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Garoto vende brigadeiros para ir à faculdade

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Aos 16 anos, Paulo Eduardo decidiu empreender; meta é pagar curso de designer gráfico em Portugal


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

21/07/2019 | 07:00


 O sonho de cursar faculdade de designer gráfico em Portugal motivou o estudante do 1º ano do ensino médio Paulo Eduardo Lenndel de Castro Alves Kuester, 16 anos, a empreender. Morador de São Caetano, o garoto criou o projeto Acredite Brigadeiros, no qual produz os doces e vende pelas ruas da cidade no contraturno escolar. 

“No começo foi difícil, tive medo, mas o segredo é não ter preguiça. Se temos um sonho, precisamos tentar realizá-lo”, considera Paulo Eduardo. Tímido, ele revela que a venda dos brigadeiros está sendo positiva para sua evolução pessoal. “Estou gostando, porque me socializo. Antes, mal saia de casa.”

Dedicado, o garoto aproveita o período de recesso escolar para incrementar a produção – em menos de um mês, já foram 600 brigadeiros vendidos. Paulo Eduardo comenta que demora quase um dia inteiro para concluir uma receita. “Levo uns 40 minutos para fazer a massa. Depois, deixo descansando na geladeira por sete a oito horas para ficar com a consistência ideal, peso, enrolo e passo o granulado”, destaca.

Cada unidade custa R$ 3 (tem 25 gramas), mas se o cliente levar duas paga R$ 5, garante o empreendedor. “Também comecei a pegar encomendas para festas. Faço brigadeiros de 14 gramas (R$ 55 o cento) e de 18 gramas (R$ 90 o cento). Estou me esforçando muito”, diz Paulo Eduardo, que oferece os doces diariamente no calçadão da Avenida Conde Francisco Matarazzo, bairro Fundação, na parte da tarde, e, no cruzamento das ruas Amazonas e Samuel Klein, no Centro, entre 18h e 19h.

A meta é ousada: arrecadar R$ 50 mil em menos de três anos. Para alcançá-la, ele conta com apoio da família, a mãe, a fotógrafa Karina, 37, com quem aprendeu a fazer o brigadeiro, e pai, o motorista de aplicativo Paulo Eduardo, 41, que colabora com as entregas. “Abrimos uma poupança para ele, pesquisamos planilhas de custos e ingredientes, fomos atrás da melhor receita. O que digo é que precisa ser tudo de qualidade e feito com carinho”, ressalta a mãe.

Do total arrecadado com a venda dos brigadeiros, metade vai para a poupança destinada ao curso universitário. Os 50% restantes são divididos em capital de giro para as compras e manutenção do negócio, despesas da casa e gastos pessoais de Paulo Eduardo. “Todo mundo tem a mesma reação nas ruas. Ficam surpresos, porque os jovens geralmente não ligam muito para os estudos e trabalho, mas não posso perder essa chance. Só assim vai dar certo”, observa o garoto.

Para Karina, a fase empreendedora do filho simboliza vitória para a família. “Ele sempre foi um garoto muito dedicado e, por ter deficit de atenção, sofreu bullying na escola por muitos anos. Sofremos bastante, ele apresentou queda no rendimento escolar. A gente está apoiando como pode.” Aluno da EE Professora Yolanda Ascêncio, no bairro Olímpico, Paulo Eduardo precisa realizar exame neurológico que custa em média R$ 1.000. “A gente está ‘se virando nos 30’ para dar um jeito de fazer esse exame”, desabafa a mãe.



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Garoto vende brigadeiros para ir à faculdade

Aos 16 anos, Paulo Eduardo decidiu empreender; meta é pagar curso de designer gráfico em Portugal

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

21/07/2019 | 07:00


 O sonho de cursar faculdade de designer gráfico em Portugal motivou o estudante do 1º ano do ensino médio Paulo Eduardo Lenndel de Castro Alves Kuester, 16 anos, a empreender. Morador de São Caetano, o garoto criou o projeto Acredite Brigadeiros, no qual produz os doces e vende pelas ruas da cidade no contraturno escolar. 

“No começo foi difícil, tive medo, mas o segredo é não ter preguiça. Se temos um sonho, precisamos tentar realizá-lo”, considera Paulo Eduardo. Tímido, ele revela que a venda dos brigadeiros está sendo positiva para sua evolução pessoal. “Estou gostando, porque me socializo. Antes, mal saia de casa.”

Dedicado, o garoto aproveita o período de recesso escolar para incrementar a produção – em menos de um mês, já foram 600 brigadeiros vendidos. Paulo Eduardo comenta que demora quase um dia inteiro para concluir uma receita. “Levo uns 40 minutos para fazer a massa. Depois, deixo descansando na geladeira por sete a oito horas para ficar com a consistência ideal, peso, enrolo e passo o granulado”, destaca.

Cada unidade custa R$ 3 (tem 25 gramas), mas se o cliente levar duas paga R$ 5, garante o empreendedor. “Também comecei a pegar encomendas para festas. Faço brigadeiros de 14 gramas (R$ 55 o cento) e de 18 gramas (R$ 90 o cento). Estou me esforçando muito”, diz Paulo Eduardo, que oferece os doces diariamente no calçadão da Avenida Conde Francisco Matarazzo, bairro Fundação, na parte da tarde, e, no cruzamento das ruas Amazonas e Samuel Klein, no Centro, entre 18h e 19h.

A meta é ousada: arrecadar R$ 50 mil em menos de três anos. Para alcançá-la, ele conta com apoio da família, a mãe, a fotógrafa Karina, 37, com quem aprendeu a fazer o brigadeiro, e pai, o motorista de aplicativo Paulo Eduardo, 41, que colabora com as entregas. “Abrimos uma poupança para ele, pesquisamos planilhas de custos e ingredientes, fomos atrás da melhor receita. O que digo é que precisa ser tudo de qualidade e feito com carinho”, ressalta a mãe.

Do total arrecadado com a venda dos brigadeiros, metade vai para a poupança destinada ao curso universitário. Os 50% restantes são divididos em capital de giro para as compras e manutenção do negócio, despesas da casa e gastos pessoais de Paulo Eduardo. “Todo mundo tem a mesma reação nas ruas. Ficam surpresos, porque os jovens geralmente não ligam muito para os estudos e trabalho, mas não posso perder essa chance. Só assim vai dar certo”, observa o garoto.

Para Karina, a fase empreendedora do filho simboliza vitória para a família. “Ele sempre foi um garoto muito dedicado e, por ter deficit de atenção, sofreu bullying na escola por muitos anos. Sofremos bastante, ele apresentou queda no rendimento escolar. A gente está apoiando como pode.” Aluno da EE Professora Yolanda Ascêncio, no bairro Olímpico, Paulo Eduardo precisa realizar exame neurológico que custa em média R$ 1.000. “A gente está ‘se virando nos 30’ para dar um jeito de fazer esse exame”, desabafa a mãe.

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