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Tecnologia amplia renda de catadores na região

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Aplicativo une moradores a profissionais da reciclagem para o descarte de resíduos


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

28/07/2019 | 07:15


Unir tecnologia e modernidade com a preservação do meio ambiente. Conceitos chavões, mas que se aplicam com perfeição ao Cataki, aplicativo para celular lançado em 2017 que visa criar elo entre produtores de lixo reciclável com catadores e cooperativas. A funcionalidade já conta com mais de 150 mil downloads em 450 cidades e tem 2.500 agentes cadastrados, entre catadores individuais e cooperativas, 52 deles nas cidades do Grande ABC.

Atuando com coleta de material reciclável há 20 anos, Cid Renato da Rocha Guimarães, 49 anos, morador da Vila Gerti, em São Caetano, viu sua renda praticamente dobrar desde que se cadastrou no aplicativo, há cerca de um ano. “Trabalhando todo dia, dava para tirar R$ 800. Hoje, já tem mês que consigo até R$ 1.500”, explicou. Renato, como gosta de ser chamado, soube do aplicativo pelas redes sociais. “É uma ajuda bastante importante”, elogiou.

Moradora da Vila São Pedro, em São Bernardo, Luciane Antonia Dias da Silva, 32, conheceu o aplicativo assistindo a um programa de TV. Artesã, viu a possibilidade de conseguir material para suas criações e foi com esse objetivo que se cadastrou no Cataki. O agravamento da crise financeira, no entanto, fez com que ela e o marido passassem a fazer da coleta de material reciclável a sua principal atividade financeira. “A gente combina um preço com a pessoa e vende tudo o que é possível”, explicou.

Luciane acha que é preciso mais divulgação sobre a existência do aplicativo, principalmente entre donos de comércio que costumam colocar o material reciclável na rua, junto com o lixo comum. “Aqui no meu bairro, se o catador passa antes, consegue recolher. Senão, o lixeiro leva tudo”, lamentou. A jovem também acredita que deveria estar mais claro, para os usuários do app, a necessidade de se remunerar o catador. “É um trabalho, não é um favor. Só vender para ferro velho não compensa”, justificou.

Coordenador do Cataki, Henrique Ruiz corrobora com a afirmação da munícipe de São Bernardo. “A gente sugere que o catador seja remunerado, mas essa vai ser uma negociação entre as partes”, declarou. O gestor explicou que a aceitação do app foi grande e que sua popularidade segue aumentando de forma orgânica. “O objetivo é ser um elo entre a população e os catadores, que são responsáveis pela reciclagem de 90% de todos os resíduos no País.”

O app foi lançado como um braço do projeto Pimp My Carroça, idealizado pelo ativista (ou artivista, como ele se define) Thiago Leite, o Mundano, que, em 2007, começou a customizar as carroças dos catadores no Centro de São Paulo, como forma de dar mais visibilidade ao trabalho deles. A partir de 2012, o Pimp My Carroça deixou de ser uma iniciativa individual e virou um projeto social, com vários braços e ações que unem educação, cultura e atendimentos sociais.

“Ganhamos um prêmio em dinheiro neste ano e vamos investir tudo no aplicativo. Fechar o ciclo entre o ponto que o catador retira o material e onde ele entrega, ter uma real rastreabilidade, estreitar o laço entre grandes geradores de material, incluir os catadores na logística reversa e expandir a abrangência do app”, pontuou. O Cataki está disponível na loja de aplicativos para celulares IOS e Android.


Cooperativa ganha cara nova em Diadema

O Pimp My Carroça, que desde 2012 se tornou projeto social voltado a customizar carroças de catadores de material reciclável para dar mais visibilidade à atuação destes trabalhadores, se desdobrou em outras iniciativas e, desde 2016, o Pimp My Cooperativa revitaliza os locais de atuação dos cooperados em coleta seletiva.

No último sábado, a CooperFênix, de Diadema, recebeu a iniciativa, com grafite nas paredes e uma tarde de confraternização para os trabalhadores e seus familiares. A unidade, que fica no bairro Taboão, conta com dez cooperados e movimenta cerca de nove toneladas de material reciclável ao mês. O local já abrigou 30 trabalhadores, que faziam a triagem de 80 toneladas/mês.

“Essa ação foi uma injeção de ânimo. A gente realmente renasceu”, afirmou Monica da Silva, 46 anos, cooperada e representante da articulação estadual do MNCR (Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis). “Recebemos nossas famílias, convidamos catadores de rua, foi muito importante”, celebrou. A cooperativa foi a única do Grande ABC a ser contemplada no projeto. Até o fim do ano, o Pimp My Cooperativa terá beneficiado 20 locais.

A coordenadora de parcerias e inovações do Pimp My Carroça, Elissa Fichtler, explicou que as melhorias nas cooperativas são feitas por recursos captados via Lei Rouanet. “Mantemos também outras iniciativas, como levar os catadores para dar oficinas sobre reciclagem em escolas e universidades”, afirmou. A CooperFênix fica na Avenida Prestes Maia, 2080, Diadema. Telefone 4091-0645. Outras informações sobre os projetos em www.pimpmycarroca.com.


Cidades ignoram número de carroceiros em atuação

Apesar de serem responsáveis pela coleta de cerca de 90% de todo o material enviado para reciclagem nos centros urbanos, os catadores individuais são praticamente invisíveis para as prefeituras. Apenas Santo André conta com levantamento, de 2015, que apontou a presença de 569 profissionais na cidade. Os outros municípios (exceto Rio Grande da Serra, que não respondeu até o fechamento desta edição) contam com número de trabalhadores cooperados que soma 535 pessoas atuando em 11 cooperativas. De janeiro a junho deste ano, as cooperativas reciclaram 15 mil toneladas de material, 3% a mais do que as 14 mil toneladas triadas no ano passado. O volume de lixo úmido coletado aumentou 23% no mesmo período, passando de 291 mil toneladas em 2018 para 358 mil toneladas em 2019.

Santo André conta com duas cooperativas (Cidade Limpa e Coopcicla) e 160 cooperados. O Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental) pretende atualizar, no segundo semestre deste ano, o levantamento sobre os catadores individuais e, para 2020, a criação de terceira cooperativa na cidade.

Em São Bernardo, duas cooperativas (Cooperluz e Reluz) abrigam 100 colaboradores. A Cooptrasc, de São Caetano, tem 27 cooperados. Diadema tem quatro cooperativas atuando na cidade (Cooperlimpa, CooperFênix, Nova Pop e Chico Mendes), com 58 colaboradores.

Em Mauá, a Coopercata conta com 30 cooperados e há planejamento de contratação de prestação de serviços para agosto, quando será aberto edital de chamamento público pela Prefeitura para aumentar o número de colaboradores. A Cooperpires, de Ribeirão Pires, atua em galpão cedido pela administração municipal. Está em construção novo espaço, com recursos do Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos), no valor de R$ 340 mil. A Prefeitura não informou quantos cooperados atuam na cidade.  



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Tecnologia amplia renda de catadores na região

Aplicativo une moradores a profissionais da reciclagem para o descarte de resíduos

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

28/07/2019 | 07:15


Unir tecnologia e modernidade com a preservação do meio ambiente. Conceitos chavões, mas que se aplicam com perfeição ao Cataki, aplicativo para celular lançado em 2017 que visa criar elo entre produtores de lixo reciclável com catadores e cooperativas. A funcionalidade já conta com mais de 150 mil downloads em 450 cidades e tem 2.500 agentes cadastrados, entre catadores individuais e cooperativas, 52 deles nas cidades do Grande ABC.

Atuando com coleta de material reciclável há 20 anos, Cid Renato da Rocha Guimarães, 49 anos, morador da Vila Gerti, em São Caetano, viu sua renda praticamente dobrar desde que se cadastrou no aplicativo, há cerca de um ano. “Trabalhando todo dia, dava para tirar R$ 800. Hoje, já tem mês que consigo até R$ 1.500”, explicou. Renato, como gosta de ser chamado, soube do aplicativo pelas redes sociais. “É uma ajuda bastante importante”, elogiou.

Moradora da Vila São Pedro, em São Bernardo, Luciane Antonia Dias da Silva, 32, conheceu o aplicativo assistindo a um programa de TV. Artesã, viu a possibilidade de conseguir material para suas criações e foi com esse objetivo que se cadastrou no Cataki. O agravamento da crise financeira, no entanto, fez com que ela e o marido passassem a fazer da coleta de material reciclável a sua principal atividade financeira. “A gente combina um preço com a pessoa e vende tudo o que é possível”, explicou.

Luciane acha que é preciso mais divulgação sobre a existência do aplicativo, principalmente entre donos de comércio que costumam colocar o material reciclável na rua, junto com o lixo comum. “Aqui no meu bairro, se o catador passa antes, consegue recolher. Senão, o lixeiro leva tudo”, lamentou. A jovem também acredita que deveria estar mais claro, para os usuários do app, a necessidade de se remunerar o catador. “É um trabalho, não é um favor. Só vender para ferro velho não compensa”, justificou.

Coordenador do Cataki, Henrique Ruiz corrobora com a afirmação da munícipe de São Bernardo. “A gente sugere que o catador seja remunerado, mas essa vai ser uma negociação entre as partes”, declarou. O gestor explicou que a aceitação do app foi grande e que sua popularidade segue aumentando de forma orgânica. “O objetivo é ser um elo entre a população e os catadores, que são responsáveis pela reciclagem de 90% de todos os resíduos no País.”

O app foi lançado como um braço do projeto Pimp My Carroça, idealizado pelo ativista (ou artivista, como ele se define) Thiago Leite, o Mundano, que, em 2007, começou a customizar as carroças dos catadores no Centro de São Paulo, como forma de dar mais visibilidade ao trabalho deles. A partir de 2012, o Pimp My Carroça deixou de ser uma iniciativa individual e virou um projeto social, com vários braços e ações que unem educação, cultura e atendimentos sociais.

“Ganhamos um prêmio em dinheiro neste ano e vamos investir tudo no aplicativo. Fechar o ciclo entre o ponto que o catador retira o material e onde ele entrega, ter uma real rastreabilidade, estreitar o laço entre grandes geradores de material, incluir os catadores na logística reversa e expandir a abrangência do app”, pontuou. O Cataki está disponível na loja de aplicativos para celulares IOS e Android.


Cooperativa ganha cara nova em Diadema

O Pimp My Carroça, que desde 2012 se tornou projeto social voltado a customizar carroças de catadores de material reciclável para dar mais visibilidade à atuação destes trabalhadores, se desdobrou em outras iniciativas e, desde 2016, o Pimp My Cooperativa revitaliza os locais de atuação dos cooperados em coleta seletiva.

No último sábado, a CooperFênix, de Diadema, recebeu a iniciativa, com grafite nas paredes e uma tarde de confraternização para os trabalhadores e seus familiares. A unidade, que fica no bairro Taboão, conta com dez cooperados e movimenta cerca de nove toneladas de material reciclável ao mês. O local já abrigou 30 trabalhadores, que faziam a triagem de 80 toneladas/mês.

“Essa ação foi uma injeção de ânimo. A gente realmente renasceu”, afirmou Monica da Silva, 46 anos, cooperada e representante da articulação estadual do MNCR (Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis). “Recebemos nossas famílias, convidamos catadores de rua, foi muito importante”, celebrou. A cooperativa foi a única do Grande ABC a ser contemplada no projeto. Até o fim do ano, o Pimp My Cooperativa terá beneficiado 20 locais.

A coordenadora de parcerias e inovações do Pimp My Carroça, Elissa Fichtler, explicou que as melhorias nas cooperativas são feitas por recursos captados via Lei Rouanet. “Mantemos também outras iniciativas, como levar os catadores para dar oficinas sobre reciclagem em escolas e universidades”, afirmou. A CooperFênix fica na Avenida Prestes Maia, 2080, Diadema. Telefone 4091-0645. Outras informações sobre os projetos em www.pimpmycarroca.com.


Cidades ignoram número de carroceiros em atuação

Apesar de serem responsáveis pela coleta de cerca de 90% de todo o material enviado para reciclagem nos centros urbanos, os catadores individuais são praticamente invisíveis para as prefeituras. Apenas Santo André conta com levantamento, de 2015, que apontou a presença de 569 profissionais na cidade. Os outros municípios (exceto Rio Grande da Serra, que não respondeu até o fechamento desta edição) contam com número de trabalhadores cooperados que soma 535 pessoas atuando em 11 cooperativas. De janeiro a junho deste ano, as cooperativas reciclaram 15 mil toneladas de material, 3% a mais do que as 14 mil toneladas triadas no ano passado. O volume de lixo úmido coletado aumentou 23% no mesmo período, passando de 291 mil toneladas em 2018 para 358 mil toneladas em 2019.

Santo André conta com duas cooperativas (Cidade Limpa e Coopcicla) e 160 cooperados. O Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental) pretende atualizar, no segundo semestre deste ano, o levantamento sobre os catadores individuais e, para 2020, a criação de terceira cooperativa na cidade.

Em São Bernardo, duas cooperativas (Cooperluz e Reluz) abrigam 100 colaboradores. A Cooptrasc, de São Caetano, tem 27 cooperados. Diadema tem quatro cooperativas atuando na cidade (Cooperlimpa, CooperFênix, Nova Pop e Chico Mendes), com 58 colaboradores.

Em Mauá, a Coopercata conta com 30 cooperados e há planejamento de contratação de prestação de serviços para agosto, quando será aberto edital de chamamento público pela Prefeitura para aumentar o número de colaboradores. A Cooperpires, de Ribeirão Pires, atua em galpão cedido pela administração municipal. Está em construção novo espaço, com recursos do Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos), no valor de R$ 340 mil. A Prefeitura não informou quantos cooperados atuam na cidade.  

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