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Incêndio atinge comunidade Tamarutaca, em Santo André

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Pelo menos 20 barracos foram destruídos pelo fogo, que já foi controlado; não houve vítimas


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

19/06/2019 | 09:21


Atualizada às 20h56

Um incêndio atingiu a comunidade Tamarutaca, na Vila Guiomar, em Santo André, na manhã desta quarta-feira (19). O fogo, que começou por volta das 7h na Rua Nilópolis, altura do número 318, alcançou cerca de mil metros quadrados e destruiu pelo menos 20 barracos que tinham sido desocupados – apenas em dois ainda tinha moradores –, além de comprometer quatro casas vizinhas da área. Uma menina de 6 anos foi resgatada sem ferimentos pela PM (Polícia Militar) logo nos primeiros minutos do acidente. Não houve vítimas, e a causa do incêndio foi caracterizada como “inconclusiva” pela equipe do Corpo de Bombeiros.

Cinco caminhões de combate a incêndio – das bases de Santo André, São Bernardo e Mauá – foram enviados para controlar as chamas, que cessaram após duas horas de trabalho. Embora a área tenha sido alvo de ação de desocupação, duas famílias ainda estavam abrigadas no local. Os bombeiros informaram que, em meio ao fogo, encontraram roupas, sapatos, móveis e brinquedos. Tenente Leonardi, que comandou a operação, afirmou que o incêndio foi “de grandes proporções”. “Havia muito fogo, e as chamas destruíram toda a área. Não dá para medir a altura que as chamas chegaram, mas foi grave.”

A população afirma que o fogo foi causado por usuários de drogas que estavam roubando fiação dos barracos vazios. A equipe de reportagem questionou, no local, a Enel, Defesa Civil e Bombeiros, que não confirmaram a denúncia.

De acordo com policiais militares, ao chegarem no local receberam a informação de que uma criança ainda estava em uma das residências que estava prestes a ser tomada pelo pelas chamas. Os policiais arrombaram a porta e encontraram Júlia, 6 anos, assustada com a situação, já que o fogo também causou estalos ao atingir fiação de energia elétrica. A mãe da menor, Railane Rocha de Souza, 26, retornou poucos minutos depois à casa.

O aspirante Duque, do 10º Batalhão da PM de Santo André, salienta que a menor poderia ter morrido caso a polícia não fosse informada de que ela estava sozinha na casa. “O fogo já havia tomado a lateral da casa em que a menina dormia. A estrutura estava abalada e em área de risco. Ela teria morrido em pouco tempo”, explicou.

Desempregada, a mãe da menor contou à reportagem que mora sozinha com duas filhas. Raíssa, de apenas 1 ano, vai à creche pela manhã, enquanto Júlia frequenta a escola no período da tarde. “Sou sozinha para fazer tudo e preciso me virar. Todos os dias preciso fazer isso (sair e deixar Júlia dormindo) para levar a Raíssa ( filha menor) para a creche. É coisa de dez minutos”, contou Railane.

Para que a menina não corra riscos, a mãe costumava trancar a porta do barraco com corrente e cadeado e avisava os vizinhos para que ficassem de olho. “Saí de casa por volta das 6h50 e, na sequência, o fogo começou. Foi rápido, graças a Deus a PM salvou minha filha. Ainda bem que minhas vizinhas avisaram que ela estava lá dentro”, desabafou a mãe.

Ela contou que estava aguardando sair a documentação para transferência de casa, já que a área foi caracterizada como de risco. “A maior parte das famílias já foi removida pela Prefeitura, e eu iria amanhã (quinta-feira). Agora perdi o pouco que tinha, como roupas, documentos e provas de que estava tudo certo para mudar (de casa). Fora isso, o valor do auxílio-aluguel (pago pela Prefeitura, no valor de R$ 465) foi queimado. Era o único dinheiro que eu tinha.”

A equipe do Diário ouviu funcionários da Prefeitura, que afirmaram que a área estava desocupada e que a população – cerca de 50 famílias – foi transferida para o residencial Santos Dias, entregue à população por meio de convênio entre a administração e a Caixa Econômica Federal, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. Somente duas famílias ainda aguardavam a mudança, uma delas a de Railane.

De acordo com a população, a Prefeitura ficou de retirar o barracos do local desde a saída das famílias, entretanto, isso ainda não tinha sido feito. 

Em resposta a solicitação do Diário sobre o incêndio, a Prefeitura de Santo André informou que: “A Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária de Santo André informa que, em sua maior parte, o incêndio atingiu moradias que se encontravam semidemolidas em razão das remoções planejadas de 74 famílias que viviam em situação de risco. Estas famílias foram destinadas ao Conjunto Habitacional Santo Dias (inaugurado em março deste ano) e para aluguel social. Esta remoção impediu a ocorrência de vítimas fatais, quer por incidência de desabamentos, quer pelo incêndio ocorrido.

A urbanização do núcleo Tamarutaca está inserida na operação Prestes Maia, que prevê várias ações e melhorias naquela região. Na área serão edificadas 48 moradias e instalada uma praça.
Todo o processo de reconfiguração deste espaço está sendo realizado de forma gradativa. Neste primeiro semestre foram realizadas a remoção das famílias do local e demolição das residências. Para o segundo semestre estão previstas intervenções de retirada dos entulhos, terraplanagem, urbanização e a construção das novas moradias.

O caso da Railane, e outras três famílias na mesma situação, foi direcionado imediatamente ao Cras (Centro de Referência de Assistência Social) para encaminhamento ao aluguel social. O benefício deve ser liberado ainda hoje. As famílias estão sendo assistidas pela Secretaria de Assistência Social, em caráter emergencial, por meio do Cras.”

 



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Incêndio atinge comunidade Tamarutaca, em Santo André

Pelo menos 20 barracos foram destruídos pelo fogo, que já foi controlado; não houve vítimas

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

19/06/2019 | 09:21


Atualizada às 20h56

Um incêndio atingiu a comunidade Tamarutaca, na Vila Guiomar, em Santo André, na manhã desta quarta-feira (19). O fogo, que começou por volta das 7h na Rua Nilópolis, altura do número 318, alcançou cerca de mil metros quadrados e destruiu pelo menos 20 barracos que tinham sido desocupados – apenas em dois ainda tinha moradores –, além de comprometer quatro casas vizinhas da área. Uma menina de 6 anos foi resgatada sem ferimentos pela PM (Polícia Militar) logo nos primeiros minutos do acidente. Não houve vítimas, e a causa do incêndio foi caracterizada como “inconclusiva” pela equipe do Corpo de Bombeiros.

Cinco caminhões de combate a incêndio – das bases de Santo André, São Bernardo e Mauá – foram enviados para controlar as chamas, que cessaram após duas horas de trabalho. Embora a área tenha sido alvo de ação de desocupação, duas famílias ainda estavam abrigadas no local. Os bombeiros informaram que, em meio ao fogo, encontraram roupas, sapatos, móveis e brinquedos. Tenente Leonardi, que comandou a operação, afirmou que o incêndio foi “de grandes proporções”. “Havia muito fogo, e as chamas destruíram toda a área. Não dá para medir a altura que as chamas chegaram, mas foi grave.”

A população afirma que o fogo foi causado por usuários de drogas que estavam roubando fiação dos barracos vazios. A equipe de reportagem questionou, no local, a Enel, Defesa Civil e Bombeiros, que não confirmaram a denúncia.

De acordo com policiais militares, ao chegarem no local receberam a informação de que uma criança ainda estava em uma das residências que estava prestes a ser tomada pelo pelas chamas. Os policiais arrombaram a porta e encontraram Júlia, 6 anos, assustada com a situação, já que o fogo também causou estalos ao atingir fiação de energia elétrica. A mãe da menor, Railane Rocha de Souza, 26, retornou poucos minutos depois à casa.

O aspirante Duque, do 10º Batalhão da PM de Santo André, salienta que a menor poderia ter morrido caso a polícia não fosse informada de que ela estava sozinha na casa. “O fogo já havia tomado a lateral da casa em que a menina dormia. A estrutura estava abalada e em área de risco. Ela teria morrido em pouco tempo”, explicou.

Desempregada, a mãe da menor contou à reportagem que mora sozinha com duas filhas. Raíssa, de apenas 1 ano, vai à creche pela manhã, enquanto Júlia frequenta a escola no período da tarde. “Sou sozinha para fazer tudo e preciso me virar. Todos os dias preciso fazer isso (sair e deixar Júlia dormindo) para levar a Raíssa ( filha menor) para a creche. É coisa de dez minutos”, contou Railane.

Para que a menina não corra riscos, a mãe costumava trancar a porta do barraco com corrente e cadeado e avisava os vizinhos para que ficassem de olho. “Saí de casa por volta das 6h50 e, na sequência, o fogo começou. Foi rápido, graças a Deus a PM salvou minha filha. Ainda bem que minhas vizinhas avisaram que ela estava lá dentro”, desabafou a mãe.

Ela contou que estava aguardando sair a documentação para transferência de casa, já que a área foi caracterizada como de risco. “A maior parte das famílias já foi removida pela Prefeitura, e eu iria amanhã (quinta-feira). Agora perdi o pouco que tinha, como roupas, documentos e provas de que estava tudo certo para mudar (de casa). Fora isso, o valor do auxílio-aluguel (pago pela Prefeitura, no valor de R$ 465) foi queimado. Era o único dinheiro que eu tinha.”

A equipe do Diário ouviu funcionários da Prefeitura, que afirmaram que a área estava desocupada e que a população – cerca de 50 famílias – foi transferida para o residencial Santos Dias, entregue à população por meio de convênio entre a administração e a Caixa Econômica Federal, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. Somente duas famílias ainda aguardavam a mudança, uma delas a de Railane.

De acordo com a população, a Prefeitura ficou de retirar o barracos do local desde a saída das famílias, entretanto, isso ainda não tinha sido feito. 

Em resposta a solicitação do Diário sobre o incêndio, a Prefeitura de Santo André informou que: “A Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária de Santo André informa que, em sua maior parte, o incêndio atingiu moradias que se encontravam semidemolidas em razão das remoções planejadas de 74 famílias que viviam em situação de risco. Estas famílias foram destinadas ao Conjunto Habitacional Santo Dias (inaugurado em março deste ano) e para aluguel social. Esta remoção impediu a ocorrência de vítimas fatais, quer por incidência de desabamentos, quer pelo incêndio ocorrido.

A urbanização do núcleo Tamarutaca está inserida na operação Prestes Maia, que prevê várias ações e melhorias naquela região. Na área serão edificadas 48 moradias e instalada uma praça.
Todo o processo de reconfiguração deste espaço está sendo realizado de forma gradativa. Neste primeiro semestre foram realizadas a remoção das famílias do local e demolição das residências. Para o segundo semestre estão previstas intervenções de retirada dos entulhos, terraplanagem, urbanização e a construção das novas moradias.

O caso da Railane, e outras três famílias na mesma situação, foi direcionado imediatamente ao Cras (Centro de Referência de Assistência Social) para encaminhamento ao aluguel social. O benefício deve ser liberado ainda hoje. As famílias estão sendo assistidas pela Secretaria de Assistência Social, em caráter emergencial, por meio do Cras.”

 

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