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A minha Copa de 1994 - Parte I


Márcio Bernardes

18/07/2019 | 15:35


 Desde o início daquele ano eu estava convicto de que iria para os Estados Unidos apenas para apresentar o meu programa pós-jogo Toque Final. A direção da rádio Globo, com quem eu havia combinado após o Mundial da Itália que não faria mais reportagem, insistiu para que eu fizesse trabalho duplo na Califórnia. Ressaltaram que os demais repórteres eram jovens e estavam ganhando experiência.

A rádio Globo era uma potência. O time de locutores tinha Osmar Santos, Luiz Roberto, Oscar Ulisses, Vanderlei Ribeiro. O comentarista titular era Paulo Roberto Martins. Acabei aceitando ser o repórter titular, tendo um desejo atendido pela diretoria; eu queria como companheiro na cobertura da seleção um daqueles jovens repórteres que despontava com brilho e talento. Escolhi José Calil, que me ajudou muito e fez como eu esperava, um trabalho sensacional.

Lembro que embarquei primeiro para Los Angeles, quase um mês antes da largada da Copa. Fui no mesmo voo da seleção, em um Boeing 747-300 da Varig. O comandante, Ricardo de Medeiros, convidou-me para acompanhar da cabine a aterrisagem. Sensacional. Chegamos tão cedo ao aeroporto que a imigração ainda não estava aberta. Percebi que estava começando a cobertura de mais um Mundial com extrema emoção.

O Brasil ficou em Los Gatos, treinava em Santa Clara e eu hospedado em San Jose. A distância de uma cidade para outra não chegava a 10 quilômetros.

Nos primeiros dias de treinos, pouquíssimos repórteres em Santa Clara. Ouvi a primeira grande revelação que me fez Carlos Alberto Parreira: vamos ganhar essa Copa na bola e no fôlego. Não entendi bem aquilo, até porque a seleção havia saído do Brasil debaixo de vaias e desconfianças. Vários jogos seriam próximos da hora do almoço, no verão escaldante da Califórnia. Moraci Santana introduziu o alongamento como parte dos treinos. Romário gostou tanto da novidade que prometeu ao preparador físico; faria um dos gols na Copa em homenagem ao
professor. Mas queria capricho nas gostosas e exclusivas sessões de alongamento.

A seleção treinava forte física e tecnicamente. E tinha o estilo Parreira de ser: forte na marcação com Dunga e Mauro Silva, Raí, depois Mazinho na armação das jogadas, implacável na defesa que tinha dois ótimos laterais, Jorginho e Branco e um ataque talentoso onde pontuavam Bebeto e Romário.

Acreditei nos planos de Parreira e confiei na imensa capacidade de Moraci. Era minha sexta Copa do Mundo e eu nunca havia visto o Brasil ganhar.

E não deu outra: aos trancos e barrancos, justamente no dia 17 de julho de 1994, o Brasil ganhou o Mundial na final contra a Itália.

Tem mais muitas histórias. Mas isso eu conto na próxima coluna.



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A minha Copa de 1994 - Parte I

Márcio Bernardes

18/07/2019 | 15:35


 Desde o início daquele ano eu estava convicto de que iria para os Estados Unidos apenas para apresentar o meu programa pós-jogo Toque Final. A direção da rádio Globo, com quem eu havia combinado após o Mundial da Itália que não faria mais reportagem, insistiu para que eu fizesse trabalho duplo na Califórnia. Ressaltaram que os demais repórteres eram jovens e estavam ganhando experiência.

A rádio Globo era uma potência. O time de locutores tinha Osmar Santos, Luiz Roberto, Oscar Ulisses, Vanderlei Ribeiro. O comentarista titular era Paulo Roberto Martins. Acabei aceitando ser o repórter titular, tendo um desejo atendido pela diretoria; eu queria como companheiro na cobertura da seleção um daqueles jovens repórteres que despontava com brilho e talento. Escolhi José Calil, que me ajudou muito e fez como eu esperava, um trabalho sensacional.

Lembro que embarquei primeiro para Los Angeles, quase um mês antes da largada da Copa. Fui no mesmo voo da seleção, em um Boeing 747-300 da Varig. O comandante, Ricardo de Medeiros, convidou-me para acompanhar da cabine a aterrisagem. Sensacional. Chegamos tão cedo ao aeroporto que a imigração ainda não estava aberta. Percebi que estava começando a cobertura de mais um Mundial com extrema emoção.

O Brasil ficou em Los Gatos, treinava em Santa Clara e eu hospedado em San Jose. A distância de uma cidade para outra não chegava a 10 quilômetros.

Nos primeiros dias de treinos, pouquíssimos repórteres em Santa Clara. Ouvi a primeira grande revelação que me fez Carlos Alberto Parreira: vamos ganhar essa Copa na bola e no fôlego. Não entendi bem aquilo, até porque a seleção havia saído do Brasil debaixo de vaias e desconfianças. Vários jogos seriam próximos da hora do almoço, no verão escaldante da Califórnia. Moraci Santana introduziu o alongamento como parte dos treinos. Romário gostou tanto da novidade que prometeu ao preparador físico; faria um dos gols na Copa em homenagem ao
professor. Mas queria capricho nas gostosas e exclusivas sessões de alongamento.

A seleção treinava forte física e tecnicamente. E tinha o estilo Parreira de ser: forte na marcação com Dunga e Mauro Silva, Raí, depois Mazinho na armação das jogadas, implacável na defesa que tinha dois ótimos laterais, Jorginho e Branco e um ataque talentoso onde pontuavam Bebeto e Romário.

Acreditei nos planos de Parreira e confiei na imensa capacidade de Moraci. Era minha sexta Copa do Mundo e eu nunca havia visto o Brasil ganhar.

E não deu outra: aos trancos e barrancos, justamente no dia 17 de julho de 1994, o Brasil ganhou o Mundial na final contra a Itália.

Tem mais muitas histórias. Mas isso eu conto na próxima coluna.

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