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Juros longos têm viés de alta em meio a possível adiamento do 2º turno da reforma



12/07/2019 | 18:29


O mercado de juros encerrou a sexta-feira sob alguma cautela, com a maior parte das taxas em alta moderada, mas renovando máximas entre o fim da sessão regular e durante a etapa estendida. A piora foi atribuída ao aumento do risco de a votação da reforma da Previdência não ser concluída em seus dois turnos antes do recesso parlamentar, que era quase um compromisso do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Ele próprio, no fim da manhã, já havia acenado com a possibilidade de ficar para agosto e à tarde surgiram mais declarações de parlamentares indicando que nem mesmo as votações dos destaques podem terminar hoje.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 encerrou a jornada regular com taxa de 5,745%, de 5,750% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 fechou na máxima de 5,60%, de 5,588% ontem no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2023 subiu de 6,300% para 6,33% e a do DI para janeiro de 2025, de 6,830% para 6,88%.

O mercado vinha embalado no otimismo em relação à conclusão do processo na Câmara entre hoje e amanhã ou no máximo na próxima semana, mas ao longo do dia o noticiário foi apontando os empecilhos para se conseguir quórum no plenário antes do recesso que começa dia 18. Com cerca de 25 deputados participando do Parlasul (parlamento do Mercosul) na semana que vem, a chance de concentrar quase 500 deputados em Brasília - Maia tem adotado o número "mágico" de 490 presenças - é pequena. O líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), disse que a chance de fazer uma votação amanhã na Câmara é "zero". O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, também descartou essa possibilidade. "Ou terminam os destaques hoje, ou só em agosto", disse.

O mercado associa o risco de a reforma ser concluída na Câmara em agosto a uma menor chance de o corte da Selic começar em julho, ou começar já com uma queda de 0,50 ponto, como defende parte dos economistas. Hoje o Itaú Unibanco alterou sua previsão para o Copom de julho e agora espera recuo de 0,50 ponto, de 0,25 ponto anteriormente. "Além da possibilidade de não cortar, ou cortar pouco, aumenta a possibilidade de uma reforma mais aguada", afirma um gestor. Mesmo com os destaques que passaram, está mantida expectativa de um texto com potência fiscal perto de R$ 900 bilhões, mas esse número pode ser muito otimista se tudo ficar mesmo para agosto.

"Postergar aumenta a chance de haver pressões setoriais, de grupos, entre uma votação e outra, sempre tem um desgaste", afirmou o economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima.

Até o meio da tarde, o mercado acompanhava a movimentação em Brasília com taxas de lado, apesar da valorização do câmbio. Além do espaço para correção diante da forte perda de prêmios nas últimas semanas, o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, acredita que a entrevista do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicou para o mercado que o ciclo de afrouxamento monetário deve começar com 25 pontos-base." Ele mostrou certa confiança de que devemos ter inflexão na economia no segundo semestre, indicando que fraqueza seria temporária o que sugere que será 25 pontos", disse.



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Juros longos têm viés de alta em meio a possível adiamento do 2º turno da reforma


12/07/2019 | 18:29


O mercado de juros encerrou a sexta-feira sob alguma cautela, com a maior parte das taxas em alta moderada, mas renovando máximas entre o fim da sessão regular e durante a etapa estendida. A piora foi atribuída ao aumento do risco de a votação da reforma da Previdência não ser concluída em seus dois turnos antes do recesso parlamentar, que era quase um compromisso do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Ele próprio, no fim da manhã, já havia acenado com a possibilidade de ficar para agosto e à tarde surgiram mais declarações de parlamentares indicando que nem mesmo as votações dos destaques podem terminar hoje.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 encerrou a jornada regular com taxa de 5,745%, de 5,750% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 fechou na máxima de 5,60%, de 5,588% ontem no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2023 subiu de 6,300% para 6,33% e a do DI para janeiro de 2025, de 6,830% para 6,88%.

O mercado vinha embalado no otimismo em relação à conclusão do processo na Câmara entre hoje e amanhã ou no máximo na próxima semana, mas ao longo do dia o noticiário foi apontando os empecilhos para se conseguir quórum no plenário antes do recesso que começa dia 18. Com cerca de 25 deputados participando do Parlasul (parlamento do Mercosul) na semana que vem, a chance de concentrar quase 500 deputados em Brasília - Maia tem adotado o número "mágico" de 490 presenças - é pequena. O líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), disse que a chance de fazer uma votação amanhã na Câmara é "zero". O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, também descartou essa possibilidade. "Ou terminam os destaques hoje, ou só em agosto", disse.

O mercado associa o risco de a reforma ser concluída na Câmara em agosto a uma menor chance de o corte da Selic começar em julho, ou começar já com uma queda de 0,50 ponto, como defende parte dos economistas. Hoje o Itaú Unibanco alterou sua previsão para o Copom de julho e agora espera recuo de 0,50 ponto, de 0,25 ponto anteriormente. "Além da possibilidade de não cortar, ou cortar pouco, aumenta a possibilidade de uma reforma mais aguada", afirma um gestor. Mesmo com os destaques que passaram, está mantida expectativa de um texto com potência fiscal perto de R$ 900 bilhões, mas esse número pode ser muito otimista se tudo ficar mesmo para agosto.

"Postergar aumenta a chance de haver pressões setoriais, de grupos, entre uma votação e outra, sempre tem um desgaste", afirmou o economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima.

Até o meio da tarde, o mercado acompanhava a movimentação em Brasília com taxas de lado, apesar da valorização do câmbio. Além do espaço para correção diante da forte perda de prêmios nas últimas semanas, o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, acredita que a entrevista do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicou para o mercado que o ciclo de afrouxamento monetário deve começar com 25 pontos-base." Ele mostrou certa confiança de que devemos ter inflexão na economia no segundo semestre, indicando que fraqueza seria temporária o que sugere que será 25 pontos", disse.

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