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Polícia de Roraima investiga quadrilha suspeita de traficar crianças venezuelanas



02/08/2019 | 16:45


A Polícia Civil de Roraima investiga a existência de uma quadrilha especializada em tráfico internacional de crianças. As vítimas seriam bebês e crianças da Venezuela que estariam em situação de vulnerabilidade no Brasil.

Um dos casos registrados pela polícia envolveria dois irmãos - um deles tem 1 ano e 2 meses; o outro, 11 meses.

O mais novo chegou a ser levado pelo suposto sequestrador, mas foi recuperado pelos pais. A família havia chegado em Roraima naquele mesmo dia fugindo da crise venezuelana. O suspeito foi preso ao tentar sequestrar outra criança.

O caso foi registrado na Central de Flagrantes da Polícia Civil, onde a delegada Miriam Di Manso registrou o primeiro caso ocorrido no Estado. Ela afirma que já chegou a ser procurada até pelo setor de inteligência do Exército em busca de informações sobre a possível organização criminosa de tráfico de crianças que estaria instalada em Boa Vista.

"A gente pode imaginar que esse tipo de sequestro pode ter tanto a finalidade de venda de órgãos, que é um comércio bastante lucrativo, quanto a possibilidade de venda dessas crianças para adoção no exterior", explicou a delegada. "Conseguimos fazer a prisão em flagrante do suspeito, mas ele foi liberado na audiência de custódia. Temos de ficar em alerta, e a polícia precisa investigar essa quadrilha para impedir que outros casos aconteçam", completou.

Este caso ocorreu em frente à Rodoviária de Boa Vista, próximo a um abrigo de venezuelanos que é mantido pelo Exército brasileiro.

Miriam indica que a testemunha dos sequestros teria visto o suposto integrante da quadrilha, acompanhado de outras pessoas, observando crianças nas praças. "Eles analisam os possíveis alvos e agem durante a noite. Não é coincidência, pois o mesmo infrator foi identificado nos dois casos registrados. Se os alvos são crianças venezuelanas, pela vulnerabilidade que apresentam por causa da migração, esse cuidado tem de ser redobrado", explica.

Além dos casos registrados em investigação pela Polícia Civil, o Ministério Público de Roraima também confirma que recebeu duas demandas vindas do Ministério Público Federal (MPF) sobre o mesmo problema. O órgão estadual requisitou a instauração dos inquéritos policiais para investigar os casos.

De acordo com a delegada, a Promotoria de Justiça Especializada em Crimes Contra a Criança e Adolescente e a 3ª Promotoria Criminal aguardam a conclusão das investigações para analisar e, posteriormente, tomar as medidas cabíveis.

Ao ser procurado, o MPF confirmou que recebeu denúncias sobre o tema e solicitou à Polícia Federal que fossem feitas as investigações. "Atualmente, o MPF aguarda o resultado dessas investigações. Qualquer manifestação sobre os casos será dada apenas depois da conclusão dos procedimentos", manifestou o órgão.

A Polícia Federal também confirmou que há investigações em curso referentes ao tráfico de pessoas e crimes correlatos envolvendo crianças, que correm sob sigilo para não atrapalhar os casos.

O jornal O Estado de S. Paulo conversou com venezuelanos que vivem nas ruas da capital Boa Vista. Eles confirmaram que estão tomando mais cuidado com as crianças após saberem da atuação da suposta quadrilha.

Segundo Dayana Leonir Gamez, de 39 anos, que chegou ao Brasil no início de julho, o que sabem é que os supostos traficantes não pegam qualquer criança, mas preferencialmente meninas de pele clara e loiras.

Ela tem dois filhos menores e disse que ficou assustada quando soube dos casos. "Tomamos cuidado com nossos filhos. E não seguimos pessoas estranhas, pois também levam imigrantes e eles não voltam. Temos medo."



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Polícia de Roraima investiga quadrilha suspeita de traficar crianças venezuelanas


02/08/2019 | 16:45


A Polícia Civil de Roraima investiga a existência de uma quadrilha especializada em tráfico internacional de crianças. As vítimas seriam bebês e crianças da Venezuela que estariam em situação de vulnerabilidade no Brasil.

Um dos casos registrados pela polícia envolveria dois irmãos - um deles tem 1 ano e 2 meses; o outro, 11 meses.

O mais novo chegou a ser levado pelo suposto sequestrador, mas foi recuperado pelos pais. A família havia chegado em Roraima naquele mesmo dia fugindo da crise venezuelana. O suspeito foi preso ao tentar sequestrar outra criança.

O caso foi registrado na Central de Flagrantes da Polícia Civil, onde a delegada Miriam Di Manso registrou o primeiro caso ocorrido no Estado. Ela afirma que já chegou a ser procurada até pelo setor de inteligência do Exército em busca de informações sobre a possível organização criminosa de tráfico de crianças que estaria instalada em Boa Vista.

"A gente pode imaginar que esse tipo de sequestro pode ter tanto a finalidade de venda de órgãos, que é um comércio bastante lucrativo, quanto a possibilidade de venda dessas crianças para adoção no exterior", explicou a delegada. "Conseguimos fazer a prisão em flagrante do suspeito, mas ele foi liberado na audiência de custódia. Temos de ficar em alerta, e a polícia precisa investigar essa quadrilha para impedir que outros casos aconteçam", completou.

Este caso ocorreu em frente à Rodoviária de Boa Vista, próximo a um abrigo de venezuelanos que é mantido pelo Exército brasileiro.

Miriam indica que a testemunha dos sequestros teria visto o suposto integrante da quadrilha, acompanhado de outras pessoas, observando crianças nas praças. "Eles analisam os possíveis alvos e agem durante a noite. Não é coincidência, pois o mesmo infrator foi identificado nos dois casos registrados. Se os alvos são crianças venezuelanas, pela vulnerabilidade que apresentam por causa da migração, esse cuidado tem de ser redobrado", explica.

Além dos casos registrados em investigação pela Polícia Civil, o Ministério Público de Roraima também confirma que recebeu duas demandas vindas do Ministério Público Federal (MPF) sobre o mesmo problema. O órgão estadual requisitou a instauração dos inquéritos policiais para investigar os casos.

De acordo com a delegada, a Promotoria de Justiça Especializada em Crimes Contra a Criança e Adolescente e a 3ª Promotoria Criminal aguardam a conclusão das investigações para analisar e, posteriormente, tomar as medidas cabíveis.

Ao ser procurado, o MPF confirmou que recebeu denúncias sobre o tema e solicitou à Polícia Federal que fossem feitas as investigações. "Atualmente, o MPF aguarda o resultado dessas investigações. Qualquer manifestação sobre os casos será dada apenas depois da conclusão dos procedimentos", manifestou o órgão.

A Polícia Federal também confirmou que há investigações em curso referentes ao tráfico de pessoas e crimes correlatos envolvendo crianças, que correm sob sigilo para não atrapalhar os casos.

O jornal O Estado de S. Paulo conversou com venezuelanos que vivem nas ruas da capital Boa Vista. Eles confirmaram que estão tomando mais cuidado com as crianças após saberem da atuação da suposta quadrilha.

Segundo Dayana Leonir Gamez, de 39 anos, que chegou ao Brasil no início de julho, o que sabem é que os supostos traficantes não pegam qualquer criança, mas preferencialmente meninas de pele clara e loiras.

Ela tem dois filhos menores e disse que ficou assustada quando soube dos casos. "Tomamos cuidado com nossos filhos. E não seguimos pessoas estranhas, pois também levam imigrantes e eles não voltam. Temos medo."

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