Fechar
Publicidade

Terça-Feira, 17 de Setembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

|

Armando Mazzo, Mario Porfirio, Olga Montanari...

A visita que acendeu no imaginário do menino Martins o interesse pela verdadeira história


Ademir Medici

12/08/2019 | 07:00


Encerramos a II Semana São Caetano 2019 com a conclusão do artigo do professor José de Souza Martins, cuja primeira parte foi ontem publicada aqui em Memória. Entre os vários nomes citados, Martins refere-se com especial carinho à visita promovida pela professora Olga Montanari de Melo ao Museu do Ipiranga, e da qual participou. Aquela visita foi definitiva. 

O ABC getulista

Texto: José de Souza Martins

Nessa fábrica (Louças Adelina, no Centro de São Caetano), além do Jayme da Costa Patrão, trabalharam o Mário Porfírio Rodrigues e sua futura primeira mulher. Trabalhavam, também, praticamente, todos os meus vizinhos, pois eu morava a pouco mais de dois quarteirões dali, na Rua Paraíba, 124, atravessando o campo do Corintinha. 

No lado oposto ao da fábrica, havia a casa mais bonita da área, a do dono da fábrica de velas, a Metalquímica Glória. A fábrica e a casa haviam sido de Ettore Lantieri, um italiano ‘camicia nera’, vinculado ao movimento fascista, como vários dos italianos de São Caetano. 

No muro de tijolos aparentes, dessa casa, do lado da Rua Pernambuco, alguém pintara com piche, em grandes letras pretas, irremovíveis: “Armando Mazzo”, sobra de uma eleição já passada, a de 1947. Mazzo era um operário comunista, que fora deputado estadual e, depois, candidato a prefeito do então município de Santo André, que abrangia todo o ABC, menos São Bernardo. O partido já estava na ilegalidade e ele se candidatara por outro partido (o PST). Foi eleito e cassado pela Justiça Eleitoral no dia da posse. 

Aquela foi a primeira publicidade política que li. A molecada da região tinha pavor da casa. Dizia que, todas as manhãs, a cabeça degolada e viva de um príncipe russo, do beiral da janela, ficava espiando e assombrando quem passasse pela rua. 

Era curiosa mistura imaginária de histórias opostas. Uma de direita e outra de esquerda. A de direita interpretava o que acontecera com a família do czar da Rússia, assassinada pelos comunistas. A de esquerda estava no nome de Mazzo, comunista, pintado no muro da casa de um fascista. As ideologias se confrontavam em radicalismos de paredes e janelas. 

Olga Montanari de Melo, que lá trabalhou, foi minha professora na Escola Paroquial de São Caetano, anexa à Matriz Nova da Sagrada Família. Foi ela quem levou os alunos a uma visita inesquecível ao Museu do Ipiranga. Visita que acendeu no meu imaginário o interesse pela verdadeira história. 

Ela foi, também, a combativa vereadora que mobilizou várias pessoas para visita ao presidente Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, quando a fábrica foi fechada repentinamente em decorrência de briga de família, dos donos. Brigaram por herança durante uma noite e fecharam a fábrica na manhã seguinte. 

As carteiras de trabalho dos operários ficaram retidas. Eles não podiam procurar novo emprego sem a baixa no emprego na fábrica Adelina. Getúlio baixou um decreto, na hora, estabelecendo que, em casos assim, o trabalhador não perdia seus direitos em relação ao emprego anterior se arrumasse novo emprego em outra empresa. Isso ajuda a entender por que a imensa maioria dos moradores do hoje ABC era getulista, como se dizia.

NOTA DA MEMÓRIA 

A odisseia de Olga Montanari de Melo, em defesa dos operários da Louças Adelina, alongou-se por décadas. O desfecho está documentado, dia a dia, inclusive com fotos, no noticiário de época do Diário do Grande ABC. Aquele material seria suficiente para uma III Semana São Caetano.

Diário há 30 anos

Sábado, 12 de agosto de 1989 – ano 32, edição 7142

Manchete – Prefeito põe Diadema sob calamidade. Invasores do Buraco do Gazuza voltam ao trabalho de demarcação dos lotes. Barricadas continuam.

ABC – Prefeituras de Santo André, São Bernardo e São Caetano reuniram-se com o secretário de Energia e Saneamento, João Osvaldo Leiva, e definiram os termos de um futuro convênio com a Sabesp.

Eleições 89 – PRN de Collor recebe PT com paus em Alagoas.

Cultura & Lazer – Zé Kétti apresenta, no Teatro Clara Nunes, em Diadema, o show Por traz da Máscara Negra; espetáculo é fotografado por J. B. Ferreira.


Em 12 de agosto de...

1904 – Ramiro Colleoni, comerciante, nasce em São Bernardo. Hoje é nome da avenida em trecho do Córrego Carapetuba, afluente do Tamanduateí em Santo André.

1909 – Noemio Spada, professor, nasce em São João da Boa Vista, um dos defensores da criação do Museu de Santo André.

Nota – Professor Noêmio Spada um dia chamou este repórter à sua casa e nos deu uma caixa de livros e documentos, entre os quais o original do <CF160>Álbum de São Bernardo</CF>, de João Netto Caldeira, lançado em 1937. Livro essencial.

1984 – Inaugurado o Crematório de Vila Alpina, sem nenhuma cremação naquele dia.

Hoje

- Dia Internacional da Juventude

- Dia Nacional das Artes

- Dia Nacional de Luta Contra a Violência no Campo e por Reforma Agrária

Santos do dia

- Inocêncio XI (1611-1689). Bem-aventurado. Papa. Chamado de “O pai dos pobres”

- Euplúsio. Mártir. Faleceu na Sicilia no século IV

- Hilária 

Municípios brasileiros

Celebram aniversários em 12 de agosto:

- Em São Paulo, Cananeia. Fundado por Martim Afonso de Souza, o segundo mais antigo do Brasil. O primeiro é São Vicente, também fundado por Martim Afonso de Souza.

- No Espírito Santo, Anchieta

- Na Bahia, Cansanção, Central, Itambé e Valente

- No Ceará, Madalena

- No Paraná, Prudentópolis

Fonte: IBGE



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Armando Mazzo, Mario Porfirio, Olga Montanari...

A visita que acendeu no imaginário do menino Martins o interesse pela verdadeira história

Ademir Medici

12/08/2019 | 07:00


Encerramos a II Semana São Caetano 2019 com a conclusão do artigo do professor José de Souza Martins, cuja primeira parte foi ontem publicada aqui em Memória. Entre os vários nomes citados, Martins refere-se com especial carinho à visita promovida pela professora Olga Montanari de Melo ao Museu do Ipiranga, e da qual participou. Aquela visita foi definitiva. 

O ABC getulista

Texto: José de Souza Martins

Nessa fábrica (Louças Adelina, no Centro de São Caetano), além do Jayme da Costa Patrão, trabalharam o Mário Porfírio Rodrigues e sua futura primeira mulher. Trabalhavam, também, praticamente, todos os meus vizinhos, pois eu morava a pouco mais de dois quarteirões dali, na Rua Paraíba, 124, atravessando o campo do Corintinha. 

No lado oposto ao da fábrica, havia a casa mais bonita da área, a do dono da fábrica de velas, a Metalquímica Glória. A fábrica e a casa haviam sido de Ettore Lantieri, um italiano ‘camicia nera’, vinculado ao movimento fascista, como vários dos italianos de São Caetano. 

No muro de tijolos aparentes, dessa casa, do lado da Rua Pernambuco, alguém pintara com piche, em grandes letras pretas, irremovíveis: “Armando Mazzo”, sobra de uma eleição já passada, a de 1947. Mazzo era um operário comunista, que fora deputado estadual e, depois, candidato a prefeito do então município de Santo André, que abrangia todo o ABC, menos São Bernardo. O partido já estava na ilegalidade e ele se candidatara por outro partido (o PST). Foi eleito e cassado pela Justiça Eleitoral no dia da posse. 

Aquela foi a primeira publicidade política que li. A molecada da região tinha pavor da casa. Dizia que, todas as manhãs, a cabeça degolada e viva de um príncipe russo, do beiral da janela, ficava espiando e assombrando quem passasse pela rua. 

Era curiosa mistura imaginária de histórias opostas. Uma de direita e outra de esquerda. A de direita interpretava o que acontecera com a família do czar da Rússia, assassinada pelos comunistas. A de esquerda estava no nome de Mazzo, comunista, pintado no muro da casa de um fascista. As ideologias se confrontavam em radicalismos de paredes e janelas. 

Olga Montanari de Melo, que lá trabalhou, foi minha professora na Escola Paroquial de São Caetano, anexa à Matriz Nova da Sagrada Família. Foi ela quem levou os alunos a uma visita inesquecível ao Museu do Ipiranga. Visita que acendeu no meu imaginário o interesse pela verdadeira história. 

Ela foi, também, a combativa vereadora que mobilizou várias pessoas para visita ao presidente Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, quando a fábrica foi fechada repentinamente em decorrência de briga de família, dos donos. Brigaram por herança durante uma noite e fecharam a fábrica na manhã seguinte. 

As carteiras de trabalho dos operários ficaram retidas. Eles não podiam procurar novo emprego sem a baixa no emprego na fábrica Adelina. Getúlio baixou um decreto, na hora, estabelecendo que, em casos assim, o trabalhador não perdia seus direitos em relação ao emprego anterior se arrumasse novo emprego em outra empresa. Isso ajuda a entender por que a imensa maioria dos moradores do hoje ABC era getulista, como se dizia.

NOTA DA MEMÓRIA 

A odisseia de Olga Montanari de Melo, em defesa dos operários da Louças Adelina, alongou-se por décadas. O desfecho está documentado, dia a dia, inclusive com fotos, no noticiário de época do Diário do Grande ABC. Aquele material seria suficiente para uma III Semana São Caetano.

Diário há 30 anos

Sábado, 12 de agosto de 1989 – ano 32, edição 7142

Manchete – Prefeito põe Diadema sob calamidade. Invasores do Buraco do Gazuza voltam ao trabalho de demarcação dos lotes. Barricadas continuam.

ABC – Prefeituras de Santo André, São Bernardo e São Caetano reuniram-se com o secretário de Energia e Saneamento, João Osvaldo Leiva, e definiram os termos de um futuro convênio com a Sabesp.

Eleições 89 – PRN de Collor recebe PT com paus em Alagoas.

Cultura & Lazer – Zé Kétti apresenta, no Teatro Clara Nunes, em Diadema, o show Por traz da Máscara Negra; espetáculo é fotografado por J. B. Ferreira.


Em 12 de agosto de...

1904 – Ramiro Colleoni, comerciante, nasce em São Bernardo. Hoje é nome da avenida em trecho do Córrego Carapetuba, afluente do Tamanduateí em Santo André.

1909 – Noemio Spada, professor, nasce em São João da Boa Vista, um dos defensores da criação do Museu de Santo André.

Nota – Professor Noêmio Spada um dia chamou este repórter à sua casa e nos deu uma caixa de livros e documentos, entre os quais o original do <CF160>Álbum de São Bernardo</CF>, de João Netto Caldeira, lançado em 1937. Livro essencial.

1984 – Inaugurado o Crematório de Vila Alpina, sem nenhuma cremação naquele dia.

Hoje

- Dia Internacional da Juventude

- Dia Nacional das Artes

- Dia Nacional de Luta Contra a Violência no Campo e por Reforma Agrária

Santos do dia

- Inocêncio XI (1611-1689). Bem-aventurado. Papa. Chamado de “O pai dos pobres”

- Euplúsio. Mártir. Faleceu na Sicilia no século IV

- Hilária 

Municípios brasileiros

Celebram aniversários em 12 de agosto:

- Em São Paulo, Cananeia. Fundado por Martim Afonso de Souza, o segundo mais antigo do Brasil. O primeiro é São Vicente, também fundado por Martim Afonso de Souza.

- No Espírito Santo, Anchieta

- Na Bahia, Cansanção, Central, Itambé e Valente

- No Ceará, Madalena

- No Paraná, Prudentópolis

Fonte: IBGE

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;