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Epopeia do sertão



08/08/2019 | 08:00


Tão logo o público se acomoda, dois atores iniciam um desafio de violas - trata-se do esquentamento do grupo mineiro Maria Cutia antes de iniciar, de fato, a apresentação da peça Auto da Compadecida, clássico nacional de Ariano Suassuna, que estreia na quinta, 8, no Sesc Pompeia. "Retomamos a tradição do teatro circense, que é a base da dramaturgia de Suassuna", comenta o diretor do espetáculo, Gabriel Villela. Mais do que isso - fiel à tradição sedimentada por Bertolt Brecht (1898-1956), ele utiliza canções para não só comentar a ação como também para fazer observações críticas.

Finalizada em setembro de 1955, a peça Auto da Compadecida foi encenada no ano seguinte, no Recife, sem despertar atenção. Foi a montagem apresentada em janeiro de 1957, no Teatro Dulcina, no Rio, onde alcançou a consagração merecida: logo se tornou um clássico nacional - crítico do Estado, Sábato Magaldi o considerou, em 1962, como o "texto mais popular do moderno teatro brasileiro".

"O seu encanto está nesse ar de ingenuidade de que a caracteriza, na singeleza dos recursos empregados, no primarismo do argumento, tudo perfeitamente dentro do espírito popular em que a obra se inspira e que quer manter", observa o estudioso Henrique Oscar, em texto publicado no livro que traz o texto da peça, pela Agir. "Com expressões por vezes rudes e outras pitorescas, o autor conseguiu um diálogo eminentemente teatral, vivo e saboroso, colorido e descritivo, popular sem ser vulgar e paradoxalmente literário, nada tendo de precioso ou alentejoulado."

Oscar aponta outro detalhe importante, que explica a opção de direção de Villela, baseada em um teatro de rua: "Buscou-se evocar uma representação de circo, uma farsa muito marcada, portanto, em que a caricatura tinha de ser forte".

Inspirada na mítica brasileira do herói sem caráter, a trama acompanha as desventuras de João Grilo e Chicó, que vivem de trambiques, em uma trajetória que começa com o enterro do cachorro do Padeiro e sua Mulher até chegar em uma epopeia que traz as principais figuras do sertão: o clero, o cangaço, Jesus, o Diabo e a Virgem Maria. "Juntos, João Grilo e Chicó reproduzem a tradição circense que mostra um palhaço espertalhão, cheio de recursos, que gosta de se meter em situações arriscadas, e outro palhaço ingênuo, covarde, que se deixa influenciar pelo outro e às vezes acaba atrapalhando-o", comenta o músico e poeta Braulio Tavares, em texto publicado no livro.

AUTO DA COMPADECIDA

Sesc Pompeia

Rua Clelia, 93. Tel.: 3871-7700.

5ª a sáb., 21h. Dom., 18h. R$ 40. Estreia 8/8. Até 1/9

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Epopeia do sertão


08/08/2019 | 08:00


Tão logo o público se acomoda, dois atores iniciam um desafio de violas - trata-se do esquentamento do grupo mineiro Maria Cutia antes de iniciar, de fato, a apresentação da peça Auto da Compadecida, clássico nacional de Ariano Suassuna, que estreia na quinta, 8, no Sesc Pompeia. "Retomamos a tradição do teatro circense, que é a base da dramaturgia de Suassuna", comenta o diretor do espetáculo, Gabriel Villela. Mais do que isso - fiel à tradição sedimentada por Bertolt Brecht (1898-1956), ele utiliza canções para não só comentar a ação como também para fazer observações críticas.

Finalizada em setembro de 1955, a peça Auto da Compadecida foi encenada no ano seguinte, no Recife, sem despertar atenção. Foi a montagem apresentada em janeiro de 1957, no Teatro Dulcina, no Rio, onde alcançou a consagração merecida: logo se tornou um clássico nacional - crítico do Estado, Sábato Magaldi o considerou, em 1962, como o "texto mais popular do moderno teatro brasileiro".

"O seu encanto está nesse ar de ingenuidade de que a caracteriza, na singeleza dos recursos empregados, no primarismo do argumento, tudo perfeitamente dentro do espírito popular em que a obra se inspira e que quer manter", observa o estudioso Henrique Oscar, em texto publicado no livro que traz o texto da peça, pela Agir. "Com expressões por vezes rudes e outras pitorescas, o autor conseguiu um diálogo eminentemente teatral, vivo e saboroso, colorido e descritivo, popular sem ser vulgar e paradoxalmente literário, nada tendo de precioso ou alentejoulado."

Oscar aponta outro detalhe importante, que explica a opção de direção de Villela, baseada em um teatro de rua: "Buscou-se evocar uma representação de circo, uma farsa muito marcada, portanto, em que a caricatura tinha de ser forte".

Inspirada na mítica brasileira do herói sem caráter, a trama acompanha as desventuras de João Grilo e Chicó, que vivem de trambiques, em uma trajetória que começa com o enterro do cachorro do Padeiro e sua Mulher até chegar em uma epopeia que traz as principais figuras do sertão: o clero, o cangaço, Jesus, o Diabo e a Virgem Maria. "Juntos, João Grilo e Chicó reproduzem a tradição circense que mostra um palhaço espertalhão, cheio de recursos, que gosta de se meter em situações arriscadas, e outro palhaço ingênuo, covarde, que se deixa influenciar pelo outro e às vezes acaba atrapalhando-o", comenta o músico e poeta Braulio Tavares, em texto publicado no livro.

AUTO DA COMPADECIDA

Sesc Pompeia

Rua Clelia, 93. Tel.: 3871-7700.

5ª a sáb., 21h. Dom., 18h. R$ 40. Estreia 8/8. Até 1/9

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