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Venezuela culpa Estados Unidos por morte de crianças

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sanções impostas pelos norte-americanos seria a causa das mortes, segundo governo venezuelano



29/05/2019 | 05:50


O governo da Venezuela e a oposição trocaram acusações na terça-feira, 28, sobre a responsabilidade pela morte de um menino de 11 anos que esperava por um transplante de medula óssea. Foi a quarta morte de criança com idades entre 2 e 11 anos por câncer nesta semana, em meio ao agravamento da crise.

O chavismo alega que as sanções dos EUA, destinadas a forçar Nicolás Maduro a deixar o poder e em apoio ao líder opositor Juan Guaidó, congelaram o dinheiro que seria usado para enviar as crianças para a Itália para transplantes de medula óssea. O hospital pediátrico Bambino Gesu, do Vaticano, anunciou na quinta-feira que quatro crianças venezuelanas haviam chegado para tratamentos oncológicos com a ajuda da Cruz Vermelha Internacional.

No hospital pediátrico J. M. de los Ríos, em Caracas, outras 26 crianças estão internadas com câncer, e algumas seriam enviadas para tratamento na Itália. Mas, segundo o governo, os fundos para essas operações, previamente enviados por meio da estatal petrolífera da Venezuela (PDVSA), não poderiam ser usados.

Segundo o governo venezuelano, a promulgação de uma lei e sete decretos executivos assinados por Donald Trump, desde 2018, "penalizam as finanças venezuelanas", bloqueando e confiscando os ativos financeiros. "A proibição de negociar a dívida da PDVSA, a restrição a que a Venezuela faça transações com ouro, o confisco dos ativos da Citgo, subsidiária da petrolífera nos EUA, e as sanções ao Banco Central da Venezuela teriam impedido o governo venezuelano de enviar o dinheiro para hospitais estrangeiros que poderiam receber as crianças doentes", alegou o chanceler Jorge Arreaza.

A oposição afirma que o governo é responsável pela deterioração do tratamento dos pacientes com câncer. Com o colapso do sistema de saúde e a permanente falta de remédios, muitas crianças têm morrido nos hospitais também em razão de infecções decorrentes da falta de higiene, segundo denúncia da ONU, por meio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Até a desnutrição tem levado a numerosas mortes de menores em hospitais da Venezuela, que também enfrentam a redução do número de médicos e de outros profissionais da saúde.

A Venezuela não tem capacidade para transplantes de medula óssea, operações complexas em que o sistema imunológico de um paciente fica enfraquecido. Ele fica suscetível a infecções e precisa ser cuidadosamente monitorado. A falta de medicamentos e de estrutura impede os cuidados e facilita infecções que podem levar à morte.

Em sua casa no bairro de Petare, em Caracas, a família de Erick Altuve, que morreu aos 11 anos, deixou o caixão branco do menino aberto para que os parentes se despedissem. Havia brinquedos no tampo de vidro, emoldurando seu rosto. O pai, Gilberto Altuve, disse sentir raiva e desamparo diante da "ignorância" que acredita ter contribuído para a morte de seu filho, mas não culpou nenhuma facção política. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Venezuela culpa Estados Unidos por morte de crianças

Sanções impostas pelos norte-americanos seria a causa das mortes, segundo governo venezuelano


29/05/2019 | 05:50


O governo da Venezuela e a oposição trocaram acusações na terça-feira, 28, sobre a responsabilidade pela morte de um menino de 11 anos que esperava por um transplante de medula óssea. Foi a quarta morte de criança com idades entre 2 e 11 anos por câncer nesta semana, em meio ao agravamento da crise.

O chavismo alega que as sanções dos EUA, destinadas a forçar Nicolás Maduro a deixar o poder e em apoio ao líder opositor Juan Guaidó, congelaram o dinheiro que seria usado para enviar as crianças para a Itália para transplantes de medula óssea. O hospital pediátrico Bambino Gesu, do Vaticano, anunciou na quinta-feira que quatro crianças venezuelanas haviam chegado para tratamentos oncológicos com a ajuda da Cruz Vermelha Internacional.

No hospital pediátrico J. M. de los Ríos, em Caracas, outras 26 crianças estão internadas com câncer, e algumas seriam enviadas para tratamento na Itália. Mas, segundo o governo, os fundos para essas operações, previamente enviados por meio da estatal petrolífera da Venezuela (PDVSA), não poderiam ser usados.

Segundo o governo venezuelano, a promulgação de uma lei e sete decretos executivos assinados por Donald Trump, desde 2018, "penalizam as finanças venezuelanas", bloqueando e confiscando os ativos financeiros. "A proibição de negociar a dívida da PDVSA, a restrição a que a Venezuela faça transações com ouro, o confisco dos ativos da Citgo, subsidiária da petrolífera nos EUA, e as sanções ao Banco Central da Venezuela teriam impedido o governo venezuelano de enviar o dinheiro para hospitais estrangeiros que poderiam receber as crianças doentes", alegou o chanceler Jorge Arreaza.

A oposição afirma que o governo é responsável pela deterioração do tratamento dos pacientes com câncer. Com o colapso do sistema de saúde e a permanente falta de remédios, muitas crianças têm morrido nos hospitais também em razão de infecções decorrentes da falta de higiene, segundo denúncia da ONU, por meio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Até a desnutrição tem levado a numerosas mortes de menores em hospitais da Venezuela, que também enfrentam a redução do número de médicos e de outros profissionais da saúde.

A Venezuela não tem capacidade para transplantes de medula óssea, operações complexas em que o sistema imunológico de um paciente fica enfraquecido. Ele fica suscetível a infecções e precisa ser cuidadosamente monitorado. A falta de medicamentos e de estrutura impede os cuidados e facilita infecções que podem levar à morte.

Em sua casa no bairro de Petare, em Caracas, a família de Erick Altuve, que morreu aos 11 anos, deixou o caixão branco do menino aberto para que os parentes se despedissem. Havia brinquedos no tampo de vidro, emoldurando seu rosto. O pai, Gilberto Altuve, disse sentir raiva e desamparo diante da "ignorância" que acredita ter contribuído para a morte de seu filho, mas não culpou nenhuma facção política. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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