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Nissan mira no crescimento


Sueli Osório
Do Diário do Grande ABC

01/12/2010 | 07:13


O francês Christian Meunier assumiu a presidência da Nissan do Brasil em abril deste ano. Antes, atuou como vice-presidente de marketing da Nissan América do Norte, depois de ter sido vice-presidente da Nissan Europa.

Meunier entrou na Nissan Europa em 2002, levando à empresa vasta experiência nas áreas de vendas e marketing no setor automotivo, com passagens pela Ford e Rover, na França, e Mercedes-Benz, nos Estados Unidos.

Muito simpático durante toda a entrevista exclusiva que concedeu ao Diário, admitiu que, antes de chegar ao País, não conhecia nada do mercado brasileiro. "Eu estava num mercado totalmente diferente. Quando vim para o Brasil, sabia que era um mercado muito grande e que a Nissan era muito pequena, mas não sabia nada mais. Eu tinha de aprender rápido. E o que me chamou atenção foi a concentração de quase 80% das vendas em apenas quatro marcas e um segmento muito forte, o de populares, algo muito desafiador", confessou.

Atualmente, o ‘market share' da Nissan é de 1%, devendo chegar a 1,3% no fim do ano. Mas Meunier quer dobrar essa participação até 2012. Embora reconheça que esse seja um ótimo momento para a indústria automobilística, chegar à fatia desejada não será nada fácil, já que as cinco grandes montadoras querem proteger seus mercados.

Uma das estratégias para crescer é trazer um concorrente para o segmento dos populares. O compacto March será importado do México para o Brasil (sem tributo de importação graças ao acordo entre os dois países) a partir do segundo semestre do ano que vem. Deverá ter motores 1.0 e 1.6 flexíveis e preço a partir de R$ 27 mil para competir com modelos como Fiat Uno e Volkswagen Gol.

Meunier espera vender de 5.000 a 6.000 unidades do novo compacto por mês no Brasil. Para se ter uma ideia, em outubro foram emplacadas 25.860 unidades do Gol e 22.226 do Uno. Como parte da estratégia, o presidente da Nissan também corre para aumentar o número de concessionárias. "Atualmente, temos 90 revendas espalhadas por todo o Brasil, mas queremos chegar a 200 em 2012. "

O ‘hatchback' March é o primeiro produto da inédita plataforma V, que terá ainda um sedã e um monovolume. "Acreditamos que, por ser o primeiro carro popular japonês, chamará atenção, e também por ser um produto totalmente novo, e não apenas o ‘facelift' de um modelo que está há anos no mercado. Vamos trazer uma solução inovadora, que já foi lançada na China, Japão e Europa. As primeiras reações estão sendo muito boas. Estamos muito confiantes. O modelo já está rodando no Brasil para testes. Queremos apresentar um produto perfeito. O preço será muito competitivo, pois vamos concorrer com Uno e Gol", garantiu.

Publicidade polêmica - No dia 24 de setembro, a Nissan colocou no ar um comercial de TV em que abordava os principais prêmios que seu monovolume, o Livina, recebeu neste ano, satirizando os concorrentes. Lançando a propaganda primeiramente nas redes sociais, a marca conseguiu que o anúncio fosse o vídeo de automóveis mais visto no mundo pelo YouTube, com média de 80 mil exibições em pouco mais de dois dias no ar. Mas a propaganda ficou apenas cinco dias em exibição na TV. Uma liminar pedindo sua suspensão, movida pela General Motors, foi enviada à Nissan por meio do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), órgão responsável por analisar representações contra campanhas publicitárias consideradas abusivas ou antiéticas. No filme, além da GM, a Honda e a Fiat eram citadas.

Para Meunier, a Nissan conseguiu causar impacto do jeito certo. "Acho que o que fizemos foi agressivo, mas era verdade. Usamos resultados de comparativos publicados na imprensa especializada, não estávamos mentindo, eram fatos comprovados. Usamos senso de humor para dizer para o público que nosso produto era bom, satirizando nossos concorrentes." Meunier disse não entender por que a concorrência ficou tão incomodada com uma montadora que tem apenas 1% do mercado.

O elétrico Leaf - Durante o Salão do Automóvel de São Paulo a marca mostrou o Leaf, carro elétrico cuja produção foi iniciada recentemente na cidade de Oppama, no Japão. O modelo está planejado para chegar aos mercados do Japão e Estados Unidos neste mês e, no início de 2011, em alguns mercados da Europa. Os locais que futuramente produzirão os elétricos da Nissan incluem Smyrna, no Tennessee (Estados Unidos) e Sunderland, na Inglaterra. Segundo Meunier, a Nissan investiu US$ 4 bilhões globalmente. "É uma grande aposta no futuro."

A fábrica de Oppama tem capacidade anual de produção de 50 mil unidades. O Nissan Leaf começará a ser produzido em Smyrna no fim de 2012 e em Sunderland no começo de 2013. Smyrna terá capacidade anual para 150 mil unidades e Sunderland de 50 mil unidades.

Meunier afirmou que o governo brasileiro está muito interessado no Leaf, mas o que atrapalha é a alta taxa de importação, de 35%. "Não queremos trazer um carro elétrico caro para o Brasil. Queremos trazer um veículo com preço acessível. Precisamos eliminar essa taxa de importação nem que seja por um período. Nos Estados Unidos, o carro será lançado em dezembro e já há 20 mil reservas. O preço de tabela é de US$ 32 mil, mas o governo federal dá dedução de taxa de US$ 7.500. Além disso, Estados como Califórnia e Geórgia dão incentivo de mais US$ 5.000. O carro chega por cerca de US$ 20 mil, muito competitivo."

Com a transição da Presidência no Brasil, Meunier acredita que agora é necessário esperar. "Realmente precisamos de que o governo entenda que o carro elétrico não substituirá o flex, mas será mais uma alternativa. Teremos modelos a gasolina, flex, híbridos e elétricos com emissão zero. No Brasil, mais de 90% da eletricidade vêm de hidrelétricas, o que torna o País perfeito para ter carros elétricos, assim como o Canadá. O Canadá e o Brasil são os maiores produtores de energia hidrelétrica. Eu tive um encontro com o ministro Miguel Jorge, e disse a ele que o Brasil não pode ficar para trás na tecnologia dos carros elétricos. Acho que precisaremos de muito mais discussões e interação com o governo brasileiro. Quando cheguei ao Brasil, antes de o avião pousar, no Rio, pude ver que terra linda vocês têm, que patrimônio maravilhoso, e é preciso cuidar dele", concluiu.



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