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Programas de governo são genéricos


Beto Silva
Do Diário do Grande ABC

19/07/2010 | 07:07


Os programas de governo dos principais candidatos à Presidência ainda não estão totalmente fechados, mas, se dependesse dos documentos anexados ao registro de suas candidaturas, protocoladas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o eleitor teria dificuldade na escolha da melhor proposta. Não há projetos concretos, os objetivos de cada ideia são abstratos e dados específicos de como o País estará ao fim de 2014, quando acabará o mandato do próximo chefe da Nação, simplesmente não existem.

Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), os três primeiros nas pesquisas de intenção de voto, deixaram a desejar em seus programas de governo. O trio ainda coleta sugestões de aliados e até de eleitores mais engajados em administração pública, via internet. Porém, as informações enviadas ao TSE, obrigatórias pela legislação, não mostra onde querem chegar, ou melhor, aonde o Brasil vai chegar. Os presidenciáveis exploram apenas números do passado e pouco projetam o futuro.

Em 14 laudas, o tucano anexou a íntegra de dois discursos: um proferido dia 10 de abril em Brasília, durante encontro nacional do PSDB, DEM e PPS, e outro dia 12 de junho em Salvador, na convenção tucana que oficializou a candidatura do ex-governador de São Paulo à Presidência.

No documento, Serra destaca bastante sua biografia, em nítida comparação com a adversária petista, que participa de sua primeira eleição. "Comigo, o povo brasileiro não terá surpresas", conclui.

O programa de Dilma Rousseff (trocou o primeiro que continha posições radicais, retiradas de plataforma do PT), ressalta que uma proposta final ainda está recebendo contribuições dos partidos coligados e, posteriormente, será enviada ao TSE.

No atual documento de 24 folhas critica governos anteriores. "Depois de duas décadas de estagnação ou avanços medíocres, a economia brasileira voltou a crescer." E exalta o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive já se colocando como vencedora do pleito de outubro. "Há sete anos, o Brasil passa por grande transformação econômica, social e política (...). Ao contrário daquela que Lula recebeu, a herança a ser transmitida à próxima presidenta será bendita."

Dilma apresentou programa mais encorpado do que Serra. Discorre sobre política externa, detalha ações econômicas, passa por projetos energéticos e de Meio Ambiente, até relacionar questões de infraestrutura tecnológica, como expansão da banda larga de internet. Ainda assim, são divulgados poucos números.

O programa de governo de Marina Silva é o mais organizado. Possui 25 laudas e é separado por tópicos. Primeiramente, faz convocação ao povo brasileiro "para se envolver agora, mas para um projeto de longo prazo, que necessariamente irá muito além do período de um governo".

Depois, apresenta a seção ‘O Brasil que temos', a qual relata os avanços dos 25 anos de democracia, admite as contribuições dos adversários PT e PSDB para o desenvolvimento do País nos últimos 16 anos, mas ressalta que "os avanços recentes foram reais, mas insuficientes e geradores de significativos desequilíbrios". A verde frisa ainda: "O Brasil que queremos", que, julga, tem de ser "justo e sustentável".

O programa de Marina Silva traz capítulo de compromissos com o processo de campanha, no qual neutralizará as emissões de carbono das atividades, que "serão contabilizadas e publicadas na internet" e depois fará a compensação com "reflorestamento nos biomas brasileiros". Outro destaque deste tópico é a repulsa a ataques pessoais, muito comuns nos discursos dos presidenciáveis tucano e petista.

Com discursos, presidenciável tucano detalha duas ideias

Apesar de ter enviado discursos como programa de governo, José Serra é o único entre os três principais presidenciáveis que detalhou com objetivos claros três propostas: duas na área de Educação e outra na Saúde.

Os compromissos assumidos pelo tucano são "dois professores na sala de aula na 1ª série do Ensino Fundamental" e criação de 1 milhão de vagas em escolas técnicas, "com cursos de um ano e meio de duração, de nível médio, por todo o Brasil".

No setor educacional, Dilma Rousseff promete "ampliar o programa de bolsas de estudos que garantem a formação de quadros em centros de excelência no Exterior" e "ampliação de unidades escolares, assegurando a educação integral e a profissionalização". A petista também cita "expandir o orçamento da Educação" e fala até em "erradicação do analfabetismo", mas sem dizer como fará.

Marina Silva destaca que "é preciso assegurar investimentos que aprimorem o ensino no País e a ampliação dos valores per capita anual investidos por aluno, adotando assim as referências sugeridas pelos estudos sobre Custo Aluno-Qualidade." Também frisa avanços nos ensinos técnico e profissionalizante.

Para a Saúde, Serra objetiva "em dois anos, criar 150 AMEs (Ambulatórios Médicos de Especialidades), com capacidade para realizar 27 milhões de consultas e 63 milhões de exames por ano".

Dilma afirma que irá "ampliar as equipes do PSF (Programa Saúde da Família), as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento 24 Horas), salas de estabilização e o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e fortalecer o controle sanitário sobre os medicamentos".

E Marina propõe garantir financiamento estável para o SUS (Sistema Único de Saúde), ampliar prevenção e promoção à Saúde, valorizar o profissional da área e estabelecer parâmetros e indicadores que possibilitem o aprimoramento das políticas de Saúde e de qualidade de vida da população.

Dilma aprofunda um pouco mais suas ideias na área da Segurança. Ressalta que aplicará "ações do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) nas 27 federações, visando maior efetividade às polícias locais no combate ao crime". Salienta ainda "aprimoramento no controle de fronteiras e criação de Fundo Constitucional de Segurança Pública, para instituir e subsidiar o piso salarial dos policiais civis e militares, até 2016".

Serra, por sua vez, observa que "o governo federal deve assumir mais responsabilidade face à gravidade da situação" e sobre o combate às drogas, "o governo tem de investir em clínicas e programas de recuperação". Marina apresenta políticas "intersetoriais preventivas, com valorização do profissional que atuam no sistema com carreira unificada e salários dignos" e fala em modernização das forças armadas.

O destaque do programa da candidata do PV é o Meio Ambiente. Quase todas as áreas têm ações interligadas voltadas à preservação da natureza. A verde aponta a existência de "crise ambiental" e prega "economia que tem nos nossos ativos ambientais os fatores centrais de desenvolvimento".



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