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Câmara de Rio Grande estreia na quarta sede própria após 44 anos funcionando em cima da farmácia


Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

23/06/2019 | 07:00


Após 55 anos, sendo 44 deles pagando aluguel de um imóvel em cima de uma farmácia no Centro, os 13 vereadores de Rio Grande da Serra, finalmente, poderão realizar sessões em prédio público próprio que abrigará o Legislativo da cidade.

Com inauguração marcada para quarta-feira, os parlamentares farão a primeira atividade política oficial na sexta-feira no espaço que abrigava o Creb (Centro de Referência de Educação Básica) e passa por reforma para acolher os políticos.

Ansiosos, alguns vereadores têm até auxiliado na revitalização do local utilizando dinheiro do próprio bolso para que tudo esteja pronto o mais rápido possível. Um deles custeia a reforma de mesas que ficarão no plenário. Outro disponibilizou caminhão próprio para retirar entulho da nova casa.

“Hoje podemos dizer que Rio Grande da Serra tem uma Câmara. Muita gente duvidou que o sonho de termos uma sede seria realizado”, disse o presidente do Legislativo de Rio Grande, Claudinho Monteiro (PSB), que aponta a questão da acessibilidade como uma das maiores vitórias na comparação ao outro imóvel que abrigava as sessões parlamentares.

De fato, a antiga Câmara era mais famosa no Grande ABC por funcionar em cima de uma farmácia na região central da cidade. Para se ter acesso ao plenário era preciso subir um lance de escadas, o que era alvo de críticas dos munícipes, em especial daqueles portadores de algum tipo de deficiência de mobilidade.

A adoção do escritório em cima da farmácia como Parlamento foi feita em 27 de agosto de 1975, autorizada pela então prefeita Irinéia José Midolli. A sede antiga ficava na Rua Prefeito Carlos José Carlson e era preciso pagar aluguel. “Em um levantamento que fiz, o Poder Legislativo de Rio Grande da Serra desembolsou, aproximadamente, R$ 9 milhões nestes 44 anos em que funcionou no imóvel anterior”, estimou Claudinho.

Antes da sala em cima da farmácia, durante 11 anos a Câmara esteve em uma casa em frente à Prefeitura. “Nossa ideia é ampliar o espaço. Em um futuro próximo, queremos construir mais gabinetes para os vereadores. Espero que isso não demore mais 44 anos para ocorrer”, declarou Claudinho. Na Câmara que será aberta na quarta-feira, os vereadores terão que compartilhar os gabinetes. Serão quatro salas que abrigarão 12 parlamentares. Somente o presidente terá escritório próprio. Além dos vereadores, o Parlamento dispõe de 13 funcionários, sendo um comissionado.

Claudinho disse perceber os vereadores mais animados para participar das sessões dentro da nova sede. Ele relatou que, nesses três anos como vereador, escutou relatos de colegas que sentiam vergonha de convidar pessoas e até políticos de outras cidades para visitar o Legislativo local.

“Os vereadores evitavam dizer onde realizavam a sessão na cidade. Eles tinham vergonha de explicar que alugavam um imóvel acima de uma farmácia. Era uma situação bem chata”, pontuou.

A perspectiva é a de que o novo imóvel receba 60 munícipes para acompanhar as sessões, o que também não era possível na antiga sede. “Agora teremos orgulho de receber as pessoas e votar nossas leis”, completou Claudinho. Coincidentemente, a Câmara da cidade fica no número 251 da Rua do Progresso.

SONHO DA CASA PRÓPRIA
Funcionária mais antiga da casa, com 28 anos dedicados ao Legislativo, a encarregada da secretaria Teresinha Madalena Dizela, 54 anos, disse ter realizado um sonho, o que ela chegou a projetar que nunca aconteceria.

Com vassoura nas mãos, Teresinha varria o saguão da Câmara na tarde de sexta-feira, quando a equipe do Diário esteve no local. Nesse saguão há bonde original que operou na cidade até os anos 1970. Ela, que estaria de folga devido ao feriado prolongado de Corpus Christi, comentou estar animada para ver o novo Legislativo em pleno funcionamento.

“Quero ajudar a montar a sede. Eu achei que quem iria inaugurar a Casa era o ex-prefeito (Adler) Kiko (Teixeira, PSB, ex-prefeito de Rio Grande da Serra, atual chefe do Executivo de Ribeirão Pires)”, disse Teresinha. Kiko atuou como prefeito de Rio Grande de 2005 a 2012 e emplacou Gabriel Maranhão (Cidadania) como sucessor, que está em segunda gestão. Antes aliados políticos, os dois prefeitos estão em raias opostas.

Apesar de estar feliz em ver a Câmara em uma sede própria, Teresinha revelou uma tristeza. Com 28 anos de casa, a encarregada se lembrou que só há mais dois anos de trabalho antes de se aposentar. “Esperei tanto para trabalhar em um lugar próprio da Câmara e só vou poder trabalhar apenas mais dois anos antes de me aposentar”, lamentou.  



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LAR DOCE LAR

Câmara de Rio Grande estreia na quarta sede própria após 44 anos funcionando em cima da farmácia

Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

23/06/2019 | 07:00


Após 55 anos, sendo 44 deles pagando aluguel de um imóvel em cima de uma farmácia no Centro, os 13 vereadores de Rio Grande da Serra, finalmente, poderão realizar sessões em prédio público próprio que abrigará o Legislativo da cidade.

Com inauguração marcada para quarta-feira, os parlamentares farão a primeira atividade política oficial na sexta-feira no espaço que abrigava o Creb (Centro de Referência de Educação Básica) e passa por reforma para acolher os políticos.

Ansiosos, alguns vereadores têm até auxiliado na revitalização do local utilizando dinheiro do próprio bolso para que tudo esteja pronto o mais rápido possível. Um deles custeia a reforma de mesas que ficarão no plenário. Outro disponibilizou caminhão próprio para retirar entulho da nova casa.

“Hoje podemos dizer que Rio Grande da Serra tem uma Câmara. Muita gente duvidou que o sonho de termos uma sede seria realizado”, disse o presidente do Legislativo de Rio Grande, Claudinho Monteiro (PSB), que aponta a questão da acessibilidade como uma das maiores vitórias na comparação ao outro imóvel que abrigava as sessões parlamentares.

De fato, a antiga Câmara era mais famosa no Grande ABC por funcionar em cima de uma farmácia na região central da cidade. Para se ter acesso ao plenário era preciso subir um lance de escadas, o que era alvo de críticas dos munícipes, em especial daqueles portadores de algum tipo de deficiência de mobilidade.

A adoção do escritório em cima da farmácia como Parlamento foi feita em 27 de agosto de 1975, autorizada pela então prefeita Irinéia José Midolli. A sede antiga ficava na Rua Prefeito Carlos José Carlson e era preciso pagar aluguel. “Em um levantamento que fiz, o Poder Legislativo de Rio Grande da Serra desembolsou, aproximadamente, R$ 9 milhões nestes 44 anos em que funcionou no imóvel anterior”, estimou Claudinho.

Antes da sala em cima da farmácia, durante 11 anos a Câmara esteve em uma casa em frente à Prefeitura. “Nossa ideia é ampliar o espaço. Em um futuro próximo, queremos construir mais gabinetes para os vereadores. Espero que isso não demore mais 44 anos para ocorrer”, declarou Claudinho. Na Câmara que será aberta na quarta-feira, os vereadores terão que compartilhar os gabinetes. Serão quatro salas que abrigarão 12 parlamentares. Somente o presidente terá escritório próprio. Além dos vereadores, o Parlamento dispõe de 13 funcionários, sendo um comissionado.

Claudinho disse perceber os vereadores mais animados para participar das sessões dentro da nova sede. Ele relatou que, nesses três anos como vereador, escutou relatos de colegas que sentiam vergonha de convidar pessoas e até políticos de outras cidades para visitar o Legislativo local.

“Os vereadores evitavam dizer onde realizavam a sessão na cidade. Eles tinham vergonha de explicar que alugavam um imóvel acima de uma farmácia. Era uma situação bem chata”, pontuou.

A perspectiva é a de que o novo imóvel receba 60 munícipes para acompanhar as sessões, o que também não era possível na antiga sede. “Agora teremos orgulho de receber as pessoas e votar nossas leis”, completou Claudinho. Coincidentemente, a Câmara da cidade fica no número 251 da Rua do Progresso.

SONHO DA CASA PRÓPRIA
Funcionária mais antiga da casa, com 28 anos dedicados ao Legislativo, a encarregada da secretaria Teresinha Madalena Dizela, 54 anos, disse ter realizado um sonho, o que ela chegou a projetar que nunca aconteceria.

Com vassoura nas mãos, Teresinha varria o saguão da Câmara na tarde de sexta-feira, quando a equipe do Diário esteve no local. Nesse saguão há bonde original que operou na cidade até os anos 1970. Ela, que estaria de folga devido ao feriado prolongado de Corpus Christi, comentou estar animada para ver o novo Legislativo em pleno funcionamento.

“Quero ajudar a montar a sede. Eu achei que quem iria inaugurar a Casa era o ex-prefeito (Adler) Kiko (Teixeira, PSB, ex-prefeito de Rio Grande da Serra, atual chefe do Executivo de Ribeirão Pires)”, disse Teresinha. Kiko atuou como prefeito de Rio Grande de 2005 a 2012 e emplacou Gabriel Maranhão (Cidadania) como sucessor, que está em segunda gestão. Antes aliados políticos, os dois prefeitos estão em raias opostas.

Apesar de estar feliz em ver a Câmara em uma sede própria, Teresinha revelou uma tristeza. Com 28 anos de casa, a encarregada se lembrou que só há mais dois anos de trabalho antes de se aposentar. “Esperei tanto para trabalhar em um lugar próprio da Câmara e só vou poder trabalhar apenas mais dois anos antes de me aposentar”, lamentou.  

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