Literatura Durante período de autoconhecimento e reflexão pessoal, escritora vislumbrou oportunidade de mergulhar na literatura juvenil
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Quem disse que não pode misturar trabalho científico com fantasia? Decerto alguns intelectuais da área. Mas mesmo com críticas daqueles que ainda acreditam que a pesquisa só deve enveredar-se por caminhos conservadores, a escritora de Diadema Cristina Casagrande, formada em Jornalismo e Letras, decidiu romper esse acordo tácito e ir além, usando como base principal de seus estudos a obra de fantasia que conquistou o mundo, O Senhor dos Anéis, escrita por J.R.R.Tolkien e adaptada ao cinema por Peter Jackson.
“Eu tinha uma ideia muito rasa sobre fantasia. Como o senso comum, achava que essas coisas eram estritamente ligadas à infância. Nós somos encorajados a acreditar que apenas a ciência é algo sério e traz a verdade, quando obras como essa podem revelar muito sobre a vida”, conta Cristina, que transformou seus estudos de mestrado em obra literária. “Uma semana antes de eu defender (a tese) tinha gente falando que Tolkien não é literatura”, lembra.
Foi durante um período de autoconhecimento e muita reflexão pessoal que a escritora vislumbrou uma oportunidade de mergulhar de cabeça na literatura juvenil e mostrar ao País a dimensão filosófica que existe no lúdico. Não à toa, seu livro A Amizade em O Senhor dos Anéis (Editora Martin Claret, R$ 49,90, em média), que acaba de ser lançado, parte de uma análise profunda dessa virtude nos relacionamentos humanos com base nas histórias fantásticas do escritor.
Na obra ela conta sobre a aventura de Frodo e Sam, dois Hobbits do Condado que vão em busca de enfrentar o mal e destruir um Anel de poder capaz de fazer sucumbir a Terra Média e todas as raças que a habitam.
A composição da narrativa não apenas evoca muitas escolas literárias, como apresenta influência de mitologias e línguas antigas. Não só isso, o principal da história é a reflexão que propõe a respeito dos problemas e das dores humanas, bem como a capacidade de enfrentar as guerras internas e vencer a jornada da vida.
Cristina faz parte de uma comunidade que quer transformar as obras do autor J.R.R.Tolkien em canônicas no Brasil, para além da fantasia, eles acreditam que a literatura tolkieniana deva se enquadrar no rol seleto dos clássicos. Junto deles está a editora Harper Collins, que republica novas edições luxuosas de todos os livros de Tolkien. O seriado anunciado pela Amazon Prime também pretende atrair ainda mais pessoas para esse universo.
A Amizade em O Senhor dos Anéis veio para impactar uma sociedade imediatista e fazer com que as pessoas repensem o modo como encaram sua própria aventura e o que Tolkien definiu como o ‘espelho de escárnio e pena’; o reconhecimento de si no outro como forma de desprezo ou misericórdia, por compreender que todos temos nosso lado ‘vilanesco’.
“A verdadeira vitória é fruto de muito perrengue e muita dor. O bem prepondera, mas as marcas ficam, e está tudo bem” finaliza Cristina, que encontrou nas pesquisas acadêmicas um ciclo de aprendizado e troca com sua trajetória de dilemas e decepções. Ela prova que os estudos científicos podem representar um caminho de transformações para um mundo melhor.
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