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Herança de outros países vinda de gerações passadas

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Crianças aprendem histórias e costumes de nações de onde seus familiares antigos vieram


Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

30/06/2019 | 10:54


Para compreender quem somos, é preciso olhar de onde viemos. O Brasil é ricamente ‘misturado’, que abriga milhares de imigrantes (pessoas que saem de seu país de origem para viverem em outro). Grande parte das famílias possui descendências de outra nação. Os motivos de essas pessoas deixarem sua terra natal são diversos, casos de complicações políticas, dificuldades econômicas e questões profissionais, amorosas ou familiares. A chegada do Dia do Imigrante, celebrado na terça-feira (25), trouxe o tema à tona e lembra que muitas histórias podem ser contadas. 

A casa de Eduardo Melito Greters, 10 anos, mostra bem essa conexão entre países. “Da parte da minha mãe, minha bisavó e avó vieram de Portugal. Já do lado do meu pai, meu bisavô veio da Letônia e minhas bisavós vieram da Romênia e, a outra, da Alemanha”, explica o estudante do Singular Junior, de Santo André. Sua família reúne momentos especiais, entre eles quando a avó materna veio com os pais de Portugal. “Quando o pai da minha bisa veio para o Brasil ele precisava ganhar dinheiro. Quando chegaram aqui, os negócios no comércio deram certo.” 

Eduardo gosta tanto da diversidade entre as culturas que tem uma paixão: colecionar moedas de países diferentes. “É muito bom aprender. Quero sempre viajar para conhecer mais dos locais de origem da minha família.”

O pai de Daniela Kwan, 9 anos, nasceu em Taiwan, na China, na Ásia Oriental, e veio para o Brasil aos 5 anos. “Ele fala sobre lá e, apesar de ser pequeno na época, se lembra de várias coisas. Meu avô era médico e minha avó, enfermeira. A cidade era pequena e meu pai tem uma flauta feita de bambu guardada até hoje.” Apesar de ter várias informações e conviver com costumes chineses em casa, Daniela ainda não teve oportunidade de viajar para o outro lado do mundo e ver de perto a terra do patriarca.

Na mesma escola está Heitor Passaretti Vital Barbosa, 9, cujos avôs maternos vieram da Itália, onde mantêm muitos parentes e que visitou no início deste ano. “Meu nono veio ao Brasil aos 16 anos para trabalhar numa fazenda no Interior de São Paulo, em busca de condições financeiras melhores. Depois, voltou à Itália e retornou com minha nona e os quatro filhos, incluindo minha mãe.” Ele revela que a macarronada, prato típico da nação europeia, é a comida preferida e que guarda de lembrança do avô um acordeão italiano. 

Com os ancestrais naturais do Japão, Thomas Yoji Gomi Tsuchimotu, 10, herdou muito conhecimento. “O respeito aos mais velhos é um deles”, afirma. Um dos parentes orientais, o avô Masumi viajou durante 49 dias dentro de um navio para atravessar os oceanos com destino ao Brasil. “Eles se adaptaram muito bem à vida aqui, mas contam com carinho as histórias de lá. Por isso tenho vontade de conhecer o Japão.” O desejo de estar perto desses outros lugares faz parte da curiosidade humana, ainda mais na infância.

Cerca de 0,59% da população do Brasil veio de fora

Os dados mais recentes de imigração no Brasil, disponibilizados pela Polícia Federal, datam de 2016. As informações mostram que 0,59% da população que habitava o País (na época), cerca de 1.211.129 de pessoas, vinha de fora. 

A maior parte atual é de grupo vindo de nações do continente sul-americano, do qual o Brasil faz parte. Esse tipo de ação tende a manter-se constante. Já as imigrações realizadas de países de outros continentes dependem de contextos históricos, políticos e até ambientais.

Museu da Imigração revela origens

A Capital reserva um polo rico de informações sobre a população estrangeira que fez do Brasil seu lar. O local que hoje abriga as instalações do Museu da Imigração do Estado de São Paulo (Rua Visconde de Parnaíba, 1.316. Tel.: 2692-1866) foi morada de pessoas de mais de 70 nacionalidades que chegaram no País entre os séculos XIX e XX, grande parte deles para fazer suas vidas trabalhando nas lavouras de café e na indústria paulista.

A então Hospedaria de Imigrantes foi construída em 1887. Ao longo de 91 anos, também foi responsável pelo encaminhamento dos imigrantes aos empregos, por isso, contava com a chamada Agência Oficial de Colonização e Trabalho. Além dos alojamentos, os novos ‘brasileiros’ tinham serviço médico, correio e telégrafo, posto policial, lavanderia, cozinha, refeitório e setor de assistência odontológica.

Hoje, o museu reúne objetos e cenários, além de apresentar recriação das antigas acomodações dos moradores vindos de fora. Pesquisas com nomes de estrangeiros também podem ser feitas no local para descobrir, por exemplo, o ano em que o primeiro familiar (registrado) chegou em terras brasileiras. A visitação ocorre de terça a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos, das 10h às 17h. O ingresso custa entre R$ 5 e R$10, com entrada gratuita aos sábados. 



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Herança de outros países vinda de gerações passadas

Crianças aprendem histórias e costumes de nações de onde seus familiares antigos vieram

Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

30/06/2019 | 10:54


Para compreender quem somos, é preciso olhar de onde viemos. O Brasil é ricamente ‘misturado’, que abriga milhares de imigrantes (pessoas que saem de seu país de origem para viverem em outro). Grande parte das famílias possui descendências de outra nação. Os motivos de essas pessoas deixarem sua terra natal são diversos, casos de complicações políticas, dificuldades econômicas e questões profissionais, amorosas ou familiares. A chegada do Dia do Imigrante, celebrado na terça-feira (25), trouxe o tema à tona e lembra que muitas histórias podem ser contadas. 

A casa de Eduardo Melito Greters, 10 anos, mostra bem essa conexão entre países. “Da parte da minha mãe, minha bisavó e avó vieram de Portugal. Já do lado do meu pai, meu bisavô veio da Letônia e minhas bisavós vieram da Romênia e, a outra, da Alemanha”, explica o estudante do Singular Junior, de Santo André. Sua família reúne momentos especiais, entre eles quando a avó materna veio com os pais de Portugal. “Quando o pai da minha bisa veio para o Brasil ele precisava ganhar dinheiro. Quando chegaram aqui, os negócios no comércio deram certo.” 

Eduardo gosta tanto da diversidade entre as culturas que tem uma paixão: colecionar moedas de países diferentes. “É muito bom aprender. Quero sempre viajar para conhecer mais dos locais de origem da minha família.”

O pai de Daniela Kwan, 9 anos, nasceu em Taiwan, na China, na Ásia Oriental, e veio para o Brasil aos 5 anos. “Ele fala sobre lá e, apesar de ser pequeno na época, se lembra de várias coisas. Meu avô era médico e minha avó, enfermeira. A cidade era pequena e meu pai tem uma flauta feita de bambu guardada até hoje.” Apesar de ter várias informações e conviver com costumes chineses em casa, Daniela ainda não teve oportunidade de viajar para o outro lado do mundo e ver de perto a terra do patriarca.

Na mesma escola está Heitor Passaretti Vital Barbosa, 9, cujos avôs maternos vieram da Itália, onde mantêm muitos parentes e que visitou no início deste ano. “Meu nono veio ao Brasil aos 16 anos para trabalhar numa fazenda no Interior de São Paulo, em busca de condições financeiras melhores. Depois, voltou à Itália e retornou com minha nona e os quatro filhos, incluindo minha mãe.” Ele revela que a macarronada, prato típico da nação europeia, é a comida preferida e que guarda de lembrança do avô um acordeão italiano. 

Com os ancestrais naturais do Japão, Thomas Yoji Gomi Tsuchimotu, 10, herdou muito conhecimento. “O respeito aos mais velhos é um deles”, afirma. Um dos parentes orientais, o avô Masumi viajou durante 49 dias dentro de um navio para atravessar os oceanos com destino ao Brasil. “Eles se adaptaram muito bem à vida aqui, mas contam com carinho as histórias de lá. Por isso tenho vontade de conhecer o Japão.” O desejo de estar perto desses outros lugares faz parte da curiosidade humana, ainda mais na infância.

Cerca de 0,59% da população do Brasil veio de fora

Os dados mais recentes de imigração no Brasil, disponibilizados pela Polícia Federal, datam de 2016. As informações mostram que 0,59% da população que habitava o País (na época), cerca de 1.211.129 de pessoas, vinha de fora. 

A maior parte atual é de grupo vindo de nações do continente sul-americano, do qual o Brasil faz parte. Esse tipo de ação tende a manter-se constante. Já as imigrações realizadas de países de outros continentes dependem de contextos históricos, políticos e até ambientais.

Museu da Imigração revela origens

A Capital reserva um polo rico de informações sobre a população estrangeira que fez do Brasil seu lar. O local que hoje abriga as instalações do Museu da Imigração do Estado de São Paulo (Rua Visconde de Parnaíba, 1.316. Tel.: 2692-1866) foi morada de pessoas de mais de 70 nacionalidades que chegaram no País entre os séculos XIX e XX, grande parte deles para fazer suas vidas trabalhando nas lavouras de café e na indústria paulista.

A então Hospedaria de Imigrantes foi construída em 1887. Ao longo de 91 anos, também foi responsável pelo encaminhamento dos imigrantes aos empregos, por isso, contava com a chamada Agência Oficial de Colonização e Trabalho. Além dos alojamentos, os novos ‘brasileiros’ tinham serviço médico, correio e telégrafo, posto policial, lavanderia, cozinha, refeitório e setor de assistência odontológica.

Hoje, o museu reúne objetos e cenários, além de apresentar recriação das antigas acomodações dos moradores vindos de fora. Pesquisas com nomes de estrangeiros também podem ser feitas no local para descobrir, por exemplo, o ano em que o primeiro familiar (registrado) chegou em terras brasileiras. A visitação ocorre de terça a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos, das 10h às 17h. O ingresso custa entre R$ 5 e R$10, com entrada gratuita aos sábados. 

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