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Indústria demite 22 por dia neste ano

ABR Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Falta de confiança no governo faz com que fábricas da região percam 4.050 empregos até junho


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

18/07/2019 | 07:13


Fruto das constantes reduções dos índices de crescimento econômico e da estagnação nos investimentos do setor produtivo, a indústria do Grande ABC demitiu 4.050 trabalhadores no primeiro semestre deste ano. O volume de cortes representa uma média de 22 desligamentos diários nas fábricas da região. Somente em junho, foram 1.350 demissões, o que representa o pior resultado para o mês desde 2015.

Os dados foram levantados pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e divulgados ontem pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O resultado dos seis primeiros meses de 2019 é pior do que o do ano passado, quando foram geradas 350 contratações no período. Os números começaram a cair em junho (foram 1.300 demissões no mês), por conta da greve dos caminhoneiros somado à Copa do Mundo.

Após uma alta na confiança dos empresários neste início do ano, influenciada pelo novo governo, o setor produtivo passa por momento de estagnação nos investimentos. De acordo com o diretor titular do Ciesp Santo André, que também responde por Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, Norberto Perrella, ainda há uma situação de espera. A regional registrou 500 demissões em junho e 1.850 no primeiro semestre.

“O governo está numa situação de falta de credibilidade e o mercado deu uma recuada por conta do compasso de espera com as reformas. A da Previdência está em fase de aprovação e deve sair em agosto ou setembro. Mas os empresários ainda não estão acreditando em crescimento”, disse.

O diretor titular do Ciesp de São Bernardo, Cláudio Barberini Junior, concordou quando questionado sobre as razões da queda. “É fruto da economia estagnada, porque não tem demanda para os produtos e, consequentemente, há uma redução na produção, que pode se definir em demissões. Aliás, não podemos dizer que ela está estagnada, mas que diminuiu porque teve retração nos principais índices”, afirmou. Segundo ele, as “perspectivas com o novo governo eram de que as reformas fossem mais aceleradas, o que não está acontecendo, mas sim, uma queda de braço no Congresso”, afirmou.

São Bernardo foi a cidade com mais demissões em junho, registrando 750 cortes. São Caetano teve 350 dispensas no mês e, Diadema, foi a única que fechou no azul, com 250 contratações. No primeiro semestre, todas as cidades estão no negativo.

A perspectiva é a de que o cenário não tenha grande mudança ainda neste ano. Segundo Perrella, os empresários já consideram 2019 praticamente perdido. “Os números são um sinal de alerta. No Grande ABC, não vemos nenhum planejamento de curto a médio prazo pelo poder público para recuperar e tornar a região mais atrativa para a indústria, ou seja, a situação regional fica pior por essa falta de estratégia para a reindustrialização.”

Barberini acredita que a liberação do saque do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) – leia mais sobre o assunto abaixo – e as reformas possam ajudar. “Algumas medidas são paliativas para não deixar a economia parada e aumentar o consumo. Depois das reformas, aí é que a economia vai começar a girar. Porém, todas as empresas da região estão com ociosidade, e antes de começar a gerar vagas, precisamos acabar com isso. A nossa esperança é que a gente consiga retomar os índices do início do ano, ou seja, pelo menos parar de demitir”, disse.


Cortes na Ford impactam todo o setor

O anúncio recente das 750 demissões na planta da Ford em São Bernardo deve impactar outras empresas do segmento no Grande ABC. Ontem, o SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) também confirmou que 280 trabalhadores já haviam aderido ao PDI (Plano de Demissão Incentivada) desde maio e saíram da empresa. Ou seja, já são 1.030 colaboradores desligados. Considerando a estimativa da entidade de que, para cada desligamento na montadora, quatro perdem seus empregos na cadeia automotiva, as dispensas podem chegar a 4.120.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Cícero Firmino Martinha, três empresas já fizeram demissões por conta do encerramento da linha de produção do New Fiesta. No total, foram dispensados cerca de 100 operários.

“Tudo o que acontece com as montadoras tem reflexo imediato, principalmente nas empresas de autopeças. Muitas delas estão situadas aqui na região, por conta da proximidade com as montadoras, e muitas delas são empresas que passam de pai para filho, e quando elas recebem um impacto desses, não conseguem absorvê-lo”, destacou.

Segundo Martinha, o número de demitidos pode aumentar. “Essas empresas costumam repassar peças para outras de menor porte, ou seja, acaba atingindo uma cadeia inteira. Essas três companhias são grandes e representam mais de 100 dispensados. Mas muitas das firmas menores também já devem ter demitido, é que isso não passa pelo sindicato, porque trabalhadores que têm menos de um ano de empresa não fazemos a homologação”, afirmou.

Por conta disso, há forte preocupação com a situação. “A região passa por um momento de tensão. Temos muitos profissionais desempregados e aqueles desalentados, que nem procuram mais por emprego, então o impacto é cada vez maior e essa questão da For só agrava o quadro. Há crescimento nos setores de comércio e serviços, mas eles não dão conta de absorver todos esses que estão sendo dispensados”, disse.

As demissões na Ford devem ter início na próxima semana, de acordo com o sindicato. A produção de caminhões, com capacidade de 80 unidades por dia, ainda segue na planta durante esta semana. A unidade teve seu fechamento anunciado em fevereiro deste ano.  



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Indústria demite 22 por dia neste ano

Falta de confiança no governo faz com que fábricas da região percam 4.050 empregos até junho

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

18/07/2019 | 07:13


Fruto das constantes reduções dos índices de crescimento econômico e da estagnação nos investimentos do setor produtivo, a indústria do Grande ABC demitiu 4.050 trabalhadores no primeiro semestre deste ano. O volume de cortes representa uma média de 22 desligamentos diários nas fábricas da região. Somente em junho, foram 1.350 demissões, o que representa o pior resultado para o mês desde 2015.

Os dados foram levantados pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e divulgados ontem pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O resultado dos seis primeiros meses de 2019 é pior do que o do ano passado, quando foram geradas 350 contratações no período. Os números começaram a cair em junho (foram 1.300 demissões no mês), por conta da greve dos caminhoneiros somado à Copa do Mundo.

Após uma alta na confiança dos empresários neste início do ano, influenciada pelo novo governo, o setor produtivo passa por momento de estagnação nos investimentos. De acordo com o diretor titular do Ciesp Santo André, que também responde por Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, Norberto Perrella, ainda há uma situação de espera. A regional registrou 500 demissões em junho e 1.850 no primeiro semestre.

“O governo está numa situação de falta de credibilidade e o mercado deu uma recuada por conta do compasso de espera com as reformas. A da Previdência está em fase de aprovação e deve sair em agosto ou setembro. Mas os empresários ainda não estão acreditando em crescimento”, disse.

O diretor titular do Ciesp de São Bernardo, Cláudio Barberini Junior, concordou quando questionado sobre as razões da queda. “É fruto da economia estagnada, porque não tem demanda para os produtos e, consequentemente, há uma redução na produção, que pode se definir em demissões. Aliás, não podemos dizer que ela está estagnada, mas que diminuiu porque teve retração nos principais índices”, afirmou. Segundo ele, as “perspectivas com o novo governo eram de que as reformas fossem mais aceleradas, o que não está acontecendo, mas sim, uma queda de braço no Congresso”, afirmou.

São Bernardo foi a cidade com mais demissões em junho, registrando 750 cortes. São Caetano teve 350 dispensas no mês e, Diadema, foi a única que fechou no azul, com 250 contratações. No primeiro semestre, todas as cidades estão no negativo.

A perspectiva é a de que o cenário não tenha grande mudança ainda neste ano. Segundo Perrella, os empresários já consideram 2019 praticamente perdido. “Os números são um sinal de alerta. No Grande ABC, não vemos nenhum planejamento de curto a médio prazo pelo poder público para recuperar e tornar a região mais atrativa para a indústria, ou seja, a situação regional fica pior por essa falta de estratégia para a reindustrialização.”

Barberini acredita que a liberação do saque do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) – leia mais sobre o assunto abaixo – e as reformas possam ajudar. “Algumas medidas são paliativas para não deixar a economia parada e aumentar o consumo. Depois das reformas, aí é que a economia vai começar a girar. Porém, todas as empresas da região estão com ociosidade, e antes de começar a gerar vagas, precisamos acabar com isso. A nossa esperança é que a gente consiga retomar os índices do início do ano, ou seja, pelo menos parar de demitir”, disse.


Cortes na Ford impactam todo o setor

O anúncio recente das 750 demissões na planta da Ford em São Bernardo deve impactar outras empresas do segmento no Grande ABC. Ontem, o SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) também confirmou que 280 trabalhadores já haviam aderido ao PDI (Plano de Demissão Incentivada) desde maio e saíram da empresa. Ou seja, já são 1.030 colaboradores desligados. Considerando a estimativa da entidade de que, para cada desligamento na montadora, quatro perdem seus empregos na cadeia automotiva, as dispensas podem chegar a 4.120.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Cícero Firmino Martinha, três empresas já fizeram demissões por conta do encerramento da linha de produção do New Fiesta. No total, foram dispensados cerca de 100 operários.

“Tudo o que acontece com as montadoras tem reflexo imediato, principalmente nas empresas de autopeças. Muitas delas estão situadas aqui na região, por conta da proximidade com as montadoras, e muitas delas são empresas que passam de pai para filho, e quando elas recebem um impacto desses, não conseguem absorvê-lo”, destacou.

Segundo Martinha, o número de demitidos pode aumentar. “Essas empresas costumam repassar peças para outras de menor porte, ou seja, acaba atingindo uma cadeia inteira. Essas três companhias são grandes e representam mais de 100 dispensados. Mas muitas das firmas menores também já devem ter demitido, é que isso não passa pelo sindicato, porque trabalhadores que têm menos de um ano de empresa não fazemos a homologação”, afirmou.

Por conta disso, há forte preocupação com a situação. “A região passa por um momento de tensão. Temos muitos profissionais desempregados e aqueles desalentados, que nem procuram mais por emprego, então o impacto é cada vez maior e essa questão da For só agrava o quadro. Há crescimento nos setores de comércio e serviços, mas eles não dão conta de absorver todos esses que estão sendo dispensados”, disse.

As demissões na Ford devem ter início na próxima semana, de acordo com o sindicato. A produção de caminhões, com capacidade de 80 unidades por dia, ainda segue na planta durante esta semana. A unidade teve seu fechamento anunciado em fevereiro deste ano.  

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