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Relações entre o mundo e as sonoridades

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Gabriel Arrais mescla quadrinhos, música e ciência no universo da HQ ‘Savants Sounds’


Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

12/08/2019 | 07:44


Entre altos e baixos vividos pelo rock na década de 1990, a morte de Kurt Cobain (1967-1994), vocalista do grupo Nirvana e símbolo da revolução grunge, marcou época e uma geração que acompanhava o cenário. Um dos jovens tocados por esse momento foi Gabriel Arrais, 37 anos, que encontrou na música e nos quadrinhos linguagens para se expressar. Esses dois universos estão conectados de maneira especial nas páginas de sua próxima HQ: Savants Sounds.

Estudos com ondas sonoras, mecânica quântica e cultura pop serviram de material para que o roteirista desenvolvesse história sobre Boddah, personificação consciente do som que sai de todas as guitarras do planeta. “Ser guitarrista numa banda de rock com certeza influenciou muito na escolha por começar a contar essa história retratando os sons originários a partir de instrumentos musicais. Acho que transformar Boddah, o amigo imaginário que Cobain teve na infância, no personagem principal de Savants Sounds é tentar achar algum sentido na perda de um grande ídolo”, comenta o morador da Vila Príncipe de Gales, em Santo André.

O protagonista consegue interagir com crianças ao seu redor e outros seres que surgem a partir de sons. A jornada do personagem é movimentada quando percebe que pode ser enxergado por uma adulta, Stella, com quem começa a desenvolver inesperada relação. “As referências vão desde a animação Divertida Mente (Disney/Pixar) até o livro Deuses Americanos. Na obra de Neil Gaiman, as pessoas precisam acreditar em um deus para que ele exista. Em Savants Sounds, um som só existe enquanto ele é continuamente reproduzido, então temos sons primordiais, como o da água caindo, que nunca deixaram de existir, e outros que já foram muito presentes no planeta, como o som de uma máquina de escrever, que, hoje, praticamente deixou de existir. Criar personalidades para esses sons e amarrar com acontecimentos reais foi a parte mais legal ao escrever essa história”, diz o escritor, que começou a desenvolver o projeto em 2016.

Na publicação, ele volta a realizar parceria com o desenhista Rafael Vasconcelos Leite, o Abel, do Espírito Santo, com quem desenvolveu as últimas três edições de Necromorfus e venceu o Prêmio Le Blanc de Arte Sequencial na categoria história em quadrinhos independente nacional favorita, em 2018. A obra está dividida em quatro volumes. “Quando pensei no conceito de sons sencientes que pudessem ser personificados em espécie de avatar, todo um universo se abriu rapidamente. Fui lapidando a ideia e combinei com o Abel que essa história também seria ilustrada por ele. Agora os desenhos da primeira edição estão em fase de finalização. As próximas edições estão com o roteiro todo escaletado, mas só serão finalizadas após a primeira edição estar impressa”, explica Arrais.

A produção da parte inicial de Savants Sounds busca apoio do público por meio de ação coletiva no site Catarse (www.catarse.me/ss1). Os rapazes esperam reunir ajuda financeira de R$ 6.500 até 15 de novembro, com pacotes diferentes de recompensas para cada tipo de compra do público. “Por falta de tempo, eu peco por não divulgar tão bem as campanhas e elas acabam mais servindo como pré-venda das HQs. Mas o apoio coletivo tem possibilitado projetos incríveis saírem do sonho e se tornarem realidade.” Leitores de quadrinhos e fãs de rock surgem como principal alvo. 

Alex Mir busca apoio para ‘Orixás – Ikú’

A possibilidade de publicação editorial por meio de campanhas coletivas também conta com participação do roteirista Alex Mir, de Mauá. Nos últimos anos, ele tem chamado a atenção do mercado de quadrinhos e do público ao ter desenvolvido a história da saga Orixás, na qual explora elementos e personagens da mitologia africana.

Ele financiou as últimas edições também no site Catarse, um dos mais populares do gênero a promover projetos de diversos tipos. Sua nova aposta é Orixás – Ikú, obra na qual mostra que Ikú, a Morte, tem família com uma mortal e esse núcleo passa por tragédia, iniciando caminho de vingança e ódio contra humanos e outras entidades. A campanha tem meta de R$ 9.000 para serem reunidos até 3 de novembro, com valores de R$ 20 a R$ 115 podendo ser adquiridos pelo público, com diversas recompensas para cada pacote. Mir tem ajuda dos desenhistas Alex Rodrigues, Jefferson Costa, Marcel Bartholo e Will, além de retomar parceria com os artistas Al Stefano e Omar Viñole.

A série nasceu em 2011 e já conta com quatro capítulos. Em Guerra venceu o tradicional Troféu HQMIX, considerado o Oscar dos quadrinhos no Brasil, na edição de 2018 como publicação independente de grupo. O mais recente volume, Renascimento, concorre ao mesmo troféu na edição deste ano, que terá os vencedores anunciados em 15 de setembro, em cerimônia no Sesc Pompeia, na Capital.

Foto: Divulgação



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Relações entre o mundo e as sonoridades

Gabriel Arrais mescla quadrinhos, música e ciência no universo da HQ ‘Savants Sounds’

Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

12/08/2019 | 07:44


Entre altos e baixos vividos pelo rock na década de 1990, a morte de Kurt Cobain (1967-1994), vocalista do grupo Nirvana e símbolo da revolução grunge, marcou época e uma geração que acompanhava o cenário. Um dos jovens tocados por esse momento foi Gabriel Arrais, 37 anos, que encontrou na música e nos quadrinhos linguagens para se expressar. Esses dois universos estão conectados de maneira especial nas páginas de sua próxima HQ: Savants Sounds.

Estudos com ondas sonoras, mecânica quântica e cultura pop serviram de material para que o roteirista desenvolvesse história sobre Boddah, personificação consciente do som que sai de todas as guitarras do planeta. “Ser guitarrista numa banda de rock com certeza influenciou muito na escolha por começar a contar essa história retratando os sons originários a partir de instrumentos musicais. Acho que transformar Boddah, o amigo imaginário que Cobain teve na infância, no personagem principal de Savants Sounds é tentar achar algum sentido na perda de um grande ídolo”, comenta o morador da Vila Príncipe de Gales, em Santo André.

O protagonista consegue interagir com crianças ao seu redor e outros seres que surgem a partir de sons. A jornada do personagem é movimentada quando percebe que pode ser enxergado por uma adulta, Stella, com quem começa a desenvolver inesperada relação. “As referências vão desde a animação Divertida Mente (Disney/Pixar) até o livro Deuses Americanos. Na obra de Neil Gaiman, as pessoas precisam acreditar em um deus para que ele exista. Em Savants Sounds, um som só existe enquanto ele é continuamente reproduzido, então temos sons primordiais, como o da água caindo, que nunca deixaram de existir, e outros que já foram muito presentes no planeta, como o som de uma máquina de escrever, que, hoje, praticamente deixou de existir. Criar personalidades para esses sons e amarrar com acontecimentos reais foi a parte mais legal ao escrever essa história”, diz o escritor, que começou a desenvolver o projeto em 2016.

Na publicação, ele volta a realizar parceria com o desenhista Rafael Vasconcelos Leite, o Abel, do Espírito Santo, com quem desenvolveu as últimas três edições de Necromorfus e venceu o Prêmio Le Blanc de Arte Sequencial na categoria história em quadrinhos independente nacional favorita, em 2018. A obra está dividida em quatro volumes. “Quando pensei no conceito de sons sencientes que pudessem ser personificados em espécie de avatar, todo um universo se abriu rapidamente. Fui lapidando a ideia e combinei com o Abel que essa história também seria ilustrada por ele. Agora os desenhos da primeira edição estão em fase de finalização. As próximas edições estão com o roteiro todo escaletado, mas só serão finalizadas após a primeira edição estar impressa”, explica Arrais.

A produção da parte inicial de Savants Sounds busca apoio do público por meio de ação coletiva no site Catarse (www.catarse.me/ss1). Os rapazes esperam reunir ajuda financeira de R$ 6.500 até 15 de novembro, com pacotes diferentes de recompensas para cada tipo de compra do público. “Por falta de tempo, eu peco por não divulgar tão bem as campanhas e elas acabam mais servindo como pré-venda das HQs. Mas o apoio coletivo tem possibilitado projetos incríveis saírem do sonho e se tornarem realidade.” Leitores de quadrinhos e fãs de rock surgem como principal alvo. 

Alex Mir busca apoio para ‘Orixás – Ikú’

A possibilidade de publicação editorial por meio de campanhas coletivas também conta com participação do roteirista Alex Mir, de Mauá. Nos últimos anos, ele tem chamado a atenção do mercado de quadrinhos e do público ao ter desenvolvido a história da saga Orixás, na qual explora elementos e personagens da mitologia africana.

Ele financiou as últimas edições também no site Catarse, um dos mais populares do gênero a promover projetos de diversos tipos. Sua nova aposta é Orixás – Ikú, obra na qual mostra que Ikú, a Morte, tem família com uma mortal e esse núcleo passa por tragédia, iniciando caminho de vingança e ódio contra humanos e outras entidades. A campanha tem meta de R$ 9.000 para serem reunidos até 3 de novembro, com valores de R$ 20 a R$ 115 podendo ser adquiridos pelo público, com diversas recompensas para cada pacote. Mir tem ajuda dos desenhistas Alex Rodrigues, Jefferson Costa, Marcel Bartholo e Will, além de retomar parceria com os artistas Al Stefano e Omar Viñole.

A série nasceu em 2011 e já conta com quatro capítulos. Em Guerra venceu o tradicional Troféu HQMIX, considerado o Oscar dos quadrinhos no Brasil, na edição de 2018 como publicação independente de grupo. O mais recente volume, Renascimento, concorre ao mesmo troféu na edição deste ano, que terá os vencedores anunciados em 15 de setembro, em cerimônia no Sesc Pompeia, na Capital.

Foto: Divulgação

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