Fechar
Publicidade

Segunda-Feira, 17 de Junho

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

soraiapedrozo@dgabc.com.br | 4435-8057

Produtividade do trabalho recua 1,1% no primeiro trimestre

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

No mesmo período, o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 0,5%



11/06/2019 | 11:02


Em meio a um cenário de perda de força da atividade econômica e avanço do emprego informal, a produtividade do trabalho na economia voltou a encolher no primeiro trimestre, segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) obtido com exclusividade pelo Estadão/Broadcast.

A produtividade por hora trabalhada na economia brasileira recuou 1,1% no primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. No mesmo período, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5%.

"As horas trabalhadas estão subindo, mas não estão gerando produto na mesma proporção. É como se estivessem contratando mais pessoas, mas com produtividade menor", explicou Fernando Veloso, pesquisador do Ibre/FGV.

A produtividade teve piora generalizada nos três grandes setores da economia. A agropecuária ainda escapou do vermelho, com alta de 0,4% na produtividade por hora trabalhada no primeiro trimestre de 2019 em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, mas o resultado ficou muito aquém do crescimento registrado no último trimestre de 2018 (2,8%).

Afetada pelo desastre do rompimento de uma barragem da mineradora Vale em Brumadinho MG) e pela crise na Argentina, a indústria teve queda de 1,2% na produtividade do trabalho no primeiro trimestre, interrompendo uma sequência de 12 trimestres consecutivos de avanços.

Mas o principal impacto negativo sobre a economia foi do mau desempenho do setor de serviços, que concentra 70% de todas as horas trabalhadas no País. A produtividade do trabalho no segmento de serviços encolheu 1,2% no primeiro trimestre de 2019 em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Foi o vigésimo trimestre consecutivo de perdas.

Segundo Fernando Veloso, alguns fatores podem ajudar a explicar essa dificuldade do setor de serviços de aumentar a produtividade do trabalho. Um deles seria uma informalização da prestação de serviços, trabalhadores migrando de empresas formais para trabalhos informais. O pesquisador lembra que o setor formal é cerca de quatro vezes mais produtivo que o informal.

Informalidade. "Quando você aumenta o emprego no setor informal você está deslocando a mão de obra para o setor que é menos produtivo. Aí a produtividade da economia como um todo cai", explicou Veloso. "A informalidade dentro de cada setor aumentou, o que contribui para que a produtividade daquele setor caia. Particularmente no segmento de transportes isso vem acontecendo", disse.

Outra hipótese seria o deslocamento da mão de obra de serviços mais sofisticados, que geram mais valor agregado, para serviços menos complexos, com menor produtividade: um engenheiro que perdeu o emprego e passou a atuar como motorista de aplicativo para garantir o sustento da família, por exemplo.

"O segundo aspecto é o fato de que a atividade econômica dentro dos serviços possa ter se deslocado intrasetores, ou seja, não só do formal para o informal, mas também pode ter acontecido uma migração da mão de obra dos serviços mais sofisticados, que têm produtividade maior, para serviços mais tradicionais, menos sofisticados, com produtividade menor", explicou Veloso.

Para o pesquisador do Ibre/FGV, a solução para aumentar a produtividade do trabalho no País passa por uma agenda de governo que inclui uma reforma tributária, aperfeiçoamentos na legislação trabalhista e prosseguimento de ações para melhorar o mercado de crédito.

"Além da aprovação da Reforma da Previdência, vamos precisar de reformas muito profundas, não só reduzir a burocracia", defendeu Fernando Veloso. "Se não fizer nada, vai piorar (a produtividade). Porque a incerteza está muito elevada e não tem horizonte para as empresas crescerem, o horizonte está muito nebuloso."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Produtividade do trabalho recua 1,1% no primeiro trimestre

No mesmo período, o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 0,5%


11/06/2019 | 11:02


Em meio a um cenário de perda de força da atividade econômica e avanço do emprego informal, a produtividade do trabalho na economia voltou a encolher no primeiro trimestre, segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) obtido com exclusividade pelo Estadão/Broadcast.

A produtividade por hora trabalhada na economia brasileira recuou 1,1% no primeiro trimestre do ano, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. No mesmo período, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5%.

"As horas trabalhadas estão subindo, mas não estão gerando produto na mesma proporção. É como se estivessem contratando mais pessoas, mas com produtividade menor", explicou Fernando Veloso, pesquisador do Ibre/FGV.

A produtividade teve piora generalizada nos três grandes setores da economia. A agropecuária ainda escapou do vermelho, com alta de 0,4% na produtividade por hora trabalhada no primeiro trimestre de 2019 em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, mas o resultado ficou muito aquém do crescimento registrado no último trimestre de 2018 (2,8%).

Afetada pelo desastre do rompimento de uma barragem da mineradora Vale em Brumadinho MG) e pela crise na Argentina, a indústria teve queda de 1,2% na produtividade do trabalho no primeiro trimestre, interrompendo uma sequência de 12 trimestres consecutivos de avanços.

Mas o principal impacto negativo sobre a economia foi do mau desempenho do setor de serviços, que concentra 70% de todas as horas trabalhadas no País. A produtividade do trabalho no segmento de serviços encolheu 1,2% no primeiro trimestre de 2019 em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Foi o vigésimo trimestre consecutivo de perdas.

Segundo Fernando Veloso, alguns fatores podem ajudar a explicar essa dificuldade do setor de serviços de aumentar a produtividade do trabalho. Um deles seria uma informalização da prestação de serviços, trabalhadores migrando de empresas formais para trabalhos informais. O pesquisador lembra que o setor formal é cerca de quatro vezes mais produtivo que o informal.

Informalidade. "Quando você aumenta o emprego no setor informal você está deslocando a mão de obra para o setor que é menos produtivo. Aí a produtividade da economia como um todo cai", explicou Veloso. "A informalidade dentro de cada setor aumentou, o que contribui para que a produtividade daquele setor caia. Particularmente no segmento de transportes isso vem acontecendo", disse.

Outra hipótese seria o deslocamento da mão de obra de serviços mais sofisticados, que geram mais valor agregado, para serviços menos complexos, com menor produtividade: um engenheiro que perdeu o emprego e passou a atuar como motorista de aplicativo para garantir o sustento da família, por exemplo.

"O segundo aspecto é o fato de que a atividade econômica dentro dos serviços possa ter se deslocado intrasetores, ou seja, não só do formal para o informal, mas também pode ter acontecido uma migração da mão de obra dos serviços mais sofisticados, que têm produtividade maior, para serviços mais tradicionais, menos sofisticados, com produtividade menor", explicou Veloso.

Para o pesquisador do Ibre/FGV, a solução para aumentar a produtividade do trabalho no País passa por uma agenda de governo que inclui uma reforma tributária, aperfeiçoamentos na legislação trabalhista e prosseguimento de ações para melhorar o mercado de crédito.

"Além da aprovação da Reforma da Previdência, vamos precisar de reformas muito profundas, não só reduzir a burocracia", defendeu Fernando Veloso. "Se não fizer nada, vai piorar (a produtividade). Porque a incerteza está muito elevada e não tem horizonte para as empresas crescerem, o horizonte está muito nebuloso."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;