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Irmãos de Mauá viram referência
no taekwondo pelo mundo

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Clayton e Reginaldo aprenderam com lenda norte-americana e farão seminário nos Estados Unidos


Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

27/05/2019 | 07:00


Na garagem de casa, no Jardim Miranda, periferia de Mauá, os irmãos Clayton e Reginaldo dos Santos transformaram a vida de dezenas de pessoas por meio do taekwondo nos últimos 25 anos. Foi ali que eles superaram incontáveis desafios antes de se tornarem técnicos da Seleção Brasileira e os principais responsáveis pela revolução da modalidade, que no último Mundial, disputado entre os dias 16 e 19 deste mês, em Manchester, na Inglaterra, trouxe cinco medalhas, melhor desempenho da história, surpreendendo até os coreanos, criadores da arte marcial.

Quem chega hoje ao espaço dos irmãos encontra cômodo bem cuidado, paredes pintadas em vermelho e branco, e o tatame, doado, conservado. Ao fundo, bandeira do Brasil ao lado de placa com regras que mais parecem mantra dos taekwondistas. Mas nem sempre foi assim. No começo, o chão era de barro e as laterais não tinham reboque. As lutas aconteciam em um tapete, cedido pela avô. Estas não foram as primeiras dificuldades superadas pelos irmãos. Clayton, ao nascer, teve a clavícula direita quebrada, e Reginaldo, aos 11 anos, viu um carro passar sobre sua perna direita, que por pouco não foi amputada.

Desde muito cedo o desempenho dos irmãos chamava atenção. Principal incentivadora, a mãe, Maria Sebastiana, mesmo com dificuldades financeiras para criá-los ao lado de mais dois irmãos, fez o que era possível. Chegou a trocar o fogão por período de um ano de aulas na academia e passou a cozinhar em equipamento portátil, aqueles de duas bocas. Deu resultado. A dupla, mesmo com a pouca idade – Clayton tem 38 anos, Reginaldo, 40 – foi convidada, em 2003, para trabalhar com a equipe de alto rendimento de São Caetano. Lá, encontraram estrutura bem melhor e começaram o desenvolvimento como treinadores.

Ponto chave na carreira aconteceu em 2012, quando os irmãos foram ao Texas, nos Estados Unidos, e passaram seis meses acompanhando a rotina do melhor atleta de todos os tempos, o norte-americano Steven López, cinco vezes campeão mundial e dois ouros olímpicos. Lá aprenderam lições duradoras. “O treinamento dele era intenso como o nosso, mas a mentalidade, a forma como encarava o treino era bem diferente. Quando voltamos fomos aplicando esse trabalho de fortalecimento mental. Os brasileiros, quando iriam enfrentar um coreano, já entregavam os pontos. Mudamos isso”, conta Reginaldo.

Curiosamente, de aprendizes os mauaenses viraram referência, inclusive para os norte-americanos. O trabalho deles à frente da Seleção Brasileira surpreendeu o mundo do taekwondo em Manchester, afinal, o Brasil não ia a uma final há 14 anos e conquistou duas pratas com seus pupilos de São Caetano, Ícaro e Caroline. “O mundo ficou chocado com o nosso desempenho. Ninguém esperava”, relatou Clayton. “Estou até assustado, vieram convites para fazer seminários nos Estados Unidos, Japão e Marrocos”, orgulha-se Reginaldo.

Talvez, o maior segredo da dupla seja a forma como consegue usar a parte emocional de forma favorável. Reginaldo conta que no primeiro Mundial como técnico da Seleção, em 2017, na Coreia do Sul, o Brasil não trouxe medalhas e um jornal chamou o desempenho de medíocre. Ele guardou a reportagem em casa e a cada momento de dificuldade olhava para a reportagem. “A gente sempre foi muito humilde, as pessoas tinham preconceito da forma como nos vestíamos e falávamos. A vida toda foi assim”, lamenta Reginaldo.

O futuro da dupla à frente da Seleção Brasileira e do taekwondo de São Caertano promete ainda mais conquistas. A cidade vai inaugurar no sábado, dia 1º, moderno centro de lutas na Vila São José, onde funcionava o atletismo, que foi extinto no início de 2018, desde que a B3 (antiga BM&F Bovespa) retirou o patrocínio. “Será o segundo maior tatame do mundo, só perde para um no Japão. A responsabilidade será ainda maior, mas estamos preparados. Teremos ainda mais pessoas praticando taekwondo e com isso mais chances de termos ótimos atletas”, comemora Clayton. 



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Irmãos de Mauá viram referência
no taekwondo pelo mundo

Clayton e Reginaldo aprenderam com lenda norte-americana e farão seminário nos Estados Unidos

Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

27/05/2019 | 07:00


Na garagem de casa, no Jardim Miranda, periferia de Mauá, os irmãos Clayton e Reginaldo dos Santos transformaram a vida de dezenas de pessoas por meio do taekwondo nos últimos 25 anos. Foi ali que eles superaram incontáveis desafios antes de se tornarem técnicos da Seleção Brasileira e os principais responsáveis pela revolução da modalidade, que no último Mundial, disputado entre os dias 16 e 19 deste mês, em Manchester, na Inglaterra, trouxe cinco medalhas, melhor desempenho da história, surpreendendo até os coreanos, criadores da arte marcial.

Quem chega hoje ao espaço dos irmãos encontra cômodo bem cuidado, paredes pintadas em vermelho e branco, e o tatame, doado, conservado. Ao fundo, bandeira do Brasil ao lado de placa com regras que mais parecem mantra dos taekwondistas. Mas nem sempre foi assim. No começo, o chão era de barro e as laterais não tinham reboque. As lutas aconteciam em um tapete, cedido pela avô. Estas não foram as primeiras dificuldades superadas pelos irmãos. Clayton, ao nascer, teve a clavícula direita quebrada, e Reginaldo, aos 11 anos, viu um carro passar sobre sua perna direita, que por pouco não foi amputada.

Desde muito cedo o desempenho dos irmãos chamava atenção. Principal incentivadora, a mãe, Maria Sebastiana, mesmo com dificuldades financeiras para criá-los ao lado de mais dois irmãos, fez o que era possível. Chegou a trocar o fogão por período de um ano de aulas na academia e passou a cozinhar em equipamento portátil, aqueles de duas bocas. Deu resultado. A dupla, mesmo com a pouca idade – Clayton tem 38 anos, Reginaldo, 40 – foi convidada, em 2003, para trabalhar com a equipe de alto rendimento de São Caetano. Lá, encontraram estrutura bem melhor e começaram o desenvolvimento como treinadores.

Ponto chave na carreira aconteceu em 2012, quando os irmãos foram ao Texas, nos Estados Unidos, e passaram seis meses acompanhando a rotina do melhor atleta de todos os tempos, o norte-americano Steven López, cinco vezes campeão mundial e dois ouros olímpicos. Lá aprenderam lições duradoras. “O treinamento dele era intenso como o nosso, mas a mentalidade, a forma como encarava o treino era bem diferente. Quando voltamos fomos aplicando esse trabalho de fortalecimento mental. Os brasileiros, quando iriam enfrentar um coreano, já entregavam os pontos. Mudamos isso”, conta Reginaldo.

Curiosamente, de aprendizes os mauaenses viraram referência, inclusive para os norte-americanos. O trabalho deles à frente da Seleção Brasileira surpreendeu o mundo do taekwondo em Manchester, afinal, o Brasil não ia a uma final há 14 anos e conquistou duas pratas com seus pupilos de São Caetano, Ícaro e Caroline. “O mundo ficou chocado com o nosso desempenho. Ninguém esperava”, relatou Clayton. “Estou até assustado, vieram convites para fazer seminários nos Estados Unidos, Japão e Marrocos”, orgulha-se Reginaldo.

Talvez, o maior segredo da dupla seja a forma como consegue usar a parte emocional de forma favorável. Reginaldo conta que no primeiro Mundial como técnico da Seleção, em 2017, na Coreia do Sul, o Brasil não trouxe medalhas e um jornal chamou o desempenho de medíocre. Ele guardou a reportagem em casa e a cada momento de dificuldade olhava para a reportagem. “A gente sempre foi muito humilde, as pessoas tinham preconceito da forma como nos vestíamos e falávamos. A vida toda foi assim”, lamenta Reginaldo.

O futuro da dupla à frente da Seleção Brasileira e do taekwondo de São Caertano promete ainda mais conquistas. A cidade vai inaugurar no sábado, dia 1º, moderno centro de lutas na Vila São José, onde funcionava o atletismo, que foi extinto no início de 2018, desde que a B3 (antiga BM&F Bovespa) retirou o patrocínio. “Será o segundo maior tatame do mundo, só perde para um no Japão. A responsabilidade será ainda maior, mas estamos preparados. Teremos ainda mais pessoas praticando taekwondo e com isso mais chances de termos ótimos atletas”, comemora Clayton. 

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