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Juros caem com risco de recessão, apesar da piora do ambiente político e dólar



14/06/2019 | 18:29


A semana terminou com cautela no ambiente político e dólar em alta, mas os juros renovaram o fôlego de queda nesta sexta-feira, 14, amparados principalmente pelo aumento do risco de nova recessão no País após a divulgação do IBC-Br de abril. À tarde, o mercado ensaiou realização de lucros com a piora do câmbio e críticas do ministro da Economia, Paulo Guedes, ao relatório da reforma da Previdência. As taxas chegaram a zerar o recuo e até a operar em leve alta nos vencimentos longos, mas o movimento não evoluiu, na medida em que o dólar, que chegou a superar R$ 3,91, retornou ao patamar de R$ 3,89.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 terminou em 6,04%, de 6,088% quinta-feira no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 caiu de 6,069% para 6,02%. A taxa do DI para janeiro de 2023 fechou pela primeira vez abaixo dos 7%, em 6,96%, de 7,011% quinta no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2025 recuou de 7,541% para 7,51%.

A sessão teve volume robusto, em especial na ponta curta, onde estão concentradas as apostas para a política monetária nos próximos meses. Às vésperas do Copom na semana que vem, a queda do IBC-Br de abril ante março, de 0,47%, informada pelo Banco Central, foi maior do que apontava o piso das estimativas (-0,40%) e colocou de vez na mesa o debate sobre uma possível recessão técnica no País. "Com a surpresa negativa do IBC-Br e dos demais dados da atividade da semana, há riscos substanciais e crescentes de termos recessão técnica no segundo trimestre", disse a economista-chefe da XP Asset Management, Isabela Guarino, em entrevista ao Broadcast ao Vivo.

Nesta sexta-feira, mais duas instituições revisaram em baixa sua estimativa para o crescimento este ano. O Itaú Unibanco cortou não somente sua previsão para 2019, de 1,0% para 0,8%, como também para 2020, de 2,0% para 1,7%. Já o JPMorgan agora espera PIB de 0,7% em 2019, ante 0,9% anteriormente, mas manteve a projeção de 2% para o ano que vem.

Nesse contexto, o pessimismo com a economia limitou uma reação mais negativa do mercado de juros aos eventos da tarde, mas ainda assim a queda das taxas perdeu ritmo com o dólar renovando máximas até R$ 3,9136 no mercado à vista em meio ainda às declarações de Paulo Guedes, retrucadas depois pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. "O ambiente político ficou ruim e tivemos o dólar se fortalecendo mais, o que reduziu um pouco o oba-oba no mercado de juros", disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

Guedes não gostou do fato de os Estados terem ficado de fora do relatório, criticou o aumento da alíquota da CSLL aos bancos e contestou o valor de R$ 913,4 bilhões de economia divulgado pelo relator Samuel Moreira (PSDB-SP), dizendo que a economia, na verdade é de R$ 860 bilhões. "Se sair só R$ 860 bilhões de cortes, o relator está dizendo o seguinte: abortamos a Nova Previdência e gostamos mesmo da velha Previdência. Cedemos ao lobby dos servidores públicos, que eram os privilegiados", afirmou o ministro. Maia respondeu a Guedes de forma incisiva, dizendo que o "Parlamento está tocando sozinho a reforma da Previdência", que o governo "é uma usina de crises", entre outras declarações.



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Juros caem com risco de recessão, apesar da piora do ambiente político e dólar


14/06/2019 | 18:29


A semana terminou com cautela no ambiente político e dólar em alta, mas os juros renovaram o fôlego de queda nesta sexta-feira, 14, amparados principalmente pelo aumento do risco de nova recessão no País após a divulgação do IBC-Br de abril. À tarde, o mercado ensaiou realização de lucros com a piora do câmbio e críticas do ministro da Economia, Paulo Guedes, ao relatório da reforma da Previdência. As taxas chegaram a zerar o recuo e até a operar em leve alta nos vencimentos longos, mas o movimento não evoluiu, na medida em que o dólar, que chegou a superar R$ 3,91, retornou ao patamar de R$ 3,89.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 terminou em 6,04%, de 6,088% quinta-feira no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 caiu de 6,069% para 6,02%. A taxa do DI para janeiro de 2023 fechou pela primeira vez abaixo dos 7%, em 6,96%, de 7,011% quinta no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2025 recuou de 7,541% para 7,51%.

A sessão teve volume robusto, em especial na ponta curta, onde estão concentradas as apostas para a política monetária nos próximos meses. Às vésperas do Copom na semana que vem, a queda do IBC-Br de abril ante março, de 0,47%, informada pelo Banco Central, foi maior do que apontava o piso das estimativas (-0,40%) e colocou de vez na mesa o debate sobre uma possível recessão técnica no País. "Com a surpresa negativa do IBC-Br e dos demais dados da atividade da semana, há riscos substanciais e crescentes de termos recessão técnica no segundo trimestre", disse a economista-chefe da XP Asset Management, Isabela Guarino, em entrevista ao Broadcast ao Vivo.

Nesta sexta-feira, mais duas instituições revisaram em baixa sua estimativa para o crescimento este ano. O Itaú Unibanco cortou não somente sua previsão para 2019, de 1,0% para 0,8%, como também para 2020, de 2,0% para 1,7%. Já o JPMorgan agora espera PIB de 0,7% em 2019, ante 0,9% anteriormente, mas manteve a projeção de 2% para o ano que vem.

Nesse contexto, o pessimismo com a economia limitou uma reação mais negativa do mercado de juros aos eventos da tarde, mas ainda assim a queda das taxas perdeu ritmo com o dólar renovando máximas até R$ 3,9136 no mercado à vista em meio ainda às declarações de Paulo Guedes, retrucadas depois pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. "O ambiente político ficou ruim e tivemos o dólar se fortalecendo mais, o que reduziu um pouco o oba-oba no mercado de juros", disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

Guedes não gostou do fato de os Estados terem ficado de fora do relatório, criticou o aumento da alíquota da CSLL aos bancos e contestou o valor de R$ 913,4 bilhões de economia divulgado pelo relator Samuel Moreira (PSDB-SP), dizendo que a economia, na verdade é de R$ 860 bilhões. "Se sair só R$ 860 bilhões de cortes, o relator está dizendo o seguinte: abortamos a Nova Previdência e gostamos mesmo da velha Previdência. Cedemos ao lobby dos servidores públicos, que eram os privilegiados", afirmou o ministro. Maia respondeu a Guedes de forma incisiva, dizendo que o "Parlamento está tocando sozinho a reforma da Previdência", que o governo "é uma usina de crises", entre outras declarações.

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