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Em vídeo, indígenas criticam atuação da PF em investigação de morte de cacique



31/07/2019 | 18:57


Um grupo de indígenas da etnia Waiãpi questiona a atuação da Polícia Federal na investigação sobre a morte do cacique Emyra Waiãpi e as denúncias de que houve uma invasão de garimpeiros em suas terras na semana passada. Três representantes dos Waiãpi gravaram vídeos com críticas à atuação dos agentes federais. As imagens foram feitas pela equipe do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que foi até o local.

Segundo Asurui Wajãpi, os agentes federais "não deram importância" para os relatos e disseram que não foram até lá para "ir atrás dos invasores", e sim para identificar se havia alguém dentro de alguma casa ou fazendo algum tipo de exploração na região. Ele reforçou que invasores foram vistos na aldeia Yvitotõ.

"Esses polícias chegaram lá e nós mostramos os sinais para eles: o piso onde que eles (invasores) pisaram e deixaram sua marca, o piso de sapato", disse. "Eles falaram 'não viemos para entrar no mato, não viemos para ir atrás dos invasores, viemos para onde pensávamos que estavam localizado, dentro de uma casa, um trabalho, fazendo exploração lá. Viemos para prender essas pessoas num lugar, não viemos para ir atrás'. Não se interessou para ajudar a gente. Ou tem medo de entrar dentro do mato para poder encontrar", afirmou Asurui.

Outro indígena, que não se identificou, disse que as tentativas de invasão de "não indígenas" ocorrem desde a década de 1970, mas que dessa vez foi pior porque houve um assassinato e conseguiram fugir. "Sempre esses invasores aparecem. O que nos deixou revoltado é que foi assassinada uma liderança. Os outros a gente conseguia pegar, prender e entregar para a PF. Só que esses conseguiram se esconder no mato", contou. "Estamos atrás e vamos continuar atentos."

Em outro relato, um indígena diz que o corpo do cacique estava com perfurações de faca, na cabeça, barriga e olhos. De acordo com ele, o cacique também teve o pescoço amarrado e o corpo jogado dentro de um rio. Os três vídeos com os indígenas foram produzidos e divulgados pela assessoria de Randolfe Rodrigues.

Na segunda-feira, 29, o Ministério Público Federal no Amapá afirmou que a Polícia Federal não achou vestígios de que a Terra Indígena Waiãpi, no oeste do Amapá, tenha sido invadida por garimpeiros. No final de semana, dois funcionários do governo do Amapá e outras duas lideranças indígenas afirmaram ao jornal O Estado de S. Paulo que o cacique Emyra Waiãpi foi morto com sinais de facadas. Políticos locais atribuíram a morte à invasão de garimpeiros.

No sábado, a própria Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão ligado ao Ministério da Justiça, relatou, em memorando interno, que um grupo de cerca de 15 invasores armados ocupou as imediações da aldeia Yvytotõ. Os moradores da região tiveram que se abrigar em outra aldeia vizinha, chamada Mariry. "Com base nas informações coletadas pela equipe em campo, podemos concluir que a presença de invasores é real e que o clima de tensão e exaltação na região é alto", diz o documento. Procurada, a assessoria do órgão afirmou que as informações eram preliminares.



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Em vídeo, indígenas criticam atuação da PF em investigação de morte de cacique


31/07/2019 | 18:57


Um grupo de indígenas da etnia Waiãpi questiona a atuação da Polícia Federal na investigação sobre a morte do cacique Emyra Waiãpi e as denúncias de que houve uma invasão de garimpeiros em suas terras na semana passada. Três representantes dos Waiãpi gravaram vídeos com críticas à atuação dos agentes federais. As imagens foram feitas pela equipe do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que foi até o local.

Segundo Asurui Wajãpi, os agentes federais "não deram importância" para os relatos e disseram que não foram até lá para "ir atrás dos invasores", e sim para identificar se havia alguém dentro de alguma casa ou fazendo algum tipo de exploração na região. Ele reforçou que invasores foram vistos na aldeia Yvitotõ.

"Esses polícias chegaram lá e nós mostramos os sinais para eles: o piso onde que eles (invasores) pisaram e deixaram sua marca, o piso de sapato", disse. "Eles falaram 'não viemos para entrar no mato, não viemos para ir atrás dos invasores, viemos para onde pensávamos que estavam localizado, dentro de uma casa, um trabalho, fazendo exploração lá. Viemos para prender essas pessoas num lugar, não viemos para ir atrás'. Não se interessou para ajudar a gente. Ou tem medo de entrar dentro do mato para poder encontrar", afirmou Asurui.

Outro indígena, que não se identificou, disse que as tentativas de invasão de "não indígenas" ocorrem desde a década de 1970, mas que dessa vez foi pior porque houve um assassinato e conseguiram fugir. "Sempre esses invasores aparecem. O que nos deixou revoltado é que foi assassinada uma liderança. Os outros a gente conseguia pegar, prender e entregar para a PF. Só que esses conseguiram se esconder no mato", contou. "Estamos atrás e vamos continuar atentos."

Em outro relato, um indígena diz que o corpo do cacique estava com perfurações de faca, na cabeça, barriga e olhos. De acordo com ele, o cacique também teve o pescoço amarrado e o corpo jogado dentro de um rio. Os três vídeos com os indígenas foram produzidos e divulgados pela assessoria de Randolfe Rodrigues.

Na segunda-feira, 29, o Ministério Público Federal no Amapá afirmou que a Polícia Federal não achou vestígios de que a Terra Indígena Waiãpi, no oeste do Amapá, tenha sido invadida por garimpeiros. No final de semana, dois funcionários do governo do Amapá e outras duas lideranças indígenas afirmaram ao jornal O Estado de S. Paulo que o cacique Emyra Waiãpi foi morto com sinais de facadas. Políticos locais atribuíram a morte à invasão de garimpeiros.

No sábado, a própria Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão ligado ao Ministério da Justiça, relatou, em memorando interno, que um grupo de cerca de 15 invasores armados ocupou as imediações da aldeia Yvytotõ. Os moradores da região tiveram que se abrigar em outra aldeia vizinha, chamada Mariry. "Com base nas informações coletadas pela equipe em campo, podemos concluir que a presença de invasores é real e que o clima de tensão e exaltação na região é alto", diz o documento. Procurada, a assessoria do órgão afirmou que as informações eram preliminares.

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