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Mesmo na crise, setor químico cresce na região

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Apesar de perder 13 mil empregos nos últimos cinco anos, segmento teve aumento de produtividade e de participação


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

25/05/2019 | 08:39


Hoje é comemorado o Dia da Indústria, setor que é o principal motor da economia do Grande ABC. Apesar das perdas com a crise dos últimos cinco anos, alguns segmentos vêm apresentando reação, como é o caso do químico. Embora tenha amargado 13 mil demissões no Grande ABC de 2013 a 2018, o setor teve crescimento na participação regional, além de apresentar melhora na produtividade.

Os dados foram divulgados ontem pela consultoria MaxiQuim no 5º Seminário do Dia da Indústria, realizado pelo Cofip ABC (Comitê de Fomento Industrial do Polo do Grande ABC). A pesquisa mostra que, na região, o setor teve faturamento de R$ 58,8 bilhões no ano passado, o que representa 10,5% de toda a indústria química nacional.

Apesar da diminuição do valor adicionado (utilizado pelo Estado para calcular o índice de participação municipal no repasse de receita do ICMS), de R$ 10,5 bilhões para R$ 6,98 bilhões, o segmento aumentou sua contribuição para o setor industrial da região, passando de 26% em 2013 para 27% em 2018. Isso se deve ao polo petroquímico, que ampliou sua receita em 14,1% no intervalo, para R$ 9,7 bilhões no ano passado.

“O período de 2013 a 2018 foi marcado por crise que atingiu em cheio a indústria química. Na região, destaque importante foi o polo petroquímico, que cresceu, ao contrário das outras empresas do setor (por exemplo, o ramo de produtos de limpeza teve queda de 22% nas sete cidades). O polo é o início da cadeia química, de onde saem os produtos para alimentar a própria indústria. Então, se ele cresceu e as demais não, os produtos estão indo para outro lugar (fora do Estado ou do País)”, analisou o sócio-fundador da MaxiQuim, João Luiz Zuñeda. “O que pode estar acontecendo com essas empresas pode ser explicado desde pelo custo de energia mais caro no Brasil e na região até o reflexo da própria crise econômica. Ou seja, sem o polo petroquímico, o impacto da crise aqui seria ainda maior.”

Outra questão que pode ter influenciado é o fato de companhias do polo, como a Braskem e a Oxiteno, serem multinacionais. “Elas competem melhor no mercado externo”, afirmou o gerente executivo do Cofip ABC, Francisco Ruiz. Durante a turbulência no cenário doméstico, o setor petroquímico vivia bom momento no externo, e trata-se de segmento bastante dependente do comércio exterior. “A indústria química consolidada aqui já opera com concorrência internacional e, além de ter registrado aumento na produtividade, elas são competitivas no mercado. As empresas que competem com elas não conseguem operação com um custo logístico mais barato e, somado aos custos de produção, elas acabam se tornando menos competitivas”, explicou Ruiz.

MÃO DE OBRA - Apesar dos ganhos, no período, o setor químico amargou 13 mil demissões, justificadas, além da crise, pelo avanço do processo de automação. Em contrapartida, a produtividade da indústria também teve aumento, de 21,3%, no período, uma vez que o faturamento por empregado passou de R$ 1.304 em 2013 para R$ 1.582 no ano passado. Nacionalmente, esse crescimento foi de 7,3%. “Uma das forças da região é ter mão de obra qualificada. Quando está numa crise, a produtividade pode ter rearranjos, o que, no caso do Grande ABC foi muito alto. Mas esses números do faturamento mostram que a região está preparada para novos saltos. Há escolas técnicas e capacitação, o que pode influenciar círculo virtuoso de crescimento”, destacou Zuñeda.

A perspectiva de expansão se baseia na de exploração de gás natural do pré-sal. Há a possibilidade de ele ser retirado da Bacia de Santos e passar pela região para ser distribuído.

DESINDUSTRIALIZAÇÃO - Conforme já mostrado em reportagens publicadas pelo Diário, a região passa por processo de desindustrialização, com perda de empregos no setor, além da diminuição da participação no PIB (Produto Interno Bruto) regional. Conforme dados levantados pelo Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), o número de vagas encolheu 26,1% em dez anos, totalizando 182.168 postos em 2017. De 2005 para 2015, o PIB industrial caiu 31,12%, para R$ 25,9 bilhões

Para o coordenador do Conjuscs, Jefferson José da Conceição, a região sofre mais porque 40% da economia depende da indústria. “São necessários incentivar pesquisa e desenvolvimento e promover forte aproximação entre startups e universidades.” 



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Mesmo na crise, setor químico cresce na região

Apesar de perder 13 mil empregos nos últimos cinco anos, segmento teve aumento de produtividade e de participação

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

25/05/2019 | 08:39


Hoje é comemorado o Dia da Indústria, setor que é o principal motor da economia do Grande ABC. Apesar das perdas com a crise dos últimos cinco anos, alguns segmentos vêm apresentando reação, como é o caso do químico. Embora tenha amargado 13 mil demissões no Grande ABC de 2013 a 2018, o setor teve crescimento na participação regional, além de apresentar melhora na produtividade.

Os dados foram divulgados ontem pela consultoria MaxiQuim no 5º Seminário do Dia da Indústria, realizado pelo Cofip ABC (Comitê de Fomento Industrial do Polo do Grande ABC). A pesquisa mostra que, na região, o setor teve faturamento de R$ 58,8 bilhões no ano passado, o que representa 10,5% de toda a indústria química nacional.

Apesar da diminuição do valor adicionado (utilizado pelo Estado para calcular o índice de participação municipal no repasse de receita do ICMS), de R$ 10,5 bilhões para R$ 6,98 bilhões, o segmento aumentou sua contribuição para o setor industrial da região, passando de 26% em 2013 para 27% em 2018. Isso se deve ao polo petroquímico, que ampliou sua receita em 14,1% no intervalo, para R$ 9,7 bilhões no ano passado.

“O período de 2013 a 2018 foi marcado por crise que atingiu em cheio a indústria química. Na região, destaque importante foi o polo petroquímico, que cresceu, ao contrário das outras empresas do setor (por exemplo, o ramo de produtos de limpeza teve queda de 22% nas sete cidades). O polo é o início da cadeia química, de onde saem os produtos para alimentar a própria indústria. Então, se ele cresceu e as demais não, os produtos estão indo para outro lugar (fora do Estado ou do País)”, analisou o sócio-fundador da MaxiQuim, João Luiz Zuñeda. “O que pode estar acontecendo com essas empresas pode ser explicado desde pelo custo de energia mais caro no Brasil e na região até o reflexo da própria crise econômica. Ou seja, sem o polo petroquímico, o impacto da crise aqui seria ainda maior.”

Outra questão que pode ter influenciado é o fato de companhias do polo, como a Braskem e a Oxiteno, serem multinacionais. “Elas competem melhor no mercado externo”, afirmou o gerente executivo do Cofip ABC, Francisco Ruiz. Durante a turbulência no cenário doméstico, o setor petroquímico vivia bom momento no externo, e trata-se de segmento bastante dependente do comércio exterior. “A indústria química consolidada aqui já opera com concorrência internacional e, além de ter registrado aumento na produtividade, elas são competitivas no mercado. As empresas que competem com elas não conseguem operação com um custo logístico mais barato e, somado aos custos de produção, elas acabam se tornando menos competitivas”, explicou Ruiz.

MÃO DE OBRA - Apesar dos ganhos, no período, o setor químico amargou 13 mil demissões, justificadas, além da crise, pelo avanço do processo de automação. Em contrapartida, a produtividade da indústria também teve aumento, de 21,3%, no período, uma vez que o faturamento por empregado passou de R$ 1.304 em 2013 para R$ 1.582 no ano passado. Nacionalmente, esse crescimento foi de 7,3%. “Uma das forças da região é ter mão de obra qualificada. Quando está numa crise, a produtividade pode ter rearranjos, o que, no caso do Grande ABC foi muito alto. Mas esses números do faturamento mostram que a região está preparada para novos saltos. Há escolas técnicas e capacitação, o que pode influenciar círculo virtuoso de crescimento”, destacou Zuñeda.

A perspectiva de expansão se baseia na de exploração de gás natural do pré-sal. Há a possibilidade de ele ser retirado da Bacia de Santos e passar pela região para ser distribuído.

DESINDUSTRIALIZAÇÃO - Conforme já mostrado em reportagens publicadas pelo Diário, a região passa por processo de desindustrialização, com perda de empregos no setor, além da diminuição da participação no PIB (Produto Interno Bruto) regional. Conforme dados levantados pelo Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), o número de vagas encolheu 26,1% em dez anos, totalizando 182.168 postos em 2017. De 2005 para 2015, o PIB industrial caiu 31,12%, para R$ 25,9 bilhões

Para o coordenador do Conjuscs, Jefferson José da Conceição, a região sofre mais porque 40% da economia depende da indústria. “São necessários incentivar pesquisa e desenvolvimento e promover forte aproximação entre startups e universidades.” 

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