beringuy.

DESALENTO

A Região Nordeste tem quase 3 milhões de pessoas em situação de desalento, ou seja, 2,919 milhões de habitantes da região não procuravam emprego por acreditar que não conseguiriam uma vaga, por exemplo. 

O Brasil registrou um recorde de 4,877 milhões de pessoas em situação de desalento no segundo trimestre de 2019. Os maiores contingentes estavam na Bahia (766 mil pessoas) e no Maranhão (588 mil). Os Estados com menor população desalentada foram Amapá (13 mil) e Rondônia (15 mil). O percentual de pessoas desalentadas – em relação a todos os desocupados, ocupados e pessoas com disponibilidade para trabalhar, mas que não estão procurando emprego – foi de 4,4% na média do País, mas alcançou 18,4% no Maranhão e 15,2% em Alagoas.



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Desemprego na Grande SP chega a 14,1%

Dados da Pnad, do IBGE, indicam queda no índice no 2º trimestre, mas taxa é maior que a do País, do Estado e da Capital; especialista mostra pessimismo

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

16/08/2019 | 07:00


A taxa de desemprego na Região Metropolitana recuou no segundo trimestre de 2019, chegando ao melhor patamar em três anos (quarto trimestre de 2016). Entretanto, os índices de desocupação da Grande São Paulo divulgados ontem na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), são maiores do que os do País, do Estado e da Capital.

Entre abril e junho, o índice de desocupação da Região Metropolitana, onde está incluso o Grande ABC, foi de 14,1%, 0,7 ponto percentual menor do que o registrado no primeiro trimestre do ano. Nos últimos três meses de 2016, esse dado foi de 13,5%, o melhor desempenho em três anos. O volume de desempregados na Capital foi de 13,5%, do Estado foi de 12,8% e do País, 12%.

Para Volney Gouveia, professor da Escola de Negócios da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) e titular do grupo de pesquisa do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS), os dados não podem ser encarados como melhora da economia. Na avaliação do especialista, a redução da população economicamente ativa por parte do Ministério da Economia causa falsa impressão de incremento proporcional da geração de emprego. Ele também pontuou que a precarização dos postos de trabalho impede um impulso consolidado da economia.

“Desafio maior é retomar o crescimento. Enquanto nós estivermos em situação de recessão técnica, na casa em que falta pão todo mundo briga e ninguém tem razão. Ficamos contemporizando os números. Vamos buscar nas entrelinhas qualquer recuperação, a gente tende a comemorar. Mas não é bem assim”, comentou Gouveia. “Há três indicadores estruturais da economia: os índices de confiança do empresário e do consumidor, além da taxa de investimento de formação bruta em capital. Esses olham para horizonte de médio e longo prazos. Só que todos esses indicadores estão ruins.”

Enquanto a taxa de desemprego desacelerou na Região Metropolitana, caiu o rendimento médio do trabalhador empregado na Grande São Paulo pelo terceiro trimestre consecutivo. Entre outubro e dezembro, o salário médio era de R$ 3.460. Esse número teve queda no primeiro trimestre, para R$ 3.456, e, agora está em R$ 3.440.

Para Gouveia, esse indicativo da Pnad reforça que está em curso o processo de ‘uberização’, no qual trabalhadores recorrem a atividades informais, como motoristas de aplicativo. Segundo o especialista, esse movimento pouco contribui para estruturação consolidada da economia brasileira.

“Não existem condições efetivas de falar em rota de recuperação. Há necessidade de se fazer ajuste em legislação trabalhista, mas não é a grande causadora (da crise). Maior problema é falta de políticas econômicas do governo de forma mais efetiva, atacar a agenda desafiadora de geração de emprego. A atual agenda deve produzir resultados somente em longo prazo, algo em torno de dois a três anos. Não há movimento mais direto de política para produzir emprego.” 

Mais de 3 mi procuram vaga há pelo menos 2 anos

Contingente de 3,35 milhões de desempregados no País procura trabalho há pelo menos dois anos. Isso equivale a 26,2% (ou cerca de uma em cada quatro) de pessoas no total de desocupados no Brasil. Os números, do segundo trimestre deste ano, são recorde desde o início da série histórica da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), em 2012. Segundo os dados, no segundo trimestre de 2018, o contingente de desempregados procurando trabalho há no mínimo dois anos tinha menos 196 mil pessoas, ou seja, era de 3,15 milhões. No segundo trimestre de 2015, esse número era de 1,43 milhão de pessoas, menos da metade do segundo trimestre deste ano.

“A proporção de pessoas à procura de trabalho em períodos mais curtos está diminuindo, mas tem crescido nos mais longos. Parte delas pode ter conseguido emprego, mas outra aumentou seu tempo de procura para os dois anos”, avalia a analista da PNAD Contínua Adriana Beringuy.

DESALENTO

A Região Nordeste tem quase 3 milhões de pessoas em situação de desalento, ou seja, 2,919 milhões de habitantes da região não procuravam emprego por acreditar que não conseguiriam uma vaga, por exemplo. 

O Brasil registrou um recorde de 4,877 milhões de pessoas em situação de desalento no segundo trimestre de 2019. Os maiores contingentes estavam na Bahia (766 mil pessoas) e no Maranhão (588 mil). Os Estados com menor população desalentada foram Amapá (13 mil) e Rondônia (15 mil). O percentual de pessoas desalentadas – em relação a todos os desocupados, ocupados e pessoas com disponibilidade para trabalhar, mas que não estão procurando emprego – foi de 4,4% na média do País, mas alcançou 18,4% no Maranhão e 15,2% em Alagoas.

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