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Nova era da manufatura


Roberto dos Reis Alvarez
diretor executivo da Global Federation of Competitiveness Councils, pesquisador da ASU (Arizona State University) e pesquisador convidado pelo Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano)

28/06/2019 | 07:22


O ‘renascimento industrial’ acontece em todo o mundo. Há crescimento exponencial de tecnologias como impressão 3D, análise de dados, materiais avançados, robótica, Inteligência artificial, biotecnologia e biomanufatura, blockchain, segurança cibernética, design e simulação digital, armazenamento de energia, computação de alta performance, interfaces da realidade aumentada e da realidade virtual e internet das coisas. O uso de algumas dessas tecnologias está previsto para crescer mais de 60% ao ano no período 2016-2021.

Regiões industriais, marcadas pelo modelo fordista de produção, como o Grande ABC, estão diante do desafio de se reinventarem neste novo mundo da manufatura.

Além dos Estados Unidos e da Alemanha, muitos outros países lançaram recentemente estratégias e políticas (avançadas) de manufatura. Todos eles combinam focos em áreas de manufatura tradicionais (por exemplo, vestuário) e emergentes (por exemplo, biomanufatura de órgãos humanos). A lógica é atualizar e transformar indústrias existentes, construir novas. Todos querem aproveitar o potencial da tecnologia para impulsionar a inovação, a criação de valor e o crescimento.

Há dois objetivos principais: 1 – acelerar a adoção de tecnologias avançadas de manufatura e modelos de negócios, elevando os níveis de produtividade em toda a economia e; 2 – construir vantagem competitiva nas principais áreas tecnológicas e, assim, dominar os mercados futuros de tecnologia e soluções de hardware e software para a manufatura, como exemplifica o caso da plataforma Indústria 4.0, da Alemanha. O equilíbrio entre os dois varia de país para país. A ação do governo é importante para os países que perseguem ambos os objetivos. É particularmente destacada no segundo caso.

O primeiro objetivo é comum a todas as nações. A tecnologia está cada vez mais acessível. Ela não é o gargalo. A principal restrição repousa na disponibilidade de competências na força de trabalho. Nos países emergentes, o acesso ao capital, às condições do mercado e a expertise em gestão de negócios também devem ser considerados.

Os governos podem fazer muitas coisas para acelerar a transformação da manufatura: treinar trabalhadores e gerentes, criar incentivos, investir em infraestruturas compartilhadas, disseminar conhecimento, catalisar conexões, e até mesmo fornecer capital (importante em países emergentes). Quanto mais avançadas forem as economias, menos ação direta do governo é necessária. Parcerias com organizações do setor privado são sempre uma opção.

O segundo objetivo é mais difícil de ser realizado. Aí reside a ‘verdadeira competição’ pela liderança. A questão é se os países usarão ou criarão tecnologias (e as empresas) que moldarão a manufatura (e a economia) no século XXI e adiante. As restrições encontram-se ligadas aos investimentos em ciência e tecnologia e à existência (ou não) de estruturas de negócios globais. Investimento do setor público é de extrema relevância.

Os países precisam desenvolver capacidades e controlar ativos-chaves de pesquisa e negócios a fim de serem atores dominantes na manufatura avançada. É impossível hoje separar a manufatura das políticas e estratégias de inovação, ciência e tecnologia. Quanto maiores as ambições em manufatura, mais fortes são as ligações.

Os limites entre setores da indústria estão se tornando tênues. O mesmo se aplica aos diferentes setores da economia – serviços, indústria e agricultura estão se tornando muito interdependentes e indistintos. Lógica semelhante é válida para políticas e operações do governo. Há uma sobreposição entre as diferentes áreas de políticas públicas.

Manufatura, ciência, tecnologia, inovação, digitalização, internacionalização, economia verde, desenvolvimento e crescimento futuro aparecem confundidas no panorama de políticas públicas. Olhar sobre diferentes estratégias nacionais de inteligência artificial revela muitas interseções com manufatura e outras áreas tradicionais de políticas industriais, tecnologias e além.

Esta nova era da manufatura cria oportunidades para os países se desenvolverem e crescerem. Eles podem alavancar a tecnologia para transformar setores da indústria e aumentar a produtividade ou buscar a liderança em áreas-chave da tecnologia. Um caminho reforça o outro. A velocidade será atributo fundamental para o sucesso. As nações serão obrigadas a construir rapidamente consenso sobre suas ambições e prioridades, adaptar marcos regulatórios e coordenar estratégias e os esforços de políticas públicas. 



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Roberto dos Reis Alvarez
diretor executivo da Global Federation of Competitiveness Councils, pesquisador da ASU (Arizona State University) e pesquisador convidado pelo Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano)

28/06/2019 | 07:22


O ‘renascimento industrial’ acontece em todo o mundo. Há crescimento exponencial de tecnologias como impressão 3D, análise de dados, materiais avançados, robótica, Inteligência artificial, biotecnologia e biomanufatura, blockchain, segurança cibernética, design e simulação digital, armazenamento de energia, computação de alta performance, interfaces da realidade aumentada e da realidade virtual e internet das coisas. O uso de algumas dessas tecnologias está previsto para crescer mais de 60% ao ano no período 2016-2021.

Regiões industriais, marcadas pelo modelo fordista de produção, como o Grande ABC, estão diante do desafio de se reinventarem neste novo mundo da manufatura.

Além dos Estados Unidos e da Alemanha, muitos outros países lançaram recentemente estratégias e políticas (avançadas) de manufatura. Todos eles combinam focos em áreas de manufatura tradicionais (por exemplo, vestuário) e emergentes (por exemplo, biomanufatura de órgãos humanos). A lógica é atualizar e transformar indústrias existentes, construir novas. Todos querem aproveitar o potencial da tecnologia para impulsionar a inovação, a criação de valor e o crescimento.

Há dois objetivos principais: 1 – acelerar a adoção de tecnologias avançadas de manufatura e modelos de negócios, elevando os níveis de produtividade em toda a economia e; 2 – construir vantagem competitiva nas principais áreas tecnológicas e, assim, dominar os mercados futuros de tecnologia e soluções de hardware e software para a manufatura, como exemplifica o caso da plataforma Indústria 4.0, da Alemanha. O equilíbrio entre os dois varia de país para país. A ação do governo é importante para os países que perseguem ambos os objetivos. É particularmente destacada no segundo caso.

O primeiro objetivo é comum a todas as nações. A tecnologia está cada vez mais acessível. Ela não é o gargalo. A principal restrição repousa na disponibilidade de competências na força de trabalho. Nos países emergentes, o acesso ao capital, às condições do mercado e a expertise em gestão de negócios também devem ser considerados.

Os governos podem fazer muitas coisas para acelerar a transformação da manufatura: treinar trabalhadores e gerentes, criar incentivos, investir em infraestruturas compartilhadas, disseminar conhecimento, catalisar conexões, e até mesmo fornecer capital (importante em países emergentes). Quanto mais avançadas forem as economias, menos ação direta do governo é necessária. Parcerias com organizações do setor privado são sempre uma opção.

O segundo objetivo é mais difícil de ser realizado. Aí reside a ‘verdadeira competição’ pela liderança. A questão é se os países usarão ou criarão tecnologias (e as empresas) que moldarão a manufatura (e a economia) no século XXI e adiante. As restrições encontram-se ligadas aos investimentos em ciência e tecnologia e à existência (ou não) de estruturas de negócios globais. Investimento do setor público é de extrema relevância.

Os países precisam desenvolver capacidades e controlar ativos-chaves de pesquisa e negócios a fim de serem atores dominantes na manufatura avançada. É impossível hoje separar a manufatura das políticas e estratégias de inovação, ciência e tecnologia. Quanto maiores as ambições em manufatura, mais fortes são as ligações.

Os limites entre setores da indústria estão se tornando tênues. O mesmo se aplica aos diferentes setores da economia – serviços, indústria e agricultura estão se tornando muito interdependentes e indistintos. Lógica semelhante é válida para políticas e operações do governo. Há uma sobreposição entre as diferentes áreas de políticas públicas.

Manufatura, ciência, tecnologia, inovação, digitalização, internacionalização, economia verde, desenvolvimento e crescimento futuro aparecem confundidas no panorama de políticas públicas. Olhar sobre diferentes estratégias nacionais de inteligência artificial revela muitas interseções com manufatura e outras áreas tradicionais de políticas industriais, tecnologias e além.

Esta nova era da manufatura cria oportunidades para os países se desenvolverem e crescerem. Eles podem alavancar a tecnologia para transformar setores da indústria e aumentar a produtividade ou buscar a liderança em áreas-chave da tecnologia. Um caminho reforça o outro. A velocidade será atributo fundamental para o sucesso. As nações serão obrigadas a construir rapidamente consenso sobre suas ambições e prioridades, adaptar marcos regulatórios e coordenar estratégias e os esforços de políticas públicas. 

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