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Atração fatal

As constantes notícias de tragédias, em rodovias e vias urbanas...


Cristina Baddini

04/05/2012 | 00:00


As constantes notícias de tragédias, em rodovias e vias urbanas, envolvendo jovens motoristas e seus acompanhantes, tornaram-se uma incômoda e triste rotina do trânsito brasileiro. Jovens, em seu período de formação social e de afirmação de personalidade, têm o perfil alicerçado na impulsividade, no desafio ao perigo, no comportamento competitivo exacerbado, na ilusão de invulnerabilidade. Tal perfil, transportado para o volante de um carro - quanto mais potente o veículo maior a sensação de poder - e associado ao uso de bebida alcoólica, energéticos, excesso de velocidade, manobras arriscadas, sono, cansaço, formam uma perigosa mistura explosiva, muitas vezes fatal. 

A PROPAGANDA ESTIMULA 
Filmes publicitários para a TV podem estimular comportamentos que comprometem a segurança no trânsito. É o aspecto mais nocivo das campanhas, aquele que trabalha o emocional do consumidor em favor do individualismo e competitividade exacerbados deixando de lado valores como: união, cooperação, solidariedade, inclusão e convivência, aspectos fundamentais para um trânsito mais humano e melhor qualidade de vida. Os consumidores também passam a adotar um comportamento de risco muitas vezes induzidos pela falsa segurança propiciada pelas propagandas de automóveis. Como construir a mobilidade urbana sustentável quando, além de diversos obstáculos, ainda não há cooperação dos fabricantes de automóveis? 

O QUE FAZER 
A proporção de investimentos governamentais para pregar atitudes seguras no trânsito é equivalente a um décimo do volume de investimentos da indústria automobilística em suas propagandas no País. O poder da publicidade é avassalador e as três esferas de governo deveriam investir mais em educação no trânsito, que hoje está circunscrita e isolada, representada somente por algumas iniciativas ou campanhas desenvolvidas em salas de aula e tão somente na semana de trânsito que se realiza em setembro de cada ano. Uma alternativa viável seria usar parte do valor arrecadado das multas e DPVAT para essa finalidade por meio da mídia, mais precisamente da publicidade preventiva. A melhor maneira de mudar a consciência do povo brasileiro seria buscar meios de vender automóveis sim, porém, aproveitando a conhecida capacidade criativa da indústria publicitária nacional, produzindo campanhas com forte apelo de responsabilidade social e segurança ao dirigir. O Estado também deveria ser mais firme como regulador do setor publicitário, evidentemente que não como censura, mas sim como já fazem outros países em que a regulamentação da publicidade certamente não permite anúncios como os do Brasil. A sociedade organizada também deve participar nesse processo de busca da cidadania no esforço de reduzir tais propagandas enganosas e abusivas. 

PELO MUNDO
A Nova Zelândia é taxativa ao proibir anúncios que exaltem a velocidade excessiva. Na Inglaterra também há restrições do tipo. Em muitos países, o que interessa é a segurança que o automóvel oferece, não o status que ele vai dar. Essa questão já está sendo discutida no Brasil. E agora é lei que todos os carros do País tenham, até 2014, itens de segurança que venham de fábrica, como air bag e freios ABS. Os melhores carros não devem ser os mais rápidos e fortes, e sim os completos, com itens de segurança de série. É claro que não podemos atribuir unicamente à publicidade a responsabilidade exclusiva pelo mau comportamento dos motoristas no trânsito, mas devemos tentar transformá-la em uma grande aliada, na construção de uma sociedade mais harmônica, equânime, justa e responsável. Essa deve ser a função da comunicação social. Queremos veículos em que equipamentos de segurança não sejam meros acessórios ou itens opcionais. Por que comprar veículos que são mais rápidos se o limite de velocidade no Brasil que é 120 km/h? A indústria automobilística deveria se empenhar mais no sentido de que o carro por ela produzido não se torne mais uma perigosa arma mortífera!



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Atração fatal

As constantes notícias de tragédias, em rodovias e vias urbanas...

Cristina Baddini

04/05/2012 | 00:00


As constantes notícias de tragédias, em rodovias e vias urbanas, envolvendo jovens motoristas e seus acompanhantes, tornaram-se uma incômoda e triste rotina do trânsito brasileiro. Jovens, em seu período de formação social e de afirmação de personalidade, têm o perfil alicerçado na impulsividade, no desafio ao perigo, no comportamento competitivo exacerbado, na ilusão de invulnerabilidade. Tal perfil, transportado para o volante de um carro - quanto mais potente o veículo maior a sensação de poder - e associado ao uso de bebida alcoólica, energéticos, excesso de velocidade, manobras arriscadas, sono, cansaço, formam uma perigosa mistura explosiva, muitas vezes fatal. 

A PROPAGANDA ESTIMULA 
Filmes publicitários para a TV podem estimular comportamentos que comprometem a segurança no trânsito. É o aspecto mais nocivo das campanhas, aquele que trabalha o emocional do consumidor em favor do individualismo e competitividade exacerbados deixando de lado valores como: união, cooperação, solidariedade, inclusão e convivência, aspectos fundamentais para um trânsito mais humano e melhor qualidade de vida. Os consumidores também passam a adotar um comportamento de risco muitas vezes induzidos pela falsa segurança propiciada pelas propagandas de automóveis. Como construir a mobilidade urbana sustentável quando, além de diversos obstáculos, ainda não há cooperação dos fabricantes de automóveis? 

O QUE FAZER 
A proporção de investimentos governamentais para pregar atitudes seguras no trânsito é equivalente a um décimo do volume de investimentos da indústria automobilística em suas propagandas no País. O poder da publicidade é avassalador e as três esferas de governo deveriam investir mais em educação no trânsito, que hoje está circunscrita e isolada, representada somente por algumas iniciativas ou campanhas desenvolvidas em salas de aula e tão somente na semana de trânsito que se realiza em setembro de cada ano. Uma alternativa viável seria usar parte do valor arrecadado das multas e DPVAT para essa finalidade por meio da mídia, mais precisamente da publicidade preventiva. A melhor maneira de mudar a consciência do povo brasileiro seria buscar meios de vender automóveis sim, porém, aproveitando a conhecida capacidade criativa da indústria publicitária nacional, produzindo campanhas com forte apelo de responsabilidade social e segurança ao dirigir. O Estado também deveria ser mais firme como regulador do setor publicitário, evidentemente que não como censura, mas sim como já fazem outros países em que a regulamentação da publicidade certamente não permite anúncios como os do Brasil. A sociedade organizada também deve participar nesse processo de busca da cidadania no esforço de reduzir tais propagandas enganosas e abusivas. 

PELO MUNDO
A Nova Zelândia é taxativa ao proibir anúncios que exaltem a velocidade excessiva. Na Inglaterra também há restrições do tipo. Em muitos países, o que interessa é a segurança que o automóvel oferece, não o status que ele vai dar. Essa questão já está sendo discutida no Brasil. E agora é lei que todos os carros do País tenham, até 2014, itens de segurança que venham de fábrica, como air bag e freios ABS. Os melhores carros não devem ser os mais rápidos e fortes, e sim os completos, com itens de segurança de série. É claro que não podemos atribuir unicamente à publicidade a responsabilidade exclusiva pelo mau comportamento dos motoristas no trânsito, mas devemos tentar transformá-la em uma grande aliada, na construção de uma sociedade mais harmônica, equânime, justa e responsável. Essa deve ser a função da comunicação social. Queremos veículos em que equipamentos de segurança não sejam meros acessórios ou itens opcionais. Por que comprar veículos que são mais rápidos se o limite de velocidade no Brasil que é 120 km/h? A indústria automobilística deveria se empenhar mais no sentido de que o carro por ela produzido não se torne mais uma perigosa arma mortífera!

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