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Juros sobem em meio a receios de atraso na Previdência e ajustes à ata do Copom



25/06/2019 | 18:13


O temor de atraso no andamento da reforma da Previdência voltou a rondar os mercados, afetando especialmente os juros no dia em que a ata do Copom, assim como a mensagem do comunicado da reunião, atrelou o corte da Selic ao avanço das reformas. As taxas já subiam pela manhã e ampliaram a alta à tarde, na medida em que lideranças de partidos na Câmara passaram a defender o adiamento da votação do relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) na comissão especial, esperada para esta quinta-feira.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,030%, de 5,952% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 subiu de 5,859% para 5,96%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 6,78%, de 6,690%, e a do DI para janeiro de 2025 avançou de 7,231% para 7,29%.

A possibilidade de a votação do relatório da reforma não ocorrer nesta semana já ajudava a pressionar as taxas pela manhã, mas cresceu no começo da tarde, depois que o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), defendeu que a votação só ocorra na semana que vem. Os partidos pressionam por mudanças na matéria, em pontos como regra da fórmula de cálculo, transição e Estados e municípios. Segundo lideranças da Câmara, o texto pode ser votado na segunda-feira. "Com base nas comunicações do BC, o timing da Previdência é fundamental para decidir sobre um corte da Selic, se pode ser em julho ou vai ficar para depois. Por isso, todo mundo está acompanhando Brasília", disse o economista-chefe da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal.

Na ata divulgada nesta manhã, os diretores admitem que "o balanço de riscos para a inflação evoluiu de maneira favorável", mas entendem que, "neste momento, o risco" ligado às reformas "é preponderante". Com a chance de a comissão votar o parecer de Moreira só na semana que vem, o prazo para votar o texto em plenário antes do recesso parlamentar do dia 18 de julho fica ainda mais apertado, o que pode comprometer o início do ciclo de afrouxamento da Selic no mês que vem.

"O mercado rapidamente tinha começado a precificar corte da Selic em julho, mas, pela comunicação do BC, é muito difícil o Copom agir antes de uma sinalização mais crível do Congresso", disse o estrategista de Mercados da Harrison Investimentos, Renan Sujii. Setembro agora parece ser o mês mais provável.

Os eventos do cenário político e ata do Copom acabaram por ofuscar possíveis reações ao IPCA-15 de junho (0,06%) que veio ligeiramente abaixo da mediana das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast (0,07%), mas com preços de abertura bastante favoráveis. "Se o mercado focasse mais nos dados do que nos ruídos políticos, o IPCA-15 faria mais preço", disse Rosal, da Guide.

Além da discussão em torno da Previdência, outro foco de atenção em Brasília esteve sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), onde a Segunda Turma analisa hoje dois processos que podem colocar em liberdade o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, profissionais consultados pelo Broadcast afirmam que no segmento de juros esse fator não pesou. "O fator Lula era um risco para a eleição. Passada a eleição, é algo secundário, ainda mais agora que a pauta econômica parece blindada pelo Congresso", afirmou Sujii.



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Juros sobem em meio a receios de atraso na Previdência e ajustes à ata do Copom


25/06/2019 | 18:13


O temor de atraso no andamento da reforma da Previdência voltou a rondar os mercados, afetando especialmente os juros no dia em que a ata do Copom, assim como a mensagem do comunicado da reunião, atrelou o corte da Selic ao avanço das reformas. As taxas já subiam pela manhã e ampliaram a alta à tarde, na medida em que lideranças de partidos na Câmara passaram a defender o adiamento da votação do relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) na comissão especial, esperada para esta quinta-feira.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,030%, de 5,952% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 subiu de 5,859% para 5,96%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 6,78%, de 6,690%, e a do DI para janeiro de 2025 avançou de 7,231% para 7,29%.

A possibilidade de a votação do relatório da reforma não ocorrer nesta semana já ajudava a pressionar as taxas pela manhã, mas cresceu no começo da tarde, depois que o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), defendeu que a votação só ocorra na semana que vem. Os partidos pressionam por mudanças na matéria, em pontos como regra da fórmula de cálculo, transição e Estados e municípios. Segundo lideranças da Câmara, o texto pode ser votado na segunda-feira. "Com base nas comunicações do BC, o timing da Previdência é fundamental para decidir sobre um corte da Selic, se pode ser em julho ou vai ficar para depois. Por isso, todo mundo está acompanhando Brasília", disse o economista-chefe da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal.

Na ata divulgada nesta manhã, os diretores admitem que "o balanço de riscos para a inflação evoluiu de maneira favorável", mas entendem que, "neste momento, o risco" ligado às reformas "é preponderante". Com a chance de a comissão votar o parecer de Moreira só na semana que vem, o prazo para votar o texto em plenário antes do recesso parlamentar do dia 18 de julho fica ainda mais apertado, o que pode comprometer o início do ciclo de afrouxamento da Selic no mês que vem.

"O mercado rapidamente tinha começado a precificar corte da Selic em julho, mas, pela comunicação do BC, é muito difícil o Copom agir antes de uma sinalização mais crível do Congresso", disse o estrategista de Mercados da Harrison Investimentos, Renan Sujii. Setembro agora parece ser o mês mais provável.

Os eventos do cenário político e ata do Copom acabaram por ofuscar possíveis reações ao IPCA-15 de junho (0,06%) que veio ligeiramente abaixo da mediana das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast (0,07%), mas com preços de abertura bastante favoráveis. "Se o mercado focasse mais nos dados do que nos ruídos políticos, o IPCA-15 faria mais preço", disse Rosal, da Guide.

Além da discussão em torno da Previdência, outro foco de atenção em Brasília esteve sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), onde a Segunda Turma analisa hoje dois processos que podem colocar em liberdade o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, profissionais consultados pelo Broadcast afirmam que no segmento de juros esse fator não pesou. "O fator Lula era um risco para a eleição. Passada a eleição, é algo secundário, ainda mais agora que a pauta econômica parece blindada pelo Congresso", afirmou Sujii.

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