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Exposição na Casa Mário de Andrade, em São Paulo, celebra relação entre ele, Oswald e Tarsila


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

14/07/2019 | 07:28


Existe uma gíria usada atualmente para dizer que você aprova determinado casal: trata-se do tal shippar. Para tanto, é feita a junção dos nomes dos ‘amantes’, que prontamente é reverberado nas redes sociais. À exemplo, o ex-casal Bruna Marquezine e Neymar, que era ‘reduzido’ pelos fãs para Brumar. O engraçado é que o modernista Mário de Andrade fazia isso há quase um século sem nem saber. Tanto que tratava o casal de amigos Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade de Tarsivaldo, nome dado à exposição que acaba de entrar em cartaz na Casa Mário de Andrade, em São Paulo.

Composta por cartas, fotografias e textos, a mostra revela aspectos da amizade entre os três artistas, evidenciando a troca de ideias, de afetos e discordâncias entre eles. “A nossa intenção foi homenagear a amizade dos três modernistas por meio da troca de cartas realizada entre eles de 1917 até 1929, com destaque para as que compreenderam a Semana de Arte Moderna (1922), que em breve será comemorado o centenário”, explica o coordenador cultural da Casa e um dos curadores da mostra, Marcelo Tupinambá.

O nome da exposição, acrescenta, atraiu a atenção dos mais jovens, que rapidamente associaram ao shippar. “O Mário, como era amigo dos dois, não escrevia para um ou o outro, escrevia para o casal. Fez até um poema, o Tarsivaldo (veja em foto à direita), em que com uma receita que promove a alquimia do casal. E o que a gente vê na troca de correspondências é que eles vão contando o ambiente em que estão vivendo. Mário, por exemplo, relatou para Oswald, que passava uma temporada na Europa, quando escreveu Macunaíma, em 1926, e depois quando publicou, em 1928”, lembra. Já Oswald, descreve os artistas que conheceu em Paris, entre eles Pablo Picasso, fez crítica aos exemplares que circulavam por lá à época, e pediu para que o amigo mandasse um de seus livros, Os Condenados, para que pudesse mostrar. “Mais do que uma conversa íntima entre amigos, é um registro histórico da época”, completa Tupinambá.

Mário também tinha profunda admiração por Tarsila, a quem comparou à deusa grega da Justiça em uma das conversas e, em 1929, para quem escreveu para dizer que havia rompido com Oswald, já que ele publicou artigos em jornais de São Paulo em que caçoou do amigo. Em um deles o chamou de Miss São Paulo, brincando com sua sexualidade.

De forma a ilustrar as cartas, a exposição também contém os exemplares dos livros citados pelos três, entre eles Paulicéia Desvairada (1922) e O Manifesto Antropofágico (1928). “A exposição também é importante para mostrar que a carta guarda, ainda com este distanciamento, as informações, suas histórias, coisas que as mensagens trocadas em WhattsApp não têm, pois são efêmeras”, finaliza.

Tarsivaldo – Exposição – Casa Mário de Andrade – Rua Lopes Chaves, 546, em São Paulo. Até 29 de setembro, de terça a domingo, das 10h às 18h. Gratuito.  



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Exposição na Casa Mário de Andrade, em São Paulo, celebra relação entre ele, Oswald e Tarsila

Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

14/07/2019 | 07:28


Existe uma gíria usada atualmente para dizer que você aprova determinado casal: trata-se do tal shippar. Para tanto, é feita a junção dos nomes dos ‘amantes’, que prontamente é reverberado nas redes sociais. À exemplo, o ex-casal Bruna Marquezine e Neymar, que era ‘reduzido’ pelos fãs para Brumar. O engraçado é que o modernista Mário de Andrade fazia isso há quase um século sem nem saber. Tanto que tratava o casal de amigos Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade de Tarsivaldo, nome dado à exposição que acaba de entrar em cartaz na Casa Mário de Andrade, em São Paulo.

Composta por cartas, fotografias e textos, a mostra revela aspectos da amizade entre os três artistas, evidenciando a troca de ideias, de afetos e discordâncias entre eles. “A nossa intenção foi homenagear a amizade dos três modernistas por meio da troca de cartas realizada entre eles de 1917 até 1929, com destaque para as que compreenderam a Semana de Arte Moderna (1922), que em breve será comemorado o centenário”, explica o coordenador cultural da Casa e um dos curadores da mostra, Marcelo Tupinambá.

O nome da exposição, acrescenta, atraiu a atenção dos mais jovens, que rapidamente associaram ao shippar. “O Mário, como era amigo dos dois, não escrevia para um ou o outro, escrevia para o casal. Fez até um poema, o Tarsivaldo (veja em foto à direita), em que com uma receita que promove a alquimia do casal. E o que a gente vê na troca de correspondências é que eles vão contando o ambiente em que estão vivendo. Mário, por exemplo, relatou para Oswald, que passava uma temporada na Europa, quando escreveu Macunaíma, em 1926, e depois quando publicou, em 1928”, lembra. Já Oswald, descreve os artistas que conheceu em Paris, entre eles Pablo Picasso, fez crítica aos exemplares que circulavam por lá à época, e pediu para que o amigo mandasse um de seus livros, Os Condenados, para que pudesse mostrar. “Mais do que uma conversa íntima entre amigos, é um registro histórico da época”, completa Tupinambá.

Mário também tinha profunda admiração por Tarsila, a quem comparou à deusa grega da Justiça em uma das conversas e, em 1929, para quem escreveu para dizer que havia rompido com Oswald, já que ele publicou artigos em jornais de São Paulo em que caçoou do amigo. Em um deles o chamou de Miss São Paulo, brincando com sua sexualidade.

De forma a ilustrar as cartas, a exposição também contém os exemplares dos livros citados pelos três, entre eles Paulicéia Desvairada (1922) e O Manifesto Antropofágico (1928). “A exposição também é importante para mostrar que a carta guarda, ainda com este distanciamento, as informações, suas histórias, coisas que as mensagens trocadas em WhattsApp não têm, pois são efêmeras”, finaliza.

Tarsivaldo – Exposição – Casa Mário de Andrade – Rua Lopes Chaves, 546, em São Paulo. Até 29 de setembro, de terça a domingo, das 10h às 18h. Gratuito.  

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