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Galeria a céu aberto que levou cor ao
Jardim Santo André será inaugurada dia 27

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Condomínio A15 ganhou três novas moradoras


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

08/07/2019 | 09:56


O condomínio A15, no Jardim Santo André, ganhou três novas moradoras. Elas não habitam, no entanto, nenhum dos 144 apartamentos locais. Estão ao relento. Mas, neste caso, por uma boa causa: são as protagonistas da galeria de arte urbana a céu aberto que está sendo elaborada por iniciativa do Consórcio Habitar Melhor, pelo projeto Lab Urbe, com investimento do CDHU/Governo do Estado de São Paulo, que tem contado com o trabalho de doze artistas para transformar as casas e prédios do bairro – atualmente em processo de regularização fundiária – em obras de arte. O resultado da pintura, que já leva dez meses, será inaugurado dia 27, com visitas monitoradas.

A obra das ‘mulheres do condomínio’, referida acima, é do artista Raul Zito. Ele trabalha com a técnica de fotografia expandida, que combina a imagem colada com a pintura. Para chegar às imagens, lembra, se reuniu durante três meses com os moradores locais. “Essa ideia da lata d´água na cabeça surgiu das conversas que me trouxeram histórias do bairro. Uma memória muito viva e afetiva, comum a todos dali, é a de ir buscar a água na bica, que ficava ali próxima aos prédios. Percebi que a bica era um lugar onde se encontravam não só para pegar água, lavar roupa, mas para conversarem também, trocarem ideias. Além das imagens simbolizarem aquela população, acabei usando também como signo universal, porque quando fui fazer a pesquisa para elaboração das fotos, constatei que dois terços da população mundial ainda não tem água encanada em casa. Abrir a torneira e sair água pode ser considerado um privilégio”, analisa o artista, que vai além. “Trouxemos também a ideia da água como signo de limpeza, de purificação, além do símbolo máximo da vida. Este trabalho, no fim das contas, está falando sobre o papel fundamental da mulher na humanidade, como ela sendo o principal alicerce da vida humana.”

Além de Zito, outro artista que ajudou a colorir as ruas, vielas e prédios do local – que ficou conhecido em 2008, depois da tragédia que vitimou a jovem Eloá Pimentel, 15 anos, morta pelo ex-namorado Lindemberg Alves, que a manteve durante 100 horas em cárcere privado – foi Rim Chiaradia, que há seis meses frequenta o local para desenvolver seu grafite. “O bairro tem uma história dura, de questões de violência de gênero e uma série de coisas, porém esse trabalho tem nos dado uma resposta positiva. No começo todo mundo olhava estranho nossa pintura, pensavam: ‘o que esses caras estão fazendo?’. Mas depois se acostumaram, a molecada interage muito com a gente. A ideia da arte é essa, é pública, para todo mundo. Ela transforma. O grafite tem essa função social, de dialogar direto com as pessoas.” Sem dúvida.

Os coordenadores de produção deste trabalho são Thiago Vaz e Thaís Scabio – a equipe inclui os coordenadores gerais André de Castro e Jerônimo Vilhena e a assistente Karina Segundo. O projeto, segundo Vaz, já passou por Cubatão, Serra do Mar e Guarulhos e o resultado é sempre positivo para comunidade. “Com essas artes você provoca a ação educativa. Porque as pessoas que passam pelas mulheres (do condomínio), por exemplo, perguntam como é feito. Daí é o momento que falamos das oficinas que oferecemos no escritório da CDHU (Avenida Eloá, 170), que inclui todas as técnicas de arte urbana. Conseguimos trazer esse público para ação mais efetiva no espaço”, diz o coordenador.

Morador há 33 anos do Jardim Santo André, o aposentado Paulo Silvino da Silva, 65 anos, participou da oficina de desenho ministrada pela artista Monica Ancapi. “Foi a primeira vez que desenhei e gostei muito. A arte mudou o astral do bairro. Deu presença à nossa comunidade. Está muito bonito”. O grafite trouxe vida, literalmente, para um local que ficou conhecida pela morte. 

EM NÚMEROS

10 meses de execução;

11 locais públicos revitalizados com intervenções dentro do Jardim Santo André;

3.350 famílias beneficiadas;

7.400 metros quadrados de área com intervenções artísticas;

8.000 litros de tinta foram utilizados;

200 mudas de flores e plantas ornamentais;

150 pessoas contempladas em ações educativas do projeto.

Fonte: Lab Urbe



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Galeria a céu aberto que levou cor ao
Jardim Santo André será inaugurada dia 27

Condomínio A15 ganhou três novas moradoras

Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

08/07/2019 | 09:56


O condomínio A15, no Jardim Santo André, ganhou três novas moradoras. Elas não habitam, no entanto, nenhum dos 144 apartamentos locais. Estão ao relento. Mas, neste caso, por uma boa causa: são as protagonistas da galeria de arte urbana a céu aberto que está sendo elaborada por iniciativa do Consórcio Habitar Melhor, pelo projeto Lab Urbe, com investimento do CDHU/Governo do Estado de São Paulo, que tem contado com o trabalho de doze artistas para transformar as casas e prédios do bairro – atualmente em processo de regularização fundiária – em obras de arte. O resultado da pintura, que já leva dez meses, será inaugurado dia 27, com visitas monitoradas.

A obra das ‘mulheres do condomínio’, referida acima, é do artista Raul Zito. Ele trabalha com a técnica de fotografia expandida, que combina a imagem colada com a pintura. Para chegar às imagens, lembra, se reuniu durante três meses com os moradores locais. “Essa ideia da lata d´água na cabeça surgiu das conversas que me trouxeram histórias do bairro. Uma memória muito viva e afetiva, comum a todos dali, é a de ir buscar a água na bica, que ficava ali próxima aos prédios. Percebi que a bica era um lugar onde se encontravam não só para pegar água, lavar roupa, mas para conversarem também, trocarem ideias. Além das imagens simbolizarem aquela população, acabei usando também como signo universal, porque quando fui fazer a pesquisa para elaboração das fotos, constatei que dois terços da população mundial ainda não tem água encanada em casa. Abrir a torneira e sair água pode ser considerado um privilégio”, analisa o artista, que vai além. “Trouxemos também a ideia da água como signo de limpeza, de purificação, além do símbolo máximo da vida. Este trabalho, no fim das contas, está falando sobre o papel fundamental da mulher na humanidade, como ela sendo o principal alicerce da vida humana.”

Além de Zito, outro artista que ajudou a colorir as ruas, vielas e prédios do local – que ficou conhecido em 2008, depois da tragédia que vitimou a jovem Eloá Pimentel, 15 anos, morta pelo ex-namorado Lindemberg Alves, que a manteve durante 100 horas em cárcere privado – foi Rim Chiaradia, que há seis meses frequenta o local para desenvolver seu grafite. “O bairro tem uma história dura, de questões de violência de gênero e uma série de coisas, porém esse trabalho tem nos dado uma resposta positiva. No começo todo mundo olhava estranho nossa pintura, pensavam: ‘o que esses caras estão fazendo?’. Mas depois se acostumaram, a molecada interage muito com a gente. A ideia da arte é essa, é pública, para todo mundo. Ela transforma. O grafite tem essa função social, de dialogar direto com as pessoas.” Sem dúvida.

Os coordenadores de produção deste trabalho são Thiago Vaz e Thaís Scabio – a equipe inclui os coordenadores gerais André de Castro e Jerônimo Vilhena e a assistente Karina Segundo. O projeto, segundo Vaz, já passou por Cubatão, Serra do Mar e Guarulhos e o resultado é sempre positivo para comunidade. “Com essas artes você provoca a ação educativa. Porque as pessoas que passam pelas mulheres (do condomínio), por exemplo, perguntam como é feito. Daí é o momento que falamos das oficinas que oferecemos no escritório da CDHU (Avenida Eloá, 170), que inclui todas as técnicas de arte urbana. Conseguimos trazer esse público para ação mais efetiva no espaço”, diz o coordenador.

Morador há 33 anos do Jardim Santo André, o aposentado Paulo Silvino da Silva, 65 anos, participou da oficina de desenho ministrada pela artista Monica Ancapi. “Foi a primeira vez que desenhei e gostei muito. A arte mudou o astral do bairro. Deu presença à nossa comunidade. Está muito bonito”. O grafite trouxe vida, literalmente, para um local que ficou conhecida pela morte. 

EM NÚMEROS

10 meses de execução;

11 locais públicos revitalizados com intervenções dentro do Jardim Santo André;

3.350 famílias beneficiadas;

7.400 metros quadrados de área com intervenções artísticas;

8.000 litros de tinta foram utilizados;

200 mudas de flores e plantas ornamentais;

150 pessoas contempladas em ações educativas do projeto.

Fonte: Lab Urbe

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