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Invasão do grupo de Marighella às ondas do rádio em Diadema

Reprodução/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Operação encaminhada pelo guerrilheiro usou transmissores da Nacional, afiliada da Globo, para massificar manifesto gravado da Ação Libertadora


Fábio Martins
Do Diário do Grande ABC

11/08/2019 | 07:00


Invasão nos transmissores da Rádio Nacional, afiliada das Organizações Globo, então situada em Diadema, marcou manifesto do grupo do guerrilheiro Carlos Marighella ocorrido há quase 50 anos, especificamente no dia 15 de agosto de 1969. À época, a ALN (Ação Libertadora Nacional), movimento de luta armada contra a ditadura militar (1964-1985), realizou operação para dominar o espaço no bairro Piraporinha, com a proposta de divulgação em massa da gravação, com a voz de Marighella, embora o líder não tenha atuado neste episódio.

A biografia de Marighella, escrita por Mário Magalhães, atesta a ação no Grande ABC, efetivada por volta das 8h30. O grupo chegou em dois carros, com 12 guerrilheiros, e estacionou na Avenida Fagundes de Oliveira. Seis entraram e a outra metade permaneceu do lado de fora. Funcionários foram rendidos. Eles cortaram o som emitido na sede da rádio – veículo de maior abrangência no País na oportunidade –, que ficava em Santa Cecília, na Capital, a 27 quilômetros dali, e conectaram o áudio para a antena, cujo sinal alcançaria o raio de 600 quilômetros no horário de pico.

Com Hino Nacional ao fundo, Gilberto Belloque, integrante do grupo, emprestou a voz e preencheu a fita. “Brasileiros, queremos esclarecer à opinião pública que os últimos atentados contra as emissoras de TV são contra os revolucionários. Deixamos bem claro que nossos atos de sabotagem e terrorismo são voltados contra a ditadura militar e o imperialismo americano”, dizia trecho.

O espaço na Fagundes de Oliveira foi escolhido a dedo. A via era denominada por parte dos moradores de Avenida Excelsior por causa da Nacional, mas militares e policiais demorariam a perceber que a invasão não acontecera na sede da rádio, na Capital. Desta forma, o grupo teria tempo para executar a ação. Eram 138 linhas de discurso. A antena reproduziu o pronunciamento três vezes. O sinal voltou ao ar quase às 9h10, apontando erroneamente Marighella como locutor. A estação foi desativada alguns anos mais tarde. No local, hoje, há prédios residenciais.

O historiador Walter Adão Carreiro, autor de publicação sobre as ruas de Diadema, relembrou que foto do local onde funcionou a rede de transmissão da rádio foi incorporada ao memorial enviado à Assembleia Legislativa, no processo encampado em dezembro de 1958, que tratava da emancipação do município, então distrito de São Bernardo. “Foram pouco mais de 20 imagens para o pedido de emancipação, entre elas a torre de transmissão da Rádio Nacional”, disse, ao citar que procurou reportagens da época que mencionassem o episódio, mas não encontrou registros para o acervo do Centro de Memória da cidade. “Foi algo inusitado, em espaço muito famoso na ocasião.”

Ex-deputado federal cassado, Marighella foi vítima de emboscada em 4 de novembro de 1969, com 57 anos. Antes disso, teve passagens pela prisão, resistência à tortura, participou do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em ação conjunta com o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), e em assaltos a bancos, carros-fortes e trem-pagador. 



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Invasão do grupo de Marighella às ondas do rádio em Diadema

Operação encaminhada pelo guerrilheiro usou transmissores da Nacional, afiliada da Globo, para massificar manifesto gravado da Ação Libertadora

Fábio Martins
Do Diário do Grande ABC

11/08/2019 | 07:00


Invasão nos transmissores da Rádio Nacional, afiliada das Organizações Globo, então situada em Diadema, marcou manifesto do grupo do guerrilheiro Carlos Marighella ocorrido há quase 50 anos, especificamente no dia 15 de agosto de 1969. À época, a ALN (Ação Libertadora Nacional), movimento de luta armada contra a ditadura militar (1964-1985), realizou operação para dominar o espaço no bairro Piraporinha, com a proposta de divulgação em massa da gravação, com a voz de Marighella, embora o líder não tenha atuado neste episódio.

A biografia de Marighella, escrita por Mário Magalhães, atesta a ação no Grande ABC, efetivada por volta das 8h30. O grupo chegou em dois carros, com 12 guerrilheiros, e estacionou na Avenida Fagundes de Oliveira. Seis entraram e a outra metade permaneceu do lado de fora. Funcionários foram rendidos. Eles cortaram o som emitido na sede da rádio – veículo de maior abrangência no País na oportunidade –, que ficava em Santa Cecília, na Capital, a 27 quilômetros dali, e conectaram o áudio para a antena, cujo sinal alcançaria o raio de 600 quilômetros no horário de pico.

Com Hino Nacional ao fundo, Gilberto Belloque, integrante do grupo, emprestou a voz e preencheu a fita. “Brasileiros, queremos esclarecer à opinião pública que os últimos atentados contra as emissoras de TV são contra os revolucionários. Deixamos bem claro que nossos atos de sabotagem e terrorismo são voltados contra a ditadura militar e o imperialismo americano”, dizia trecho.

O espaço na Fagundes de Oliveira foi escolhido a dedo. A via era denominada por parte dos moradores de Avenida Excelsior por causa da Nacional, mas militares e policiais demorariam a perceber que a invasão não acontecera na sede da rádio, na Capital. Desta forma, o grupo teria tempo para executar a ação. Eram 138 linhas de discurso. A antena reproduziu o pronunciamento três vezes. O sinal voltou ao ar quase às 9h10, apontando erroneamente Marighella como locutor. A estação foi desativada alguns anos mais tarde. No local, hoje, há prédios residenciais.

O historiador Walter Adão Carreiro, autor de publicação sobre as ruas de Diadema, relembrou que foto do local onde funcionou a rede de transmissão da rádio foi incorporada ao memorial enviado à Assembleia Legislativa, no processo encampado em dezembro de 1958, que tratava da emancipação do município, então distrito de São Bernardo. “Foram pouco mais de 20 imagens para o pedido de emancipação, entre elas a torre de transmissão da Rádio Nacional”, disse, ao citar que procurou reportagens da época que mencionassem o episódio, mas não encontrou registros para o acervo do Centro de Memória da cidade. “Foi algo inusitado, em espaço muito famoso na ocasião.”

Ex-deputado federal cassado, Marighella foi vítima de emboscada em 4 de novembro de 1969, com 57 anos. Antes disso, teve passagens pela prisão, resistência à tortura, participou do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em ação conjunta com o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), e em assaltos a bancos, carros-fortes e trem-pagador. 

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